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2021 é o ano dos IPOs, mas 45% deles floparam após a estreia

Assaí lidera os ganhos entre as empresas que abriram o capital neste ano, com quase 500% de valorização. Mas uma onda de resultados negativos preocupa o mercado.

Por Tássia Kastner Atualizado em 16 set 2021, 14h45 - Publicado em 17 set 2021, 05h18

Comprar ações de uma empresa no IPO tem sido praticamente um cara ou coroa em 2021. Das 45 empresas que abriram capital neste ano na B3, 25 continuam com as ações em alta, para a alegria daqueles que apostaram no negócio desde o começo. Outras 20 estão no negativo.

E é um mundo de extremos. A liderança ficou com o Assaí, a rede de atacarejo que até o final de fevereiro era um braço do Grupo Pão de Açúcar. Separado da companhia-mãe, valorizou impressionantes 474% em seis meses. É como se, com o negócio caminhando com as próprias pernas, investidores ganhassem mais condições de examinar os dados financeiros da empresa e colocá-la no preço que consideram justo. Ao menos foi o que disseram analistas de mercado para justificar a disparada – boa parte dessa alta (385%) ocorreu já no primeiro dia de negociação.

No segundo lugar está a companhia de logística Vamos, que mais que dobrou de valor desde a estreia, no final de janeiro, em meio a uma maior demanda pelos serviços agora que todo mundo realmente compra de tudo pela internet.

Na ponta negativa do ranking, o destaque é a companhia de transporte marítimo OceanPact, que perdeu 55% do seu valor de mercado desde a estreia – por ter entregado resultados abaixo das expectativas de analistas. E ela não está sozinha nessa lista, claro.

É o caso principalmente das empresas tech da bolsa brasileira, como Mobly (-49%), Westwing (-46%), Mosaico (-36%) e Getninjas (-15%). Havia uma forte expectativa de que essas companhias replicariam o fenômeno da Nasdaq, de uma forte valorização das ações bem antes de os negócios se tornarem realmente sólidos. Mas os investidores não tiveram paciência. Muitas vezes, por bons motivos. É o caso da Westwing. Os controladores da empresa buscam um comprador. Se nem o dono quer manter o negócio, fica difícil achar motivos para segurar a ação.

Uma outra explicação para o risco dos IPOs veio da gestora Squadra, aquela que ficou famosa por revelar as fraudes do IRB. A empresa disse, em uma carta a seus cotistas, que boa parte das ofertas de ações ocorre a toque de caixa e que há uma assimetria de informações no mercado. Em bom português, isso quer dizer que as novatas da bolsa não divulgam informações o bastante para que um investidor consiga avaliar o negócio em profundidade.

Outro gestor célebre, Luis Stuhlberger, do mítico fundo Verde, andou torcendo o nariz para as ofertas de ações. Ele afirmou que os IPOs têm saído a preços muito elevados, o que limita o potencial de alta das novatas – e ajuda a explicar por que tantas têm caído forte depois.

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