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Ações da Petrobras ignoram Bolsonaro e sobem mais de 3%

Presidente disse saber “extraoficialmente” de novo reajuste na gasolina e voltou a criticar política de preços da estatal. Ibovespa sobe quase 2% no pré-feriado e recupera 105 mil pontos.

Por Bruno Carbinatto Atualizado em 1 nov 2021, 18h19 - Publicado em 1 nov 2021, 18h10

O presidente está na Itália, mas o assunto não muda: depois de dizer que a Petrobras é “um problema” em uma conversa informal com Recep Erdogan, presidente da Turquia, Bolsonaro voltou a atacar a política de preços da estatal nesta segunda-feira. Disse saber, “extraoficialmente”, que a empresa vai anunciar um novo reajuste no preço da gasolina daqui a 20 dias.

Aproveitou para, novamente, ameaçar interferir na estatal, dizendo que o reajuste “não pode acontecer”. Também afirmou que o governo federal (maior acionista da Petro) não tem interesse nos dividendos gerados pela empresa e que considera usar esse dinheiro para diminuir o preço da gasolina. 

O mercado reagiu da mesma maneira que vem reagindo às declarações recentes sobre privatização da estatal (que foi de novo citada pelo presidente hoje): ignorando. Ninguém realmente acredita que há um plano concreto de privatização, e o mercado também não leva muito a sério as ameaças de interferência na política de preços da empresa.

Tanto que os papéis da Petro subiram 3,72% (PETR3) e 2,75% (PETR4) nesta segunda-feira pré-feriado, ajudando o Ibovespa a sustentar uma considerável alta, já que a estatal tem o segundo maior peso no índice, somente atrás da Vale. Depois da repercussão da informação “extraoficial” de Bolsonaro, a Petrobras até liberou uma nota para o mercado que não há decisão tomada sobre um novo aumento de preços.

Ibovespa e S&P 500

Depois de uma queda de mais de 6% em outubro, o Ibovespa ensaiou uma recuperação no primeiro dia do mês: alta de 1,98%, retomando o patamar de 105 mil pontos. Mas o volume de negociação foi abaixo da média – 27 bilhões, enquanto um dia normal geralmente ultrapassa os 33 bi. Natural em um pré-feriado, já que muitos investidores emendaram a folga. Das 92 ações do índice, 70 fecharam no azul.

O otimismo também se sustentou no fato de que a greve dos caminhoneiros marcada para esta segunda-feira flopou, como dizem os jovens. Não houve bloqueios de estradas, e mesmo os pontos de protestos foram esvaziados. Uma das pautas do movimento era justamente a exigência da mudança da política de preços da Petrobras, a de preços de paridade de importação (PPI), que leva em conta o preço do petróleo no mercado internacional e o valor do dólar. A alternativa, segundo os grupos que organizaram a greve, seria adotar uma política de preço de paridade de exportação (PPE), baseada somente em custos nacionais. Não faz sentido, é claro, já que a Petrobras produz petróleo em abundância, mas não refina combustíveis o bastante para abastecer o país. 

Além da Petrobras, quem brilhou também foi o banco Inter, cujos papéis tiveram impressionantes altas de 19,18% (BIDI11) e 18,40% (BIDI4), liderando o ranking do Ibovespa. O banco digital decolou na notícia de que o Nubank, seu principal concorrente, apresentou seu prospecto preliminar para estrear na Nyse, a bolsa de Nova York. Mas os investidores brasileiros não ficarão de fora dessa: a empresa do cartão roxinho também vai ser negociada na B3 por meio dos BDRs. Vale lembrar que o próprio Inter quer migrar sua negociação para terras americanas – mas, ao contrário do Nubank, escolheu a Nasdaq.

Por falar nos EUA, a semana começou positiva por lá, com os índices renovando recordes de fechamento após um outubro de respeito – foi o melhor mês do ano para o S&P 500, maior e principal índice acionário americano, com valorização de quase 7%. Os investidores agora aguardam uma agenda semanal recheada de dados econômicos importantes. 

Na quarta-feira, o Fed deve finalmente anunciar o início do tapering, a retirada dos estímulos à economia americana. O movimento já é esperado pelo mercado há um bom tempo, mas agora investidores querem saber qual será o ritmo do desmame – analistas apostam em uma redução de US$ 15 bilhões por mês de dinheiro injetado na economia. Já na sexta-feira tem payroll, o relatório sobre a situação de emprego e desemprego no país.

Por aqui, amanhã é feriado; as negociações voltam na quarta-feira, que também será agitada, com a ata do Copom e a votação da PEC dos Precatórios, que quer aumentar o limite do teto de gastos para abrir espaço para pagar o Auxílio Brasil – mas ninguém sabe se realmente vai passar no Congresso.

Até lá, bom descanso.

Maiores altas

Banco Inter – Units (BIDI11): 19,18%

Banco Inter – PN (BIDI4): 18,40%

Cogna (COGN3): 12,90%

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Méliuz (CASH3): 10,57%

Azul (AZUL4): 8,97%

Maiores baixas

JBS (JBSS3): -4,84%

Marfrig (MRFG3): -4,00%

Klabin (KLBN11): −3,53%

CCR (CCRO3): -2,80%

Assaí (ASAI3): -2,03%

Ibovespa: 1,98%, aos 105.550 pontos

Em Nova York

S&P 500: 0,18%, aos 4.613 pontos

Nasdaq: 0,63%, aos 15.595 pontos

Dow Jones: 0,26%, aos 35.913 pontos

Dólar: alta de 0,42%, a R$ 5,6700

Petróleo

Brent: alta de 1,18%, a US$ 84,71

WTI: alta de 0,57%, a US$ 84,05

Minério de ferro: -3,59%, a US$ 103,43 a tonelada no porto de Qingdao (China) 

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