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O dia em que quase todo mundo caiu: WhatsApp, Facebook, Nasdaq e Ibov

Lá fora, investidores estão apavorados com a inflação. E eles têm motivo, já que a Opep não colabora e o petróleo continua a subir.

Por Tássia Kastner e Guilherme Jacques 4 out 2021, 18h07

Essa foi a segunda-feira do apocalipse, ao menos pra quem tem ações na bolsa ou é facebookaholic (nesse caso, todo mundo). Caiu o WhatsApp, tombaram as ações do Facebook (-4,89%), o índice Nasdaq mergulhou junto (-2,14%) e ainda deu um caldinho no S&P 500 (-1,30%) e no Ibovespa (-2,22%). E a culpa do estrago continua sendo da inflação – só não pela queda do Zap e outros serviços de Mark Zuckerberg, claro.

Ninguém sabe ainda por que o Facebook caiu. Pela rede vizinha, o Twitter, veio um pedido de desculpas por esse inconveniente e tanto, junto com um aviso de que a equipe estava trabalhando para erguer o próprio FB e seus irmãos, o WhatsApp e o Instagram.

Só que o dia já tinha começado péssimo para as empresas de tecnologia. Investidores acordaram, de novo, com medo de uma alta desenfreada da inflação e com a certeza de que só altas de juros serão capazes de conter o aumento de preços pelo globo. Nisso, outras tech também caíram – só que menos que nosso amigo FB. A Apple recuou 2,46%, Amazon caiu 2,85%, e Google, -1,98%; Por sinal, o Twitter que salvou o dia da abstinência social do mundo, caiu ainda mais que a empresa de Zuck: 5,79%.

O juro é o instrumento final de cálculo do mercado financeiro para definir o valor de uma ação. Quanto maior o juro, menor o potencial de lucro de uma companhia. No caso das techs, que demandam muito capital para financiar o crescimento, o dano do aumento das taxas fica mais evidente.

E, bem, se depender dos países exportadores de petróleo, a inflação só vai cair com juro mesmo. É que um dos fatores de aumento generalizado de preços é a alta do petróleo, que encarece gasolina, diesel e até a conta de luz. Enquanto a economia global freava, a Opep, o cartel de exportação de petróleo, reduziu a oferta do produto para minimizar a perda de receita dos países. O lance é que a atividade global se recuperou, e eles mantiveram a quantidade do óleo restrita.

E, apesar da pressão para que a produção crescesse, a Opep decidiu manter o anunciado antes: vai subir em novembro a oferta em 400 mil barris por dia. É menos que o necessário, especialmente frente ao aumento de demanda para a geração de energia térmica. Uma decisão diferente dessa, só na nova reunião daqui a um mês e com efeito a partir de dezembro.

Nisso, os preços saltaram para a máxima desde outubro de 2018. Só nesta segunda, foram mais 2,50% de valorização no brent. Já no WTI, o petróleo americano, a situação foi pior, e atingiu o maior preço desde 2014.

Salvou o dia 

Nem todo mundo se deu mal, claro. A alta do petróleo salvou o dia da Petrobras. Em um momento raríssimo da bolsa brasileira, as ações da companhia figuraram entre as maiores altas. Enquanto a estatal conseguir escapar de uma intervenção do governo, a tendência é que ela se beneficie dos aumentos da commodity.

É raro que a Petrobras fique entre as maiores altas porque companhias gigantes – e ela é a segunda maior do Ibovespa, atrás da Vale – se movem de maneira menos brusca que negócios menores, com menos investidores e mais sujeitos à volatilidade.

Aconteceu, no fim, porque só cinco ações fecharam no positivo. O Ibovespa caiu 2,22%, a 110.393 pontos.

Além da Petro, subiram JBS, Marfrig e Minerva. Os frigoríficos se deram bem com a alta do dólar, que eleva as receitas de exportação. A moeda avançou 1,44%, a R$ 5,4465, com investidores ainda receosos com a falta de compromisso fiscal do governo a um ano da eleição – algo que, se não fosse do dólar, teria passado batido com o Zap offline. 

Tech down

Entre as maiores quedas ficaram algumas empresas que se posicionam como tech. O Inter tem sofrido grande volatilidade desde o boato de fusão com a Stone. Nesta segunda, a companhia antecipou dados operacionais ao mercado, em um esforço de acalmar investidores, mas não deu certo. Os papéis BIDI11 e BIDI4 caíram 13%.

O Banco Pan tombou 10% após o anúncio de compra da Mosaico, a dona do Zoom e do Buscapé. A Mosaico vinha apanhando na bolsa desde o IPO por falhar em atender as expectativas do mercado de ampliar a oferta de serviços para além dos buscadores. Se o Pan caiu, a Mosaico  – fora do Ibovespa – conseguiu uma alta de 5,55%.

Mas ficou ruim para o Méliuz, que tanto é empresa tech, e padece do mal americano, quanto pode sofrer com a maior concorrência de Mosaico agora dentro do Pan.

A turma da astrologia colocaria a culpa do caos de hoje no mercúrio retrógrado. Se essa for a alternativa ao apocalipse, até que estamos no lucro. Até amanhã.

MAIORES ALTAS

Petrobras (PETR4): +2,82%

Petrobras (PETR3): +2,44% 

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JBS (JBSS3): +1,10%

Marfrig (MRFG3): +0,19%

Minerva (BEEF3): +0,09%

 

MAIORES QUEDAS

Banco Inter – Units (BIDI11): −13,42%

Banco Inter – PN (BIDI4): −12,95%

Banco Pan (BPAN4): −10,63%

Americanas (AMER3): −8,30%

Lojas Americanas (LAME4): −8,30%

Ibovespa: queda de 2,22%, a 110.393 pontos


Nova York

Dow Jones: queda de 0,94%, a 34.003 pontos

S&P 500: queda de -1,30%, a 4.300 pontos

Nasdaq: queda 2,14%, a 14.255 pontos


Dólar:
alta de 1,44%, a R$ 5,4465


Petróleo

WTI: alta de 2,29%, a US$ 77,62

Brent: alta de 2,54%, a US$ 81,29


Minério de ferro

alta de 1,15%, a US$ 117,12 por tonelada no porto de Qingdao.

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