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Wall Street se recupera e sobe 1%, mas deixa Ibovespa para trás

Bolsa brasileira até subia, mas fechou estável após nova discussão sobre prorrogar auxílio emergencial. Dólar sobe a R$ 5,49.

Por Tássia Kastner Atualizado em 5 out 2021, 18h22 - Publicado em 5 out 2021, 18h18

Em condições normais de temperatura e pressão, um dia positivo nos EUA significa alta para o Ibovespa. Nesta terça, as regras de constância da física não se aplicaram à bolsa brasileira. Enquanto Wall Street subiu ao redor de 1%, aqui ficamos no zero a zero (+0,06%).

A bolsa sustentou uma alta mais consistente até pouco antes das 14h, depois começou a ceder. Brasília mandou na Faria Lima. À tarde, três pautas importantes circularam por Brasília, a mais preocupante para o mercado veio já no finalzinho do pregão. 

Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, concedeu uma entrevista para comentar a próxima etapa da reforma tributária, que começa pelo Senado, isso depois de uma reunião com o ministro Paulo Guedes. Terminou a conversa confirmando que existem planos para prorrogar o auxílio emergencial. Faz dias que o assunto vai e volta da pauta. Na semana passada, o próprio Guedes disse que estava em estudo, para depois afirmar que havia sido um ato falho e que ele havia se referido ao novo Bolsa Família.

O fato é que o Bolsa Família turbo está empacado, e o governo sabe que, se quiser parar de perder popularidade, algo precisa ser feito em um momento em que a inflação está na lua, o desemprego segue altíssimo e famílias catam ossos para ter o que comer.

O mercado financeiro, no entanto, está mais concentrado no compromisso que o governo tem – ou não tem, no caso – com a sustentação das contas públicas. E daí não chegam bons sinais.

Outra pauta do dia foi o plano da Câmara de mudar a forma como estados recolhem ICMS sobre combustíveis. Há mais de ano, o presidente Jair Bolsonaro diz que o imposto estadual é culpado pela alta da gasolina e do diesel, isso enquanto o petróleo vai renovando máximas desde 2018 e o dólar se sustenta acima dos R$ 5,40. Os preços dos combustíveis vendidos pela Petrobras dependem fundamentalmente desses dois fatores, que não para de subir.

O problema é que a mudança em discussão pela Câmara corta a arrecadação dos estados, o que pode agravar a crise fiscal para além das contas da União.

Isso sem falar na reforma tributária em si: hoje deve ser apresentado o projeto que unifica tributos sobre o consumo – lá fora, chama-se de IVA, imposto sobre valor agregado. O texto acaba com isenções sobre a cesta básica e cria o imposto do pecado, sobre bebidas e cigarros (que já são sobretaxados, é bom lembrar). 

Tudo que se discutiu de reforma tributária até agora empacou, caso do capítulo reforma do Imposto de Renda, que todo mundo diz ser importante, mas quer mudanças para salvar o próprio bolso. Nisso, até Guedes entrou no radar. O caso Pandora Papers revelou que o ministro tem dinheiro em um paraíso fiscal – e ele mesmo sugeriu deixar de fora da reforma a taxação de recursos em paraísos fiscais.

Inflação

A verdade é que bolsas, juros e dólar se moveram de forma um tanto atípica, aqui e nos EUA. Se o mercado financeiro fosse uma ciência exata, bolsas em alta significariam juros e dólar em baixa. 

A explicação é aquela que os fregueses aqui do Fechamento de Mercado conhecem bem: dinheiro mais caro limita o crescimento das empresas no longo prazo, reduzindo o valor das ações antes mesmo do futuro chegar.

O lance é que isso tem acontecido. Hoje, por exemplo, os juros de longo prazo da dívida americana subiram em uma antecipação ao movimento do Fed (o BC dos EUA) de cortar uma pequena fração dos estímulos à economia, o que foi anunciado para começar gradualmente em novembro. Corte de estímulos significa menos dinheiro rodando por aí e, portanto, crédito mais caro. Daí os juros em alta. E as apostas são de que isso será mesmo necessário, já que o petróleo, combustível do mundo, não para de subir depois que o cartel dos países exportadores de petróleo decidiu manter a oferta, apesar da clara escassez de produto no globo.

Já as bolsas subiram em uma antecipação de dados positivos de emprego na quinta. Foi a desculpa que Wall Street encontrou para a recuperação após o tombo feio de ontem, na verdade. 

E o dólar?

Não para de subir. O medo da crise fiscal brasileira e a alta da inflação global faz todo mundo preferir ter verdinhas na mão. Nisso, a moeda americana subiu 0,71%, a R$ 5,4851, isso depois da disparada de quase 1,5% na segunda-feira. Encarece o seu combustível, a comida e ainda mata a esperança de uma viagem internacional. Parece que a festa danada realmente acabou.

Maiores altas

Pão de Açúcar (PCAR3) +6,80%

Banco do Brasil (BBAS3) +4,76%

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Americanas s.a (AMER3)  +3,81%

Santander (SANB11) +2,86%

Carrefour (CRFB3) +2,50%

Maiores quedas

Banco Pan (BPAN4) -6,40%

CVC (CVCB3) -5,90%

Grupo Soma (SOMA3) -4,68%

Embraer (EMBR3) -4,53%

Natura (NTCO3) -3,67%

Ibovespa: +0,06%, a 110.510 pontos

Nova York

Dow Jones: +0,92%, a 34.314 pontos

S&P 500: +1,05%, a 4.345 pontos

Nasdaq: +1,25%, a 14.433 pontos

Dólar: alta de 0,71%, a R$ 5,4851

Petróleo

WTI: alta de 2%, a US$ 79,17

Brent: alta de 1,91%, a US$ 82,81

Minério de Ferro

queda de 0,46%, a US$ 116,58 por tonelada no porto de Qingdao

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