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Saída de Mantega da transição acalma o mercado – e Ibovespa cai “só” 0,49%

Apesar da redução de danos no pregão de hoje, investidores seguem pessimistas com furo de R$ 200 bi no teto de gastos. Entenda por quê.

Por Alexandre Versignassi, Bruno Carbinatto
Atualizado em 17 nov 2022, 18h56 - Publicado em 17 nov 2022, 18h41

Hoje foi com emoção. Depois de passar a maior parte do dia em queda forte, com basicamente nenhuma ação do Ibovespa operando no azul, a bolsa passou por uma bela redução de danos ao final do pregão. E fechou num patamar ameno (para os padrões desta semana): -0,49%, aos 109.702 pontos. 

Cortesia do ítalo-brasileiro Guido Mantega. Na última hora de pregão, o ex-ministro da economia mais detestado pelo mercado pediu para sair da equipe de transição.   

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Em carta enviada ao vice-presidente eleito e coordenador da transição Geraldo Alckmin (PSB) e publicada na Folha de São Paulo, o economista justificou a saída dizendo que adversários políticos utilizam de seu nome para “tumultuar a transição e criar dificuldades para o novo governo”.

Mantega não pode assumir cargos públicos até 2030 por conta de uma punição do TCU (Tribunal de Contas da União) em caso relacionado a pedaladas fiscais enquanto era ministro (ele afirma que a punição foi injusta). Mesmo assim, poderia atuar no processo de transição como voluntário – a esmagadora maioria dos nomes indicados pelo governo não recebem salário, diga-se; a lei prevê que só 50 pessoas podem ser contratadas na transição.

A condenação no TCU, porém, foi relembrada por adversários do governo para criticar a nomeação do ex-ministro. Não só ela, é claro: a escolha de Mantega repercutiu mal no mercado desde o primeiro momento devido ao seu histórico desastroso na pasta da Economia  – ainda mais no grupo que cuidará da gestão do Orçamento, o tópico mais sensível para a Faria Lima desde a eleição de Lula.

Por isso, a desistência do economista foi mais do que bem recebida pelo mercado e deu um forte gás para a bolsa reduzir perdas no finalzinho do pregão. Por boa parte do dia, o Ibovespa caía mais de 2%; fechou com queda de 0,5%.

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Mas não foi só a saída de Mantega. Há também a percepção de que o Congresso irá segurar parte do furo no teto de gastos. Tanto que o dólar fechou relativamente estável. Após viajar para o norte dos R$ 5,50, a moeda americana fechou em menos tenebrosos R$ 5,40 – alta de 0,37%.  

Se a PEC mantiver o furo de R$ 200 bilhões, porém, o cenário será outro. O Barclays, por exemplo, avalia que tamanha pedrada elevaria a dívida do governo dos atuais 74,4% do PIB para 78% em 2023. Trata-se de um patamar desconfortável para países sem moeda forte. A dos EUA está em mais de 100%, mas quando você imprime dólares fica mais fácil rolar dívida pagando juros relativamente baixos. 

Para um país como o Brasil, não há escapatória: uma relação dívida-PIB perto de 80% é praticamente garantia de juros nas alturas. E juros nas alturas são inimigos figadais do crescimento econômico – sem o qual a pobreza se mantém. 

Sem crescimento e com mais dinheiro circulando, via gastos públicos, o q ue você tem é inflação. E quem sofre mais com ela, sabemos todos, é justamente quem mais precisa de ajuda governamental. 

E a ajuda mais importante neste momento seria agir com o mínimo de responsabilidade – adequando os gastos públicos não a promessas de campanha, mas àquilo que a economia do país permite. 

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China

O petróleo também fechou em forte queda nesta quinta, com investidores temendo novos lockdowns na China, maior importador da commodity. O país asiatico vem aliviando algumas restrições e caminhando, ainda que a passos lentos, para abandonar sua rigorosa  política de “Covid zero”, que esfria a economia e diminui a demanda por importações, petróleo incluso. 

O problema é que o timing nao poderia ser pior: justamente agora a China enfrenta a pior onda da doença desde abril deste ano. Nos últimos dois dias, quase 40 mil novos casos foram registrados – em outubro, a média diária não chegava a mil casos. Nisso, o petróleo caiu mais de 3%. 

Entre as maiores quedas do dia, a 3R Petroleum (RRRP3) figurou com -6,19%. A Petrorio (PRIO3) também fechou no vermelho: -1,30%. Felizmente, a mais valiosa companhia brasileira, porém, escapou da sangria: PETR4 fechou estável, a 0,04%.

Até amanhã.

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MAIORES ALTAS

Bradesco (BRAP4):  2,17%

Weg (WEGE3): 2,17%

Ultrapar (UGPA3): ​​1,94%

Magazine Luiza (MGLU3): 1,80%

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Via (VIIA3): 1,69%

MAIORES BAIXAS

Qualicorp (QUAL3): -10,60%

Alpargatas (ALPA4): -6,55%

BRF (BRFS3): -6,53%

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3R Petroleum (RRRP3): -6,19%

B3 (B3SA3): -6,05%

Ibovespa:  -0,49%, aos 109.702 pontos. 

Em Nova York

S&P 500: -0,30%, aos 3.946 pontos

Nasdaq: -0,35%, aos 11.144 pontos

Dow Jones: -0,02%, aos 33.547 pontos

Dólar: 0,37%, a R$ 5,4017

Petróleo

Brent: -3,32%, a US$ 89,78 

WTI: -4,62%, a US$ 81,64 

Minério de ferro: 1,65%, a US$ 103,55 na bolsa de Dalian (China)

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