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Sofia Esteves Fundadora e presidente do conselho do Grupo Cia. de Talentos, professora e pesquisadora de gestão de pessoas

Como não envelhecer em um mercado em constante rejuvenescimento

Quando o assunto é a idade do profissional, é preciso levar em consideração a postura da empresa sobre etarismo e a postura da pessoa que já assoprou muitas velinhas no bolo de aniversário.

Por Sofia Esteves 29 out 2021, 10h36

Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), jovem é quem tem entre 15 e 24 anos. Já o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) amplia essa faixa etária até 29 anos — e há instituições de pesquisa que vão incluir também as pessoas com 30 anos. Para o dicionário, jovem é aquele que está no período de vida entre a infância e a idade adulta. Mas, veja bem, existe uma segunda definição: que ou aquele que apresenta certa graça e vigor característico da juventude. É com essa que eu fico.

Não por uma negação ou crise de idade, mas porque, de alguma forma, a juventude, para mim, tem muito a ver com o estado de espírito. Costumo dizer que meu grande diferencial competitivo é que sou jovem há muito, muito, muito mais tempo. Este ano, quando completei 60 anos, essa afirmação continua sendo verdadeira e sabe por quê? Mesmo com o RG indicando que estou muito longe da faixa etária estabelecida pela OMS ou pelo Ipea, meu jeito de ser ainda é o daquela jovem Sofia que sempre tinha um “por quê?” na ponta da língua. E isso, para mim, é fundamental para todos aqueles que buscam não envelhecer no mercado de trabalho.

Recebo muitas perguntas sobre a carreira depois dos 40, 50 e 60 anos e acho que, quando o assunto é a idade do profissional, existem duas coisas a serem levadas em consideração. Uma está relacionada a postura da empresa e o combate efetivo ao etarismo (termo usado para o preconceito baseado na idade), e a outra tem a ver com a postura da pessoa que já assoprou muitas velinhas no bolo de aniversário.

Não quero dizer, com isso, que estas pessoas são culpadas pela alta no desemprego de trabalhadores mais velhos registrada durante a pandemia, que se elas agissem diferente isso não teria acontecido ou que não existe uma barreira contra os 40+ que precisa ser superada. Quando falo na postura dos profissionais acima dessa idade, quero, na verdade, resgatar a autoestima e a moral de quem acha que já passou do ponto, que alcançou seu auge e agora é ladeira abaixo. Isso não é verdade!

Se parte da definição de juventude tem a ver com as características marcantes dessa fase, então todos nós podemos continuar neste grupo de certa forma, independentemente da passagem do tempo. Pensando nisso, uma dica que dou para não envelhecer neste mercado em constante transformação é manter-se curioso sempre.

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À medida que os anos se passam, é comum acharmos que, como já vivemos muita coisa, sabemos de tudo. Confundimos experiência com detenção da verdade absoluta e esse é um erro extremamente perigoso. É a dúvida que nos leva a investigar novas possibilidades, caminhar por trilhas diferentes, questionar nossas verdades, tentar olhar por outros ângulos e buscar conhecimento sempre. E essa é justamente a segunda dica: devemos aprender a vida toda!

O aprendizado não é um processo com um fim. Não existe um ponto de chegada para o conhecimento, um momento em que cruzamos a linha final e encerramos a maratona do saber — e que bom que é assim!

Que bom que podemos continuar a nos maravilhar com as descobertas, a sentir aquele prazer de aprender algo, a atualizar nosso conhecimento e a desenvolver nossas competências continuamente. Mais do que isso, fico feliz e entusiasmada com a possibilidade de unir minha larga experiência do passado com as promessas de saber do futuro. É esse repertório amplo que nos traz uma vantagem competitiva enorme, mas para a bagagem de conteúdo ficar mais pesada, precisamos de uma postura ativa em relação ao ato de aprender, o que requer humildade.

Ser humilde é fundamental para continuar atualizado, porque é essa característica que permite virarmos para um colega, às vezes até mais novo que nós, e dizer: “não sei, me explica?”. Não tenha medo ou vergonha de admitir que não entende muito bem de algo, que não domina um assunto e que precisa estudar melhor o tema. Às vezes, não admitimos para os outros que desconhecemos algo por medo do julgamento. Pior do que isso é quando não admitimos para nós mesmos e, assim, nos fechamos para a possibilidade de aprender.

A ignorância maior não é a falta de conhecimento, mas a postura de quem acha que não precisa dele. Por isso, para quem deseja conservar o espírito jovem, meus conselhos são: manter viva a curiosidade, entender o conhecimento como uma jornada sem fim e praticar a humildade de fazer perguntas. É essa a fonte da juventude. Mate sua sede nela!

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