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BR Distribuidora lidera altas em dia sombrio para o Ibovespa

Petrobras saiu de vez dos postos BR, que agora podem caminhar sem os riscos políticos que sempre envolvem a estatal. De resto, quase que pura lama. Queda de 0,90% no índice.

Por Bruno Carbinatto 1 jul 2021, 18h55

O que é um pontinho azul no meio de um mar vermelho? É a BR Distribuidora no fim do pregão desta quinta-feira (01). Suas ações valorizaram magistrais 7,20% em um dia bastante sangrento para o Ibovespa (-0,90%). 

É que ontem à noite a Petrobras concluiu a venda de toda a sua fatia de participação que restava na empresa  – 37,5%, depois de vender o controle acionário que tinha em 2019 e privatizá-la. A oferta secundária de ações foi precificada a R$ 26 (o preço de mercado de ontem), rendendo mais de R$ 11,3 bilhões para a estatal, que quer focar suas atividades na exploração e produção de petróleo, e deixar para trás de vez a distribuição de derivados. Com a venda de ontem, a expectativa é que a Petrobras reduza sua dívida bruta para R$ 60 bilhões ainda em 2021 (a meta inicial era 2022). Ainda assim, diga-se, as ações da petroleira caíram: -1,26%. 

O movimento foi mais do que bem visto pelo mercado. Afinal, a maior distribuidora de combustíveis do Brasil deixa de contar com um sócio estatal e vulnerável ao risco político. Ainda mais em uma época nada estável em Brasília, com CPI, escândalos de corrupção, pedidos de impeachment mais o risco de medidas populistas com vistas à eleição de 2022, como controle nos preços que a Petro cobra das distribuidoras em suas refinarias de combustível (o que ajuda a explicar a queda nas ações da estatal).

Agora que a dona dos postos BR voa com as próprias asas, aliás, pior para sua grande concorrente, a Ultrapar, proprietária dos postos Ipiranga, que também caiu (-1,14%).   

PetroRio

Um outro alento para a B3 hoje foi a Petrorio, que valorizou 5,39% na esteira do aumento considerável do petróleo: o tipo Brent (referência no mundo) fechou em alta de 1,63%, a US$ 75,84, enquanto o tipo WTI (referência nos EUA) subiu 2,40%, a US$ 75,23 o barril.

É que hoje começou a reunião da Opep+. A expectativa é que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados determine um aumento na produção da commodity nos próximos meses. Isso porque a demanda global pelo petróleo está crescendo à medida que a maioria dos países retomam suas atividades econômicas a níveis pré-pandêmicos conforme a vacinação acelera. 

O aumento da quantidade de petróleo no mercado internacional, naturalmente, levaria a uma queda no preço. O mercado, porém, espera que a Opep+ decida, na reunião, aumentar a produção lenta e cautelosamente, adotando uma postura conservadora. Ou seja: esperam que o pessoal não aumente tanto assim a produção, e isso levou os preços do barril lá para cima. 

De qualquer forma, só saberemos a verdade amanhã: a reunião de hoje foi suspensa e voltará nesta sexta-feira, após o Emirados Árabes Unidos pedir uma extensão das discussões após discordâncias, informou a rede de notícias Al Jazeera.

A valorização da commodity salvou a Petrorio do azedume do dia no Ibovespa. Em condições normais de temperatura e pressão teria elevado a Petrobras também. Mas, dado o risco político que mencionamos lá em cima, não rolou. 

Bloody thursday

Para além das duas empresas do ramo de combustíveis, este dia sangrento para o Ibovespa não teve muitas histórias felizes. Neste primeiro pregão do segundo semestre, 57 das 77 ações que compõem o índice terminaram em baixa. E o Ibov voltou ao patamar de 125 mil pontos.

Quanto aos motivos, não houve grandes novidades: os investidores continuam receosos com a possibilidade de uma crise hídrica e energética no Brasil, apesar de o governo tentar amenizar as preocupações. A proposta de reforma tributária também continua puxando o Ibovespa para baixo, já que uma das principais medidas do texto é a criação de uma taxa de 20% sobre os dividendos das empresas, um baque que torna qualquer investimento em ações menos atraente. 

E o risco da inflação e de juros altos, uma novela também já antiga, continua a pressionar ações de tecnologia e varejo para baixo.

Uma tempestade perfeita, em suma. Tempestade que fez o nosso amigo dólar voltar a ultrapassar os R$ 5. 

Nem os resultados positivos do Caged divulgados pela manhã ajudaram. Os números mostraram que o país criou 280.666 de vagas em empregos formais em maio – enquanto as previsões eram de 157.500 vagas. É o quinto mês consecutivo de alta. Paulo Guedes comemorou, mas a Faria Lima, como vimos, não entrou na onda.

Enquanto isso, em Wall Street…

O dia foi positivo ao norte: +0,52% para o S&P 500, que renovou sua máxima histórica. Por lá, ao contrário, os investidores se animaram com o dado positivo sobre o mercado de trabalho, que saiu hoje: foram registrados 364 mil novos pedidos de auxílio-desemprego na última semana, sendo que as previsões ficavam em 390 mil. 

É o menor patamar que o número já atingiu em toda a pandemia, o que reforça o caminho de retomada da economia americana com o controle da pandemia e os ambiciosos planos de investimentos do presidente Joe Biden, que foram bem recebidos pelos investidores. O petróleo, claro, também ajudou o setor energético por lá.

Por outro lado, os investidores americanos ainda aguardam o dado mais precioso para o mercado financeiro: o payroll, um relatório completo sobre a situação do emprego (e desemprego) no país. O número de novos pedidos de auxílio desemprego, divulgado semanalmente às quintas-feiras, até ajuda a guiar os investidores, mas é o payroll que tem o maior potencial de virar o jogo sobre a percepção da retomada econômica no país. 

Dependendo de como for recebido pelos americanos, pode também influenciar na longa novela sobre juros e inflação que assombra o mercado financeiro yankee há um tempo – já que o Fed deixou claro que pretende reverter sua política econômica só quando os empregos começarem a voltar aos níveis pré-pandêmicos. 

Ou seja: se o payroll vier incrível, mostrando que a criação de empregos vai bem e a economia está tinindo, é até possível que as ações caiam, pois isso sinalizaria que o Fed vai aumentar os juros, uma atitude que sempre machuca as bolsas.  

Por outro lado, um otimismo maior por lá pode ser bem recebido pelo mercado e pronto, as ações sobem independentemente da perspectiva de juros mais pesados. 

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Ah, claro: também pode acontecer rigorosamente nada, e ficar tudo no zero a zero. Assim é fácil fazer previsão, né? Pois é: mas, infelizmente, só esse tipo de previsão dá certo no mercado financeiro. O resto é chute.

Até amanhã 🙂   

Maiores altas

BR Distribuidora: 7,20%

PetroRio: 5,39%

Rumo Logística: 3,13%

WEG: 1,66%

Marfrig: 1,62%

Maiores baixas

Locaweb: -3,51%

Lojas Renner: -3,17%

Totvs: -3,16%

Multiplan: -3,11%

B3: -2,97%

Ibovespa: queda de 0,90%, aos 125.666 pontos

Em NY:

S&P 500: alta de 0,52%, aos 4.319 pontos

Nasdaq: alta de 0,13%, aos 14.522 pontos

Dow Jones: alta de 0,38%, aos 34.633 pontos

Dólar: alta de 1,45%, a R$ 5,0453

Petróleo

Brent: alta de 1,63%, a US$ 75,84;

WTI: alta de 2,40%, a US$ 75,23

Minério de ferro: alta de 2,45%, a US$ 219,32 a tonelada no porto de Qingdao (China)

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