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Um olho na inflação, outro no começo da temporada de balanços

A Apple deve reduzir a produção de iPhones por falta de componentes. Se nem a gigante americana passa incólume pela crise, como ficam as demais companhias?

Por Tássia Kastner e Guilherme Jacques 13 out 2021, 08h13

Bom dia!

Depois do feriado aqui no Brasil, todos os olhos se voltam novamente lá para fora. Às 9h30, os Estados Unidos divulgam a inflação oficial de setembro, que deve vir estável na comparação com agosto. O fato de ela parar de subir enquanto a energia, a comida, os chips e os salários continuam avançando é visto como um bom sinal pelo mercado financeiro, tanto que os futuros americanos conseguiram se firmar no positivo neste começo de manhã.

O que economistas esperam, segundo o The Wall Street Journal, é um avanço de 0,3% na comparação com agosto, e de 5,3% na leitura ante setembro de 2020. Não custa lembrar, a inflação oficial brasileira cruzou a marca dos 10% no mês passado.

Aqui existem duas pegadinhas para o mês: as projeções falharam miseravelmente para os dados de emprego dos EUA, que vieram muito abaixo do esperado pelo mercado. E a outra é que o combustível para a inflação – dinheiro – continua circulando livremente pelo mundo.  Hoje a Alemanha também divulgou seu dado de inflação, com uma alta anual de 4,1%, em linha com o esperado, mas a mais alta desde 1993.  

À tarde, o Fed (Banco Central dos EUA) divulgará a ata da reunião em que mostrou, pela primeira vez, disposição em reduzir uma parte dos estímulos à economia do país, o que pode tirar uma parte do ímpeto de alta de preços. Lá estarão os detalhes do que pensam os membros do Fed sobre a situação da economia americana.

Enquanto isso, começa nesta semana a temporada de balanços do terceiro trimestre, e o cenário é de preocupação. A Apple, maior empresa do ocidente e com maior participação no S&P 500, já havia anunciado uma possível redução no ritmo de produção de seus aparelhos no trimestre passado. Agora, uma reportagem da Bloomberg mostrou que a falta de chips pode fazer a companhia reduzir sua produção estimada em 10 milhões de iPhones – a expectativa era de que fossem fabricados 90 milhões de telefones só no último trimestre do ano. Eis o tamanho da expectativa para as próximas semanas. 

humorômetro: o dia começou com tendência de alta

Futuros S&P 500: 0,15%

Futuros Nasdaq: 0,42%

Futuros Dow: 0,08%

*às 8h01

Europa

Índice europeu (EuroStoxx 50): 0,46%

Bolsa de Londres (FTSE 100): -0,14%

Bolsa de Frankfurt (Dax): 0,68%

Bolsa de Paris (CAC): 0,23%

*às 8h02

Fechamento na Ásia

Índice chinês CSI 300 (Xangai e Shenzhen): 1,15%

Bolsa de Tóquio (Nikkei): -0,32%

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Hong Kong (Hang Seng): -1,43%

Commodities

Brent*: queda de 0,59%, a US$ 82,93

Minério de ferro: queda de 3,55%, a US$ 130,24 a tonelada no porto de Qingdao

*às 8h04

Agenda

10h45 Roberto Campos Neto participa, em Washington, participa de reunião do G-20.

9h30 EUA divulgam inflação oficial de setembro.

15h Fed divulga ata da última reunião de política monetária, aquela que indicou o começo da retirada de estímulos em novembro.

17h30 Depois de o mercado fechar, o Instituto Americano do Petróleo divulga a situação dos estoques da commodity no país.O preço da matéria-prima não para de subir.

market facts

Pibinho de novo

O FMI revisou a estimativa de crescimento do Brasil para este ano, de 5,3% (divulgado em julho) para 5,2%. Para o ano que vem, a queda foi maior, de 1,9% para 1,5%. São três as causas: a alta de juros para conter a inflação, a própria inflação e ainda a previsão de menor crescimento nos EUA. O ministro Paulo Guedes não concorda tanto assim. À Bloomberg, ele afirmou que o crescimento não será problema, mas a inflação, sim. Em outro momento, à CNN Internacional, ele atribuiu a alta da inflação a um problema mundial, causado pelos preços da comida e da energia. Ele não está de todo errado, já que os preços dos alimentos e da energia sobem globalmente – o lance é que a conta de luz em alta por causa da crise hídrica e o dólar a R$ 5,50 não têm nada a ver com o mundo. 

Decolagem lenta

A Gol reajustou as expectativas para os resultados do terceiro semestre de 2021, e apontou um prejuízo líquido de R$ 1,02 bilhão. Enquanto isso, a receita operacional líquida deve ficar em R$ 1,8 bi, o que ainda é só a metade do resultado do terceiro trimestre de 2019 – a companhia vem se guiando pelos resultados pré-pandemia, já que 2020 foi um ano perdido para as aéreas. Os resultados, de fato, serão divulgados em 9 de novembro. Apesar disso, a companhia diz que as vendas diárias de passagens cresceram 48% em comparação com o segundo trimestre e alcançaram R$ 28 milhões. O lance é que poderia ter sido mais, o problema é que a companhia atravessou uma turbulência interna no trimestre: uma migração de sistemas que cancelou voos, dificultou a venda de passagens e ainda fez reservas de passageiros sumirem no ar. E, por falar em passagens, uma dica de leitura de brinde: o Estadão contou que elas acumularam alta de 56,8% nos últimos 12 meses. Com isso (e, óbvio, a taxa de câmbio), a visita à Disney pode virar um passeio pelo Beto Carrero.

Vale a pena ler:

De olho no vento e no sol

Com a crise hídrica assombrando o Brasil, uma porta para energias renováveis ​​e combustíveis fósseis se abre. É o que diz o Wall Street Journal (em inglês). Com dados de uma pesquisa da Bloomberg, o jornal aponta que fomos os maiores beneficiados por investimentos em energias sustentáveis nos mercados emergentes, entre 2008 e 2019, com aporte de US$ 24,7 bi. A Índia foi vice, chegando aos US$ 20,8 bi, seguida pelo México, US$ 14,9 bilhões. Ainda assim, a geração eólica de energia responde apenas por 10% da eletricidade gerada no por aqui. E o sol, embora brilhe muito em quase todo o país, só produz 1% da nossa energia.

Foi pouco

O imposto global para multinacionais, apoiado pela OCDE na última semana, rendeu críticas do grupo de economistas que reúne nomes como Joseph Stiglitz e Thomas Piketty. Eles eram defensores da proposta, mas agora discordam do tamanho do imposto. A OCDE aprovou uma alíquota mínima de 15%, válida a partir de 2023, para multinacionais com faturamento anual acima de 20 bilhões de euros (por aqui, R$ 128 bilhões), e margem de lucro superior a 10%. O grupo de Piketty considera uma alíquota baixa demais, que termina beneficiando países ricos. Eles defendiam um imposto de 21% e uma distribuição diferente da arrecadação, que seria de 70% a 80% para os países que sediam as empresas e 20% a 30% para aqueles onde ocorrem as vendas. Na BBC Brasil, um resumo das razões pelas quais o grupo considera o novo imposto um fracasso.

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