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Fed acalma os mercados, e Ibovespa engata a sétima alta seguida

Hoje foram mais 0,31%. Desde 08/02, índice soma 2,84% de alta.

Por Alexandre Versignassi Atualizado em 16 fev 2022, 18h39 - Publicado em 16 fev 2022, 18h36

Our nation turns its lonely eyes to you”, cantam Simon & Garfunkel num trecho de Mrs. Robinson sobre Joe Di Maggio, o Pelé do baseball – “nosso país volta seus olhos solitários para você”.

Foi o que aconteceu hoje em relação ao Fed, o banco central dos EUA. Não só aquele país, como todo o nosso planeta solitário, voltaram os olhos para a ata da última reunião do Fed, que aconteceu no final de janeiro, mas só foi divulgada hoje (rola sempre esse intervalo de três semanas).

O motivo é o de sempre. Há meses o mercado fica de olho nas linhas e entrelinhas das atas em busca de pistas sobre como se dará a iminente alta na “Selic” americana (atualmente zerada) – quanto maior e mais rápida ela for, melhor combaterá a inflação rampante dos EUA, de 7,5% nos últimos 12 meses, mas pior será para as bolsas (e aí o mercado chora).  

O parágrafo mais importante da ata, enfim, veio assim: “A maior parte dos participantes da reunião entende que, se a inflação não baixar da forma como eles esperam, será apropriado retirar a política de acomodação monetária num ritmo mais rápido do que o antecipado neste momento”.

Tradução: se a inflação não desacelerar por pura falta de fôlego, vão subir os juros com firmeza. O “antecipado” eram altas de 0,25 ponto percentual a partir de março, até fechar 2022 em 0,75%. Disseram, então, que podem ir além disso. 

E o mercado mais gostou do que desgostou, no fim das contas. Não exatamente pelo que estava escrito na ata, mas pelo que não estava. O medo era o de que estivesse registrada ali uma possibilidade de alta de 0,50 p.p. já em março. Como não estava, os investidores não choraram. E o S&P 500, que tinha passado o dia em baixa à espera do pior, virou e acabou fechando ligeiramente no azul: alta de 0,09%.  

O Ibovespa seguiu a onda, dado que 50% da grana que circula na nossa bolsa vem de fora (ou seja: depende diretamente do humor internacional, encabeçado pelos EUA). Alta de 0,31% – a sétima seguida. Desde o dia 8 de fevereiro, quando começou essa sequência, a alta já soma 2,84%.  

Atacarejo em alta

O Carrefour apresentou na noite de terça o seu balanço: lucro de R$ 766 milhões no 4T21 – 12% acima do trimestre anterior. Mas não foi isso que chamou a atenção. O que abriu os olhos dos investidores foram os números do Atacadão, a rede de atacarejo da gigante francesa. 

As vendas ali aumentaram em 6,6% em relação ao mesmo trimestre de 2020. Enquanto isso, as dos supermercados com a bandeira Carrefour caíram 3,4%. No consolidado do ano, a diferença é ainda maior: 13,8 de alta nas vendas do Atacadão versus queda de 3,2% no Carrefour-Carrefour mesmo.

Um belo indício de que o momento, com inflação galopante e queda na renda, é, mais do que nunca, dos supermercados que vendem em grandes quantidades a preços menores – os únicos que boa parte da população têm como frequentar. 

E quem se deu bem nesse ínterim foi outra rede de atacarejo, a Assaí. Ela só divulga seu balanço final de 2021 na semana que vem, mas os dados sobre a boa performance do Atacadão já fez com que investidores se antecipassem e fosse às compras dos papéis da concorrente. Nisso, as ações dela subiram até mais que as do Carrefour, e fecharam como a maior alta do dia (7,14%) 

WEG surpreende – negativamente 

A multinacional de Jaraguá do Sul (SC) foi outra que apresentou seu balanço (hoje pela manhã): lucro de R$ 874 milhões – uma alta de 17% na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, e de 7,6% sobre o trimestre anterior. Os  analistas do BTG e do Citi elogiaram o desempenho, mas o mercado não curtiu. 

Os investidores focaram em outro trecho do balanço, nada positivo. O Ebitda (lucro antes de impostos, juros de dívidas e outras despesas que não têm a ver com a parte operacional da empresa) caiu. Foi de R$ 1,12 bilhão no 4T21 – 1,7% a menos que o Ebitda do 3T21, de R$ 1,14 bilhão.

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A alta no lucro veio, em grande parte por conta de um fator não recorrente: um crédito tributário vindo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins. 

A baixa, de acordo com o próprio balanço da WEG, veio por conta dos “aumentos dos custos das matérias-primas” (fruto da relativa escassez global no final do ano passado) e devido à “da receita de novos projetos de geração eólica”, que têm uma margem de lucro mais estreita que a de outros negócios da companhia. 

A margem bruta, de fato, foi menor. Caiu de 28,8% no 3T21 para 27,6% no período seguinte. Na comparação anual, com o 4T20, a queda foi ainda mais acentuada, já que a margem bruta há um ano estava em 32,6%.

All in all, o mercado ficou mais pessimista com a empresa, ao menos por hoje: queda de -4,81% – a mais acentuada do dia. 

Até amanhã. 

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MAIORES ALTAS

Assaí (ASAI3): 7,14%
CVC (CVCB3): 5,96%
Natura (NTCO3): 5,93%
Carrefour (CRFB3): 5,31%
Cielo (CIEL3): 5,06%

MAIORES BAIXAS

WEG (WEGE3): -4,81%
JBS (JBSS3): -3,88%
Alpargatas (ALPA4): -3,32%
YDUQS (YDUQ3): -2,53%
Marfrig (MRFG3): -2,20%

Ibovespa: 0,31%, aos 115.180 pontos

Em Nova York

S&P 500: 0,09%, aos 4.476 pontos
Nasdaq: -0,11%, aos 14.124 pontos
Dow Jones: -0,15%, aos 34.936 pontos

Dólar: -1,02%, a R$ 5,1279

Petróleo

Brent: 1,64%, a US$ 94,81
WTI: 1,73%, a US$ 93,66

Minério de ferro: 3,05%, negociado a US$ 139,00 por tonelada no porto de Qingdao (China)

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