Diversidade do conselho afeta as emissões de carbono de carbono em uma empresa – mas não como você imagina
Um conselho bem heterogêneo (em termos de cargos e vínculos com a empresa) ajuda a firma a reduzir um pouco o impacto ambiental.

As mudanças climáticas já são uma realidade. O ser humano alterou o planeta de diversas formas, e agora sofremos com ondas de calor, enchentes, perda de biodiversidade e poluição.
Não tem como negar que muitos desses impactos são culpa de algumas empresas – principalmente indústrias. No mundo dos negócios, a sustentabilidade de uma firma pode influenciar como ela é percebida pelo mercado – uma pontuação baixa pode prejudicar a confiança e a reputação dela e dificultar a captação de capital de bancos e investidores.
É por isso que mais e mais empresas estão tentando se tornar “mais verdes”.
Mas além de trocarem o combustível de seus veículos, reverem suas fontes de energia ou a poluição que liberam na natureza, existe uma outra forma de uma empresa reduzir sua emissão de gás carbônico: diversidade no conselho diretor.
Ishwar Khatri usou seus estudos de doutorado na NTNU Business School para examinar como a composição do conselho de uma empresa afeta seu sucesso na competição para ser a mais sustentável.
Pesquisas anteriores já mostraram uma correlação entre a composição de um conselho e o desempenho de uma empresa na escala ESG – a escala ESG, ou Environmental, Social and Governance (Ambiental, Social e Governança), é uma forma de medir o desempenho de uma empresa em relação à sustentabilidade, à responsabilidade social e à gestão corporativa.
O gerenciamento de resíduos, o uso de energia renovável e as emissões de dióxido de carbono são influenciados, por exemplo, pela diversidade de gênero do conselho. Quanto mais mulheres fazem parte de um quadro de diretores, mais transparência há sobre o impacto ambiental da empresa.
O que Khatri buscava era um pouco diferente: ele queria saber o efeito da diversidade do conselho nas emissões de carbono de uma empresa. Para isso, ele analisou dados de 344 empresas listadas na Bolsa de Valores de Londres, com um conjunto de dados que cobria um período de 2005 a 2021.
Segundo ele, diversidade em termos de idade, gênero ou nacionalidade não teve impacto nas emissões de carbono de uma empresa. “O que importa é a estabilidade, ou seja, há quanto tempo um diretor ocupa o cargo e sua heterogeneidade. Além disso, a consideração de se o membro do conselho tem uma função na empresa ou vem de fora é importante. A mistura de pessoas de dentro e de fora no conselho é importante”, afirma.
“Os acionistas devem se concentrar na diversidade relacionada a habilidades funcionais ou estruturais ao montar o conselho. Isso pode envolver educação, habilidades de fundo, estabilidade e até que ponto eles são independentes da empresa”, diz Khatri.
Ele enfatiza que isso não deve impedir a empresa de também considerar a inclusão de diversidade em seus membros em termos de gênero, idade e nacionalidade, que pode ser útil ao trazer diferentes perspectivas e novas ideias. “Pode melhorar a criatividade, a inovação, bem como a reputação de uma empresa na sociedade”, disse ele.