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O presente de R$ 5,2 bilhões que o Pão de Açúcar ganhou do Assaí

Dinheiro da venda de 71 lojas do Extra para a "co-irmã" do atacarejo equivale a 65% de todo o valor de mercado do GPA. PCAR3 sobe 15%. ASAI3 cai.  

Por Alexandre Versignassi Atualizado em 15 out 2021, 14h18 - Publicado em 15 out 2021, 14h00

O Grupo Pão de Açúcar vai vender 71 lojas do Extra Hiper para a rede de atacarejo Assaí. Embolsará R$ 5,2 bilhões na operação.

Não se trata, porém, de uma operação convencional. As duas empresas compartilham do mesmo controlador, o gigante francês Casino. Até fevereiro deste ano, vale lembrar, o Grupo Pão de Açúcar (GPA) era dono do Assaí. Se você tinha uma ação PCAR3, do GPA, a receita do Assaí estava embutida ali. E ela respondia por 40% do faturamento total do conglomerado.

Após a cisão, cada uma passou a ter suas próprias ações: PCAR3 para os supermercados Pão de Açúcar e Extra e ASAI3 para a rede de atacarejo. A ideia era “destravar valor” para ambas. 

O mercado de ações, afinal, é feito de expectativas. Quem acreditava no potencial de crescimento do atacarejo, não gostava da ideia de fazer essa aposta comprando ações do Grupo Pão de Açúcar inteiro. Quem botava mais fé no segmento premium, da marca mais tradicional do Grupo, idem: não faria sentido investir num papel que trazia o Assaí no pacote.

Feita a separação, ficou claro que o mercado colocava muito mais fichas no atacarejo – as receitas do Assaí já cresciam 25% ao ano nos últimos 5 anos, afinal. E faz todo o sentido preferir uma rede especializada em descontos num cenário de inflação em alta, já que ela destrói o poder de compra, deixando os supermercados menos baratos mas vazios.

O valor de mercado do Assaí, hoje, é de R$ 22 bilhões, contra R$ 8 bilhões do GPA, composto por aquilo que restou do Grupo Pão de Açúcar. 

O GPA, porém, ainda tinha uma pedra no sapato: as lojas do Extra, uma marca também voltada para as vendas a preços populares. Ou seja: mesmo não sendo um atacarejo, ela concorria com o Assaí, mas sem ter o mesmo apelo junto ao público – que se mostra cada vez mais amigo da ideia de comprar em grandes quantidades para garantir preços mais em conta. 

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Para o Casino, então, faria sentido concentrar todo o seu segmento popular sob a marca Assaí (cujas lojas também fazem o papel das do Extra, já que elas também vendem produtos em unidade, para quem se dispõem a pagar um pouco mais).

E foi nesse cenário que aconteceu o negócio de hoje. 

O Assaí vai pagar R$ 4 bilhões ao GPA. R$ 1,2 bilhão serão pagos por um fundo imobiliário que ficará com a propriedade de 17 lojas, e vai alugá-las ao Assaí.       

No fim das contas, o grande beneficiário é o GPA. Ele embolsa uma soma equivalente a 65% de seu valor de mercado para se livrar de um estorvo. 

Não que o negócio seja necessariamente ruim para o Assaí. É ela quem está crescendo, afinal. E quem cresce precisa de mais pontos de venda. 

Mas o que temos aqui é um salto pouco trivial. A rede Assaí tem 192 lojas. Com as 71 “extras”, ela salta para 263. E o que temos é uma aposta. No caso, uma aposta de que o Assaí terá força para assimilar essa expansão bilionária sem maiores abalos. Mas apostas são apostas – algumas não se pagam.

E foi assim que o mercado entendeu o negócio: como excelente para o GPA (alta de 15,07% para PCAR3 no início da tarde), e nada bom para o Assaí (baixa de 3,75%).

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