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Petróleo sobe mais e tem tudo para turbinar – de novo – a inflação

Futuros americanos começam o dia respirando após a sangria da véspera

Por Tássia Kastner, Guilherme Jacques Atualizado em 19 jan 2022, 08h19 - Publicado em 19 jan 2022, 08h17

Bom dia!

O investidor não tem um minuto de paz. Os preços do petróleo continuam avançando nesta quarta-feira e vão se aproximando dos US$ 90 por barril do tipo brent. Ontem à noite, a Turquia anunciou a interrupção do funcionamento de um oleoduto com o produto vindo do Iraque, isso após uma explosão de causa desconhecida. 

Nem precisava de grandes motivos, mas foi um combustível a mais na alta da matéria-prima. Agora pela manhã, a Agência Internacional de Energia anunciou que a demanda global por petróleo deverá superar o nível pré-Covid em 2022. Há ainda uma outra crise geopolítica rolando. Enquanto o russo Vladimir Putin deixa tudo pronto para invadir a Ucrânia, Europa e Estados Unidos ameaçam reagir – e isso passa por energia, já que a Alemanha tem dito que pode desistir de um gasoduto caso Putin avance sobre o território ucraniano.

Eis o terreno limpo para a alta dos combustíveis. Ontem, o Goldman Sachs já havia previsto que o preço do barril pode chegar aos US$ 100 por causa da demanda firme. Para chegar lá, a alta é de 13%. Facinho.

Na vida real, essa disparada de preços significa ainda mais inflação. Mais cedo, o Reino Unido divulgou que o índice de preços ao consumidor subiu para 5,4% em dezembro, o maior patamar desde 1997. Na Alemanha, a alta foi a 5,3%.

Resumo: só juro alto é capaz de conter a disparada de preços quando a matéria-prima de praticamente qualquer coisa que se move pelo mundo está subindo.

Nisso, o pânico de ontem dos investidores, que levou a uma sangria nas bolsas de valores, não era sem sentido. Eles observam os sinais persistentes de altas de preços e agora colocam nas suas previsões duas variáveis: 1) que a primeira alta de juros do Fed (o BC americano) em março será de 0,50 ponto percentual e não 0,25 p.p, e 2) que será preciso promover mais do que três ou quatro altas de juros neste ano, se a meta for realmente controlar a inflação.

E aí começa aquele sururu no mercado. Juro alto reduz a capacidade de as empresas lucrarem, porque ele existe justamente para esfriar a economia. E, além disso, deixa o dinheiro mais caro para quem quer investir e continuar expandindo os lucros. Por fim, investidores refazem as contas e começam a caminhar para a renda fixa, que fica mais polpuda e oferece menos riscos.

Isso foi ontem, e continua valendo como pano de fundo. Hoje, porém, os mercados amanheceram menos azedos, num esforço de respirar. Natural: é isso ou a queda livre. Boa quarta.

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humorômetro: o dia começou com tendência de alta

Futuros S&P 500: 0,18%

Futuros Nasdaq: 0,27%

Futuros Dow: 0,10%

*às 7h48

Europa

Índice europeu (EuroStoxx 50): 0,46%

Bolsa de Londres (FTSE 100): 0,12%

Bolsa de Frankfurt (Dax): 0,15%

Bolsa de Paris (CAC): 0,58%

*às 7h45

Fechamento na Ásia

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Índice chinês CSI 300 (Xangai e Shenzhen): -0,69%

Bolsa de Tóquio (Nikkei): -2,80%

Hong Kong (Hang Seng): 0,06%

Commodities

Brent: 1,06%, a US$ 88,44*

Minério de ferro: 2,80%, a US$ 131,23, no porto de Qingdao na China

*às 7h43

Agenda

10h – A Secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, fala em uma conferência que reúne prefeitos americanos.

11h15 – Andrew Bailey, presidente do BoE (o banco central inglês), fala no Comitê do Tesouro.

13h – No Reino Unido, a diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, participa de uma live do jornal Financial Times sobre vacinação e recuperação global.

market facts

Deu ruim

Em 2021, a Toyota superou a General Motors pela primeira vez em número de veículos vendidos nos Estados Unidos. Só que, em 2022, a empresa já afirmou que não conseguirá cumprir sua meta global de produção de veículos. O plano era entregar 9 milhões de carros neste ano, mas a mesma escassez de chips que prejudicou a GM, finalmente, chegou à montadora japonesa. Segundo o comunicado, apenas em fevereiro, serão produzidos 150 mil veículos a menos do que o previsto. Além disso, a Toyota também manifestou preocupação com o avanço da variante Ômicron do coronavírus, não considerada nas previsões da empresa, mas com potencial de afetá-las.

É boleto que não acaba mais

Em dezembro de 2021, 76,3% dos brasileiros estavam endividados. É o maior patamar da série histórica, iniciada em 2010, segundo a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). Na média anual, foram 70,9% das famílias que apontaram terem dívidas em modalidades de pagamento como o cartão de crédito, cheque especial ou crédito consignado. Um índice maior que o de 2020, quando eram 66,5%. Por outro lado, de 2020 para 2021, houve uma tímida redução na inadimplência, que ficou em 25,2% da população.

Vale a pena ler:

O tal do metaverso

Ontem, a Microsoft anunciou a compra da desenvolvedora de jogos Activision Blizzard pela bolada de US$ 68,7 bilhões. Entre as razões citadas pela companhia para a aquisição está o metaverso. Nenhuma das duas, porém, deu passos significativos até agora para a construção dessa nova tecnologia. O The New York Times responde dúvidas sobre o metaverso e os investimentos das duas empresas nesse mercado. Leia aqui.

Até o movimento dos olhos

Por outro lado, a Meta (ex-Facebook) tem um projeto ambicioso relacionado ao metaverso. A pretensão da empresa é investir US$ 10 bilhões por ano na próxima década para o desenvolvimento da tecnologia. Mas o que, exatamente, a Meta deseja e qual o interesse dela? De acordo com documentos enviados pela companhia ao governo americano, a ideia é desenvolver um ambiente digital ultra-realista e capaz de detectar até mesmo dilatações e contrações das pupilas dos usuários. E, com isso, obter dados e lucrar (ainda mais) com publicidade direcionada e conteúdos patrocinados. Leia no Valor Econômico.

Temporada de balanços
Laís Zanocco e Tiago Araujo/VOCÊ S/A

Nos EUA, antes da abertura do mercado: Bank Of America, Morgan Stanley, UnitedHealth e Procter & Gamble. Depois do fechamento, United Airlines e Alcoa.

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