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Alta de quase 3% no petróleo preocupa mercado em meio à crise energética

O petróleo WTI, que é negociado nos EUA, disparou e ultrapassou os US$ 80 – patamar que não era visto desde outubro de 2014.

Por Juliana Américo, Guilherme Jacques Atualizado em 11 out 2021, 11h38 - Publicado em 11 out 2021, 08h12

Bom dia! 

Pelo menos para aqueles que esticaram o feriado. Não é o caso do Ibovespa, que só vai folgar amanhã. Nem de Wall Street. Hoje é feriado lá nos EUA – Columbus Day –, mas as bolsas americanas vão operar normalmente. Só essa mudança na rotina já é o suficiente para roubar a liquidez dos negócios nesse comecinho de semana. 

Mas o que está atrapalhando o descanso do mercado nem é o feriado. É p preço do petróleo, que não para de subir. Nesta manhã, as altas chegaram bem perto dos 3%. E o WTI, que é referência para os americanos, já ultrapassou a casa dos US$ 80, o barril. O Brent, referência internacional, já bateu o patamar de US$ 84. 

É a primeira vez, desde outubro de 2014, que o WTI passa dos US$ 80 – em um ano, os preços já avançaram 120%. Enquanto o petróleo sobe, as ações caem. Os futuros americanos amanheceram todos no negativo, junto com boa parte dos indicadores europeus. 

A elevação no custo dos combustíveis pode ser mais uma lenha na fogueira da crise energética que está rolando na Europa. No caso, o problema é a alta no preço do gás natural – usado não só no aquecimento das casas durante o inverno, mas também nas termelétricas. Se a indústria enfrentar uma escassez de gás, algumas usinas podem partir para um plano B: usar petróleo como alternativa para gerar eletricidade – o que impulsionaria mais ainda o preço do barril. 

A escassez no fornecimento de energia já está desacelerando a atividade fabril e contribuindo para o recente aumento da inflação. E uma disparada nos preços dos combustíveis ao consumidor (e empresas) gera ainda mais volatilidade no mercado. 

As bolsas também vão enfrentar mais uma temporada nova de balanços – mais um ponto de pressão em um mercado que já lida com crises energéticas, inflação e desaceleração da economia. Algumas empresas americanas começam a divulgar nesta semana os seus resultados do terceiro trimestre. Entre as principais, então os bancos JP Morgan Chase, Citigroup e Wells Fargo. 

Nos últimos dois trimestres, as companhias viram os seus lucros subirem. Mesmo com todo o caos que a pandemia gerou. Mas, agora, parece que a roda da fortuna virou. A expectativa é que os acionistas se deparem com números mais modestos. 

A semana começou de ponta cabeça. Ainda bem que tem uma folga para segurar os ânimos. A gente se vê na quarta 😉

 

humorômetro: o dia começou sem tendência definida

Futuros S&P 500: -0,33%

Futuros Nasdaq: -0,49%

Futuros Dow: -0,21%

*às 7h50 

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Europa

Índice europeu (EuroStoxx 50): -0,36%

Bolsa de Londres (FTSE 100): +0,20%

Bolsa de Frankfurt (Dax): -0,27%

Bolsa de Paris (CAC): -0,20%

*às 7h50 

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Fechamento na Ásia

Índice chinês CSI 300 (Xangai e Shenzhen): 0,13%

Bolsa de Tóquio (Nikkei): +1,60%

Hong Kong (Hang Seng): +1,96%

Commodities

Brent: +2,31%, a US$ 84,29

WTI: +2,86, a US$ 81,62

Minério de ferro: +9,44%, a US$ 135,03

*às 7h50

Agenda

8h25 Boletim Focus atualiza expectativas do mercado para juros, inflação, dólar e PIB.

market facts

Nem o café salva

Para quem faz uso do café como combustível do dia a dia, uma má notícia: nem ele está ileso dos aumentos. A crise é geral. Ao longo do ano, o preço já subiu 28% nas prateleiras dos supermercados. O problema, assim como com a gasolina, está na matéria-prima. Com bons estoques, as indústrias estavam freando os aumentos, mas esse alívio dado aos consumidores não deve durar para sempre, óbvio. A projeção da Associação Brasileira da Indústria de Café não é nem um pouco animadora. Até o final de 2021, deve chegar na faixa de 50%. Enquanto isso, os fabricantes se viram como podem: rearranjam a composição de café arábica e conilon nos ‘blends’, que, antes, era de 70% e 30%, respectivamente. Isso porque, mesmo com ambos subindo, o preço da saca do arábica supera em até R$ 300 a do conilon.

Vendido

O Bradesco comprou a fatia de 49,99% do Digio que pertencia ao Banco do Brasil. O Digio foi uma das primeiras empresas a lançar um cartão de crédito sem anuidade para competir com o Nubank, mas tem hoje 2 milhões de clientes, ante os cerca de 40 milhões do Nubank. Em entrevista à Folha, Marcelo Noronha, executivo do Bradesco, afirmou que o BB não tinha a mesma disposição de investir no Digio. O Bradesco também é dono do Next, outra operação digital que tenta atender aos anseios da geração que se recusa a pisar em uma agência bancária. Bradesco e Banco do Brasil são sócios em outros negócios, como Cielo e Elo.

Vale a pena ler:

Falta tudo

Esse é o problema que o mundo vem enfrentando após os US$ 10,4 trilhões concedidos em estímulos globais para conter a crise causada pela pandemia de covid-19. A “recuperação furiosa”, como diz o The Economist (em inglês), tem tensionado as cadeias produtivas ao redor planeta. Em paralelo, outros dois fatores têm contribuído para o agravamento do problema. O primeiro deles é a transformação das matrizes energéticas, em um movimento que busca a sustentabilidade, mas requer cautela e planejamento para evitar a falta de insumos. O segundo é o protecionismo, que visa impor padrões trabalhistas, ambientais e, até mesmo, punições aos adversários geopolíticos. Tudo isso deve passar. Mas, quanto mais a crise atual se fortalece, maior é o receio de uma herança: a de repúdio da descarbonização e da globalização. Essa, sim, com efeitos devastadores a longo prazo.

Vamos ver

Para a FGV, o V da tal “recuperação em V” é de “vamos ver se em 2025”. Isso porque, segundo a entidade, em uma projeção otimista, somente daqui a quatro anos o país poderia voltar à tendência de crescimento verificada entre 2017 e 2019 e que foi atropelada pelo coronavírus. Mesmo que se fale em PIB nos mesmos patamares de 2019, o quantitativo ainda representa 2% a menos do que a tendência à época e a diferença deve crescer até o final do ano que vem. Só aí que, talvez, façamos o retorno no fundo do V. A Folha detalha e explica por que seria preciso dobrar a taxa de crescimento a partir de então.

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