🔥 Mês do Cliente: Assine o Digital por R$ 9,90/mês e tenha conteúdo exclusivo na palma da sua mão!

Confusões do governo americano, e do nosso, derrubam as bolsas

Wall Street fica chateada com a lenga-lenga do Congresso americano. Ibovespa, com o vai e volta do governo brasileiro. E o dia fecha triste para todo mundo.

Por Juliana Américo, Alexandre Versignassi 9 dez 2020, 20h41 | Atualizado em 17 dez 2024, 10h26
13_FM_0912_
 (Tiago Araujo/Você S/A)
Continua após publicidade

Enquanto os britânicos fazem filas nos postos de vacinação e o Canadá também autoriza o uso emergencial da vacina da Pfizer, os EUA jogam um balde de água fria nos investidores. 

Acontece que os representantes dos partidos Democrata e Republicano ainda não chegaram a um acordo sobre o tão esperado pacote de estímulos econômicos. O secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, apresentou um projeto de US$ 916 bilhões – o valor é um pouco mais alto do que os US$ 908 bilhões que já estavam sendo discutidos no Congresso. 

Mas Nancy Pelosi, a presidente do Congresso, não gostou. Reclamou da falta de um auxílio extra de US$ 300 semanais no seguro-desemprego – uma medida que já estava listada no projeto anterior. 

Além disso, a proposta nova deixou de lado o repasse de mais ajuda a Estados e municípios e a medida de proteções jurídicas para as empresas.

Wall Street não gostou dessa lenga-lenga. O S&P 500 teve queda de 0,80%, a 3.672 pontos. No Nasdaq Composite, pior ainda. O indicador das empresas de tecnologia despencou 1,94% (12.338 pontos). 

Continua após a publicidade

Um destaque do dia, ainda que esperado: o JPMorgan rebaixou sua classificação das ações da Zoom (à venda no Brasil, na forma de BDRs) para neutra. A empresa queridinha em tempos de covid-19 só cresceu por causa do isolamento social. Mas o banco espera que, com uma vacina chegando, o desempenho da companhia recue. Os papéis caíram 6,40%, seguidos por Apple (2,17%) e do Facebook (1,72%) – ambos também presentes nos home brokers  brasileiros, via BDRs).

Bom, o impasse  do pacote de estímulos e o pessimismo do mercado respingaram aqui no Brasil. O Ibovespa fechou o dia com queda de 0,70%, a 113.001 pontos.

Mas não dá para colocar a culpa só no mercado internacional.  

Continua após a publicidade

Com as polêmicas em torno das vacinas, o Poder Executivo vem dando uma aula de como NÃO lidar com crises, o que não ajuda em nada na confiança dos investidores.  

No início da semana, João Doria disse que a vacinação no Estado de São Paulo começa a partir do dia 25 de janeiro. Ok. Logo em seguida, o  Ministério da Saúde afirmou que nenhuma vacina seria aprovada antes de 60 dias – ou seja, só lá pra março. Outros governadores chiaram, claro.  

Agora, Eduardo Pazuello parece ter voltado atrás. Em entrevista à CNN na manhã desta quarta (9), o Ministro da Saúde disse que a vacinação emergencial – voltada para idosos e profissionais da saúde – deve acontecer em dezembro, e que a população começa a receber as primeiras doses entre janeiro e fevereiro. Legal. Mas, de fato, dá a entender que o governo não tem um plano de ação, apenas planos de reação. Nada bom.  

Continua após a publicidade

Outra questão que está incomodando os investidores é a desconfiança fiscal – ou seja, a de que o governo vai se endividar além da conta para lidar com a crise, o que pode quebrar o País.  

O ministro Paulo Guedes afirmou durante um evento que o governo está comprometido com o ajuste fiscal e o equilíbrio das contas públicas. Mas, enquanto o ministro diz que está tudo bem com o caixa, o texto da PEC Emergencial diz outra coisa. 

A proposta de emenda é a principal aposta de ajuste nas contas públicas depois de todos os gastos com a pandemia. A ideia era que o governo economizasse em outras áreas para ajudar a cobrir o rombo de quase R$ 1 trilhão das contas públicas.    

Continua após a publicidade

O que veio, porém, foi uma proposta pífia: economia de R$ 450 milhões. Muito abaixo das previsões mais pessimistas – que eram de um corte de R$ 25 bilhões.

Também não está claro se o governo pretende ou não mudar a regra fiscal no ano que vem para acomodar o Renda Brasil, o substituto do Renda Família. O programa é a grande aposta de Bolsonaro para uma possível reeleição em 2022. 

Ruim no macro, idem no micro. O dia foi ruim para todos os setores, mas o varejo sofreu mais, com a notícia de que a Amazon vai lançar um serviço próprio de entrega no país. A ideia da multinacional é criar uma rede de pequenas empresas de entrega independentes para o envio de encomendas da Amazon. No primeiro ano, o serviço não terá taxas. 

Continua após a publicidade

A Lojas Americanas lideraram as quedas do setor (-4,28%), seguido por Magalu (-4,01%), B2W (-2,82%) e Via Varejo (-2,77%).

Na ponta positiva de um dia negativo, o destaque foi a Telefônica. E a Ativa Investimentos recomendou compra da Telefônica/Vivo. A previsão é de que a empresa ganhe mais participação de mercado com a chegada do 5G e a venda de ativos da Oi. Além disso, o Bradesco BBI aumentou o preço-alvo de todas as empresas de telecomunicações de capital aberto. Aí foi como se as ações da empresa tivessem tomado duas vacinas de uma vez, e o resultado está aqui embaixo 😉   

Maiores altas

Telefônica: 3,09%

Eletrobras: 1,45%

Iguatemi: 1,43%

Ambev: 1,20%

PetroRio: 0,80%

Maiores baixas

Usiminas: -4,41%

CCR: -4,37%

Lojas Americanas: -4,28%

IRB Brasil: -4,25%

Magalu: -4,01%

Petróleo

Tipo Brent: +0,04% (US$ 48,86 o barril)

Tipo WTI: -0,18% (US$ 45,52 o barril)

Dólar: +0,87%, cotado a R$ 5,17

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

10 grandes marcas em uma única assinatura digital