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O tombo do bitcoin após os tuítes de abandono de Elon Musk

Dia foi de exceção no Brasil. Ibovespa subiu 0,87% enquanto mundo lá fora seguiu em baixa, com medo da inflação americana.

Por Tássia Kastner Atualizado em 17 Maio 2021, 18h43 - Publicado em 17 Maio 2021, 18h29

Que Elon Musk é o rockstar da segunda década do século 21 ninguém duvida. Só que agora investidores descobriram o risco de colocar a vida e o próprio dinheiro nas mãos de uma celebridade. Um par de tuítes do bilionário derrubou o valor do bitcoin para o patamar de três meses atrás.

A criptomoeda cedeu para US$ 43 mil (-10% em 24 horas) e voltou ao patamar de 8 de fevereiro, justamente o dia em que a Tesla anunciou a compra de US$ 1,5 bilhão em bitcoins. Em seus tuítes, Musk sugeriu que a montadora poderia se desfazer do investimento após um relatório do Bank of America apontar a gigantesca pegada de carbono das moedas. Os computadores que exploram novos bitcoins são movidos a carvão na China, como contamos aqui

O processo de “negação” do bitcoin havia começado dias antes, quando o bilionário afirmou que a sua montadora deixaria de aceitar bitcoins na compra de veículos por causa da poluição. Ele até disse que buscaria uma criptomoeda alternativa, com menor potencial poluidor, mas não adiantou. O mercado todo veio abaixo e zerou o “ganho Musk” do bitcoin.

O lance é que o sul-africano ajudou a emprestar credibilidade para o bit e outras coins quando começou a tuitar sobre o assunto. Isso passou a ser mais frequente no começo deste ano, depois que o bitcoin já havia disparado. A valorização em 12 meses é de mais de 400%, puxado pela enorme quantidade de dinheiro que governos injetaram na economia para evitar um colapso em meio à pandemia.

Inflação

Conforme mais dinheiro pingava em criptoativos, mais entusiastas defendiam que o bitcoin seria uma reserva de valor contra a inflação americana, causada justamente pelo excesso de moeda em circulação. Dólares e reais são como qualquer produto: quanto maior a quantidade, menos vale. Por outro lado, existe uma quantia limitada de bitcoins a ser minerada do mundo, e por isso ele não sofreria com a desvalorização causada pelo excesso de oferta. 

Isso significa que bitcoins deveriam, ao menos em teoria, andar sempre na direção contrária das bolsas americanas. Eis a explicação.

Quando o mercado teme uma alta da inflação, espera que o Fed (o banco central dos EUA) eleve os juros para deixar o dinheiro mais caro e controlar os preços. Juros mais altos reduzem o potencial de ganho das empresas e faz com que as ações caiam. Foi o que aconteceu mais uma vez nesta segunda-feira (17) em mais uma evidência de que investidores não estão confortáveis com o nível de recuperação da economia americana. 

A queda foi puxada mais uma vez pelas ações das big techs — não por acaso, as que têm maior alta acumulada em 12 meses. Elas subiram na expectativa de lucros ainda maiores no futuro. Com a percepção de que o juro vá subir, a conta do tamanho do lucro muda. Todo esse dinheiro que sai de ações poderia ir buscar refúgio no bitcoin. Não é o que tem acontecido.

E isso que as ações nem estão mais nas máximas históricas. A Tesla, por exemplo, já foi negociada a US$ 900 e hoje fechou em US$ 576 (-2,19%). Ainda assim, tem quem diga que ela continua cara. 

Entre os que apostam contra a companhia está Michael Burry, que antecipou o crash do mercado imobiliário americano em 2008 e apostou contra ele. A história ficou imortalizada no filme A Grande Aposta. Bem, segundo o Brazil Journal, Burry divulgou à SEC (a CVM dos EUA) que tinha US$ 534 milhões apostados na queda das ações da Tesla.

Ibovespa

Só que a bolsa brasileira decidiu ignorar todo esse pessimismo e começou a semana em alta. O Ibovespa subiu 0,87% e fechou a 122.937,87 pontos. Investidores estavam tão confiantes que, no melhor momento do dia, o índice chegou a superar os 123 mil pontos.

Se os fãs de bitcoins colocam sua vida nas mãos de Musk, por aqui todas as apostas estão na Vale. As ações da mineradora, que tem a maior participação no Ibovespa, subiram 2,62%. Elas foram na carona da alta de mais de 4% do minério de ferro na China.

Quem também pegou carona nas commodities foi a Petrobras, com a alta nos preços do petróleo. A estatal, além disso, voltou às listas de indicações de compra do Itaú BBA e do Bradesco BBI, o que ajuda a alimentar a confiança de investidores na companhia.

Quem não tem cripto, minera commodities de verdade. Boa semana.

MAIORES ALTAS

JHSF 4,60%

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BTG Pactual 3,48%

Braskem 3,40%

Raia Drogasil 3,32%

Lojas Renner 3,25%

MAIORES QUEDAS

B2W  -2,01%

Magazine Luiza  -1,72%

Carrefour -1,70%

TOTVS -1,68%

Rumo 1,67%

Ibovespa: +0,87%, a 122.937,87 pontos

Dólar: -0,09%, a R$ 5,2663. 

Nova York

Dow Jones: -0,16%, a 34.327,79 pontos

S&P 500: -0,25% a 4.163,29 pontos

Nasdaq: -0,38%, a 13.379,05 pontos

Petróleo

WTI: +1,48%, a US$ 66,34

Brent: +1,21. a US$ 69,54

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