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Desemprego cai pela primeira vez no ano, e Ibovespa bate recorde intraday

Índice roça nos 120 mil pontos. E o desemprego segue alto, mas aquém das expectativas. Dois copos meio cheios para um ano tenebroso.

Por Alexandre Versignassi Atualizado em 29 dez 2020, 19h30 - Publicado em 29 dez 2020, 19h09

Silver linings. É o brilho do sol por trás daquelas nuvens carregadas de chuva. A iluminação dá um contorno prateado para as cinzentas massas de vapor d’água. Os gringos usam essa expressão para dizer que algo ruim (a nuvem ameaçadora) pode trazer alguma beleza (a moldura prateada). É a versão deles para o nosso “copo meio cheio” – a parte boa de um copo meio vazio –, com uma camada de poesia a mais.

E hoje foi um dia com alguns contornos prateados por trás dessa nuvem sombria conhecida como 2020. 

O primeiro foi o Ibovespa. O índice fechou hoje em 119.409 pontos. Não foi o recorde de fechamento de pregão, que ainda pertence ao dia 23 de janeiro (119.528). Mas foi a maior marca da história se contarmos as máximas atingidas no intraday (ou seja, no meio do sobe e desce de um pregão). A marca antiga por esse quesito era de 119.593 pontos, em 24 de janeiro, o dia seguinte ao recorde de fechamento. Hoje pela manhã esse recorde ficou para trás: o Ibov chegou a marcar 119.860 pontos – bem perto de romper a “barreira psicológica” dos 120 K.     

O grande destaque foi, de novo, a CSN. Ela marcou a maior alta do dia e, com a forte demanda global por aço, deve fechar o ano amanhã como a maior alta de 2020 – até agora, já foram 120%.   

Outro copo meio cheio vem do índice de desemprego mais recente. A parte meio vazia desse copo continua feia, claro. A taxa segue acima dos 14% – patamar recorde, atingido em agosto e que segue firme. Os últimos números do IBGE, que saíram nesta terça (29), mostram o desemprego em 14,3%. 

Mas há um contorno prateado aí. É a primeira vez que o desemprego cai em 2020. A taxa começou em 11,2% no mês de janeiro, já bem alta. Para dar uma ideia: em 2014, o ano anterior à recessão, o índice estava em 4,3% – pleno emprego, basicamente. Em 2016, com a economia já detonada, entrou na casa dos dois dígitos para não sair mais. 

Então veio a pandemia, e a sirene ligou de vez. 12% em março, 13% em junho, 14,6% em setembro. Para outubro, a previsão consensual dos especialistas era a de um novo aumento, para 14,7%. Não foi o caso. 

Claro que os os 14,3% que vieram não são a panaceia. Mas foi uma mudança de direção, e que não estava no radar de quem entende do riscado. Aguardemos os próximos números – mas agora com um pouco mais de esperança.

As vendas do varejo no Natal, aliás, também viram com um silver lining por trás da nuvem. Registrou-se uma queda de 1,8% para o período de 19 a 25 de dezembro. Resultado ruim, mas não trágico. Em 2016, com a recessão comendo solta, a queda foi de 7%. Mais: o Natal caiu exatamente na nossa segunda onda da pandemia, o que diminuiu os encontros familiares, e as trocas de presentes. Diante desse cenário, uma queda de 1,8% em relação a 2019 configura, sim, um belo e prateado contorno. 

Mas claro: silver lining não enche barriga. O trabalho agora é afastar a nuvem, e não irá embora com os fogos do réveillon.       

Maiores altas 

CSN: 4,86%

Usiminas: 4,29%

Notredame: 2,53%

Hapvida: 2,37%

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CCR: 2,30%

Maiores baixas

Multiplan: -2,15%

Sabesp: -2,12%

BR Malls: -1,85%

B2W: -1,74%

Iguatemi: -1,41%

Dólar: queda de 1,06%, a R$ 5,18 

Em NY

S&P 500: -0,22%, a 3727 pontos

Nasdaq: -0,38%, a 12.850 pontos

Dow Jones: -0,22%, a 30.355 pontos 

Petróleo

Brent (referência internacional): 0,45%, a US$ 51,09

WTI (referência nos EUA): 0,80%, a US$ 48 

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