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Uma turba invade o congresso americano, e Dow Jones bate recorde

Bolsas tiveram reações distintas às tentativas de Trump de não deixar o cargo. No Brasil, o caos tirou mais uma vez os 120 mil pontos do Ibov.

Por Tássia Kastner, Juliana Américo Atualizado em 6 jan 2021, 19h56 - Publicado em 6 jan 2021, 19h36

Foi um dia histórico. E não no bom sentido, como a expressão é usada normalmente no jornalismo para definir grandes acontecimentos. Insuflada pelo presidente americano, Donald Trump, uma turba invadiu o Congresso dos Estados Unidos nesta quarta-feira (6), o que adiou o anúncio formal de que Joe Biden será o próximo presidente do país. Se você chegou a esse texto, já viu as imagens e sabe disso.

Desde a metade da tarde, o mundo ficou abismado. Imagens de invasão ao parlamento a gente já viu na Venezuela e no Paraguai. Nos EUA é inédito. Talvez isso explique um pouco o que aconteceu com as bolsas americanas: o Dow Jones, que reúne 30 das maiores e mais tradicionais empresas americanas, subiu 1,44%. E renovou sua máxima histórica. O S&P 500, o maior e mais importante, teve desempenho comedido, alta de 0,57%, enquanto o Nasdaq caiu 0,61%. Na melhor definição do meme “o que está acontecendo?”, cada um foi para um lado.

Não é pouco o que Trump tem feito para evitar a saída da presidência após a derrota nas eleições de novembro. Ele nega que foi derrotado, o que não é verdade. Foi gravado sugerindo que votos deveriam “aparecer” em favor dos republicanos na Geórgia, como revelado pelo jornal The Washington Post.

Nesta quarta, fez um discurso em frente à Casa Branca, em Washington, convocando apoiadores a marchar em direção ao Capitólio. Lá, deveriam protestar contra o resultado das eleições. Biden seria ratificado pelo Congresso hoje, a posse ocorre no dia 20. Também pediu que seu vice, Mike Pence, se recusasse a reconhecer a vitória de Biden e a resposta foi a única possível: Pence afirmou não ter autoridade para isso. Não tem mesmo.

Enquanto esse texto era escrito, ainda não havia uma definição de quando o Congresso confirmaria Biden. 

Ele, inclusive, se manifestou sobre o tema em um breve discurso. Além de pedir calma para a população, ele ainda cobrou que Trump fosse à público para exigir o fim do cerco ao Capitólio. 

“Neste momento, nossa democracia está sob um ataque sem precedentes, diferente de tudo que já vimos nos tempos modernos”, afirmou.

Em qualquer bolsa do planeta, a reação de investidores a uma ameaça de golpe à democracia é instintiva. Vender. As ações deveriam tombar. Pois é. Não aconteceu.

Podemos voltar ao ponto do ineditismo. Como se investidores tivessem tão vidrados acompanhando as imagens na TV, sem saber como reagir a algo da linha “nunca antes na história” a ponto de esquecerem de apertar o botão “vender”. Mas é claro que não é só isso. Existe o componente na confiança nas instituições e que, portanto, a transição vá ocorrer a despeito dos delírios de Trump e de seus apoiadores. Tampouco o que Trump tem feito é algo comparável a um golpe de Estado.

E aí o mercado enxerga o dia de amanhã. Com Biden no poder, as coisas podem voltar a fluir. Enquanto a polícia dispersava manifestantes e Trump mandava seus apoiadores “para casa” mentindo mais uma vez que a eleição foi roubada, a contagem de votos na Geórgia se aproximava do fim. Com ela, veio a confirmação de que as duas cadeiras do Senado serão controladas por democratas. Isso significa que eles reassumem a maioria. A partir deste ano, e pelos próximos dois, o partido controla a Casa Branca e as duas casas do congresso.

Em mais um ato simbólico desse dia de extremismo, um dos vencedores foi Raphael Warnock, o primeiro negro a representar a Geórgia no Senado americano.

Aos que não acreditam que a política interfere tanto assim no mercado, há uma outra explicação. Com golpe ou sem golpe, o mercado americano continua inundado de dinheiro das medidas de combate ao coronavírus (ok, essa injeção de dinheiro também é uma decisão política). Só que nadando em grana, o investidor tem menos coragem de apertar o botão.

E o pobre do Ibovespa, que passou o dia todo bonitinho acima dos 120 mil pontos, com espumante no gelo para comemorar a marca, mais uma vez teve que adiar a festa. Difícil passar incólume a tamanha confusão. No final, a queda foi de 0,23% a 119.100 pontos. 

É, caros leitores, os próximos 10 pregões até a posse de Biden serão emocionantes.

Maiores altas

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Gerdau: 4,95%

Usiminas: 4,11%

Metalúrgica Gerdau: 4,06%

CSN: 4,05%

Bradespar: 4,04%

Maiores baixas

B2W: -6,93%

Lojas Americanas: -5,74%

Eneva: -5,67%

Localiza: -5,45%

Natura: -5,40%

Dólar: 0,80%, cotado a R$ 5,30

Petróleo

Tipo Brent (referência internacional): +1,30% (US$ 54,30)

Tipo WTI (referência internacional nos EUA): + 1,40% (US$ 50,63)

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