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PIB chinês desacelera forte, e faz a semana começar fria

O crescimento ficou em 4,9% no terceiro tri, contra 7,9% no segundo. E isso aumenta o receio sobre as consequências da alta nos combustíveis fósseis.

Por Alexandre Versignassi 18 out 2021, 08h46 | Atualizado em 16 dez 2024, 16h32
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 (Tiago Araújo/Você S/A)
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A semana passada tinha sido a melhor do S&P 500 desde julho – alta de 1,8%, que deu o bom humor necessário para que o Ibovespa tivesse um desempenho na mesma linha, 1,6%. Agora, a semana começa fraca: às 8h25, os índices futuros do mercado americano apontavam para baixo: -0,27% para o S&P 500 e para o Nasdaq. No EuroStoxx50, o índice europeu, a queda era de 0,76%.   

A frente fria veio da China. O PIB do país cresceu apenas 4,9% no terceiro trimestre, comparado ao mesmo período do ano anterior. Uma freada forte em relação ao segundo trimestre, quando o país registrou uma alta de 7,9%. Com isso, o índice chinês CSI 300, das 300 maiores companhias listadas nas bolsas de Xangai e Shenzen caiu 1,16%.

A culpa é, em parte, de regulamentações mais duras para o setor imobiliário, que vieram a reboque do caso Evergrande e deram uma esfriada nesse mercado. Mas o protagonista entre os vilões é mesmo a crise energética de lá. Uma crise ligada à alta nos preços dos combustíveis fósseis. 60% da eletricidade chinesa é movida a carvão. Preço alto é sinônimo de mercadoria em falta. E se falta carvão há apagões, como de fato houve em algumas regiões da China. 

É aí, na alta dos combustíveis fósseis, que a desaceleração no PIB chinês mais assusta o resto do mundo. O maior problema, em termos globais, é a alta no petróleo – que passou de US$ 80 pela primeira vez desde 2018, e ameaça chegar a US$ 100, o que não se via desde 2014. No mercado de opções, já há quem aposte no barril a US$ 200 (um valor ainda irracional, mas que há tempos estava fora do radar das apostas financeiras).   

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Não é só falta de petróleo. Também é excesso de dinheiro, que deixa o barril mais caro por uma questão meramente inflacionária. Para conter tal inflação, o Fed terá de subir seus juros mais hora menos hora, o que deprime o mercado financeiro (juros mais altos = menos dinheiro para as bolsas, já que os títulos públicos começam a pagar mais). E quanto mais claro fica que essa inflação saiu do controle, maior a pressão de baixa para as bolsas. 

E vamos que vamos. Boa semana. 

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humorômetro: o dia começou sem tendência definida
(Arte/VOCÊ S/A)

 

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Futuros S&P 500: -0,27%

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Futuros Nasdaq: -0,27%

Futuros Dow Jones: -0,27%

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*às 8h24

Europa

Índice europeu (EuroStoxx 50): -0.76% 

Bolsa de Londres (FTSE 100): -0,22%

Bolsa de Frankfurt (Dax): -0,57%

Bolsa de Paris (CAC): -0,79%

*às 8h26

Fechamento na Ásia

Índice chinês CSI 300 (Xangai e Shenzhen): -1,16%

Bolsa de Tóquio (Nikkei): -0,15%

Hong Kong (Hang Seng): 0,31%

Commodities

Brent: 1,07%, a US$ 85,77*

*às 8h31

Agenda

10h15 EUA: produção industrial de setembro. 

market facts

“Round 6”: lucro de 4.000% para a Netflix

US$ 900 milhões. Esse seria o “valor de mercado” atual de “Round 6”, a produção recordista de audiência na Netflix – de acordo com documentos internos da empresa obtidos pela Bloomberg, e divulgados neste sábado (16). Não é simples calcular quanto uma produção rende para a Netflix – você não pagou para assistir, certo? (fora o que já paga assinatura, obviamente). 

Mas a empresa tem um sistema para fazer esse cálculo. O sistema é segredo industrial, mas provavelmente leva em conta o número de novas assinaturas geradas e de quedas de cancelamentos geradas por produções bem sucedidas. 

E “Round 6” é a mais bem sucedida da história do serviço, com 133 milhões de espectadores nos primeiros 23 dias – bem à frente do recordista anterior, a série britânica Bridgerton (2020), que amealhou 89 milhões de espectadores no mesmo período. 

“Round 6” custou US$ 21 milhões. Ou seja: pela métrica do serviço de streaming, a produção coreana já rendeu um lucro de 4.000%  Nesta terça (19), a Netflix (NFLX34) divulga seu balanço do terceiro trimestre. 

Balanço da Tesla

Na quarta (20) é a vez de a Tesla (TSLA34) divulgar seus resultados, que podem ter sido afetados pela falta de semicondutores no mercado global – até porque os carros da Tesla são mais “chipados” que o normal, com seus sistemas de direção autônoma. A companhia vem de oito trimestres seguidos de lucro. No último, o 2T21, registrou US$ 1,2 bilhão líquidos – recorde deles, e o dobro do que o mercado esperava. Mesmo assim, a ação está meio parada neste ano – pelo menos para os padrões da companhia de Elon. Alta de 15% até aqui. Mas era de se esperar: a subida em 2020 já tinha sido de 719%.

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Vale a pena ler:

Cuidado com as stable coins

Stable coins são as criptomoedas que se dizem lastreadas por dinheiro de verdade. A mais popular entre elas é o Theter – quinta maior cripto do mundo em valor de mercado (atrás apenas de Bitcoin, Ethereum, Binance e Cardano). Existem 69 bilhões de theters em circulação. Supostamente, deveria haver US$ 69 bilhões sob custódia da Theter Holdings, uma empresa sediada em Hong Kong, para garantir o lastro – e permitir que todos os portadores de theters no mundo os convertam em dólares se assim o desejarem. A Securities and Exchange Commission (a CVM dos EUA) duvida que esse lastro exista, o que faria do theter uma fraude descomunal. Na Bloomberg.         

A volta por cima da Gol

O mercado chegou a apostar que ela não sobreviveria ao coronavírus. Com a pandemia quase no retrovisor, a Gol manteve seu market share, ganhou a American Airlines como sócia e já planeja um futuro com “carros voadores” cor de laranja cruzando as cidades brasileiras. E aí? É hora de ações da Gol decolarem? Aqui na Você S/A.   

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