WEG encarna Alanis Morissette: acorda feliz e tomba 6%  

A empresa que mais subiu em 2020 apresentou um belo balanço. Mas analistas acham que o preço da ação já tinha batido no teto.

Foi como ganhar na loteria e morrer no dia seguinte. Foi chuva no dia do casamento. Os versos que Alanis Morissette canta em “Ironic” explicam bem o acontecimento mais relevante do mercado hoje: o tombo histórico da WEG após mais um balanço maravilhoso.      

A fabricante de motores e equipamentos elétricos é a companhia do Ibovespa que mais se valorizou ao longo de 2020: 136%. E o balanço da multinacional com sede em Jaraguá do Sul (SC) veio à altura desse desempenho: lucro de R$ 644 milhões – 54% mais que o mesmo período de 2019. O resultado positivo fez com que as ações abrissem o dia em alta.

Mas não durou muito tempo. Rapidamente, o cenário se inverteu e a empresa encerrou com a maior queda do dia, de 6,16%.

Foi a mais perfeita tradução da máxima “compre no boato, venda no fato”. Tipo: investidores passam a comprar ações adoidado quando chega uma notícia sobre vacina. Os preços vão subindo. E, no dia que a bendita vacina chega para valer, a bolsa cai. Cai porque quem apostou lá atrás tende a vender para embolsar o lucro. Com a WEG foi a mesma coisa. 

Quando a empresa apresentou um belo balanço relativo ao segundo trimestre, os investidores foram às compras vorazmente. E os papéis subiram praticamente sem parar nos últimos 90 dias. O problema: lá atrás, a WEG já era uma empresa “cara”. 

É que o valor nominal de uma ação, o preço dela na bolsa, não é o “preço real” dela. Esse preço real vem de uma conta: o valor de mercado (que é a soma do valor de cada uma das ações que a empresa tem no mercado) dividido pelo lucro nos últimos 12 meses – entenda melhor aqui. O resultado dessa conta é o P/L (preço sobre lucro) da empresa. E o P/L da WEG é de quase 90

Para ter ideia do que isso significa: o da alemã Siemens, sua concorrente no mercado internacional de equipamentos industriais, é de 25. O da Apple (sempre vale dar o exemplo da empresa mais valiosa do mundo) é de 35. 

Ou seja: a WEG é uma empresa extremamente sólida. Mas, justamente por isso, muita gente comprou ações dela. E o P/L, o preço para valer do papel, chegou a um valor ionosférico – incompatível com os lucros que a empresa pode dar nos próximos anos.

Isso fez com que o Credit Suisse recomendasse a venda das ações – e, pelo jeito, um monte de gente seguiu a dica.

Por outro lado, boa parte dos analistas já achava que a ação estava cara quando ela estava a uns R$ 30. Agora, mesmo os pessimistas do Morgan Stanley entendem que esses mesmos R$ 30 seriam um preço baixo demais. Ou seja: a WEG vem surpreendendo há um bom tempo. E pode muito bem voltar a fazer isso.      

Ibov 100k

O Ibovespa fechou estável (0,01%) a 100.552 pontos. Quem segurou a bolsa foram as ações do setor bancário. Basicamente, os investidores preveem bons balanços, com diminuição dos inadimplentes. O Bradesco  fechou em alta de 1,02% , seguido por  Itaú (0,91%), Santander (0,88%) e Banco do Brasil (0,75%). 

A Vale também foi importante para que o índice não ficasse no vermelho. A alta de 0,74% do minério de ferro no porto de Qingdao valorizou os papéis da empresa em 1,63%. 

Mas, o dia foi de festa mesmo para a Qualicorp. Os papéis da operadora de planos de saúde se destacaram entre as altas do Ibovespa após a Rede D’or ter pedido autorização ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para aumentar sua participação na empresa – atualmente, ela detém 10% de participação na Qualicorp. 

A rede de hospitais informou que a quantidade de ações a serem adquiridas dependerá das condições de mercado no momento da possível compra. Enquanto isso não acontece, os investidores aproveitam a forte valorização que a empresa hoje, de 5,75%. 

O petróleo também teve um dia ruim. O motivo principal para esse movimento negativo é o estoque de petróleo nos EUA. Segundo o Departamento de Energia americano (DoE), as reservas caíram 1 milhão de barris na semana passada, menos que a previsão de redução de 1,2 milhão. 

Além disso, a segunda onda do coronavírus na Europa também está deixando os compradores hesitantes e reduzindo a demanda. Com isso, o tipo Brent fechou em queda de 3,31%, enquanto o tipo WTI recuou 4%.

Como esperado, a Petrobras fechou em baixa. Mas não só por causa dos preços do ouro negro. Os analistas do Santander estimam que a produção de petróleo da companhia brasileira vai cair 7% no 4º trimestre, na comparação com o período de julho a setembro – algo que já era esperado, pois a petroleira havia comunicado paradas para manutenção programada nas refinarias. As ações encerraram o dia em queda de 0,25%. 

A novela dos estímulos

Há menos de 15 dias das eleições presidenciais nos EUA, a novela do acordo para a definição do tamanho do pacote de estímulos para a economia ainda se arrasta.  

A demora tem deixado Wall Street hesitante há tempos. E hoje não foi diferente. Depois de altas e baixas, os indicadores fecharam todos em queda: Nasdaq perdeu 0,28% (11.484 pontos) e o S&P 500 recuou 0,22% (3.435 pontos).

A democrata e presidente do Congresso, Nancy Pelosi, e o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, se reuniram no final da tarde e devem voltar a conversar amanhã. 

A Casa Branca já concordou com o montante de US$ 1,9 trilhão, que se aproxima do plano já aprovado pelos democratas na Câmara, de US$ 2,2 trilhões. Ou seja: o acordo está praticamente fechado. Ainda assim, republicanos e democratas sugerem que a votação fique para depois da eleição presidencial, que acontece no dia 3 de novembro – ainda que, mesmo se Biden vencer, ele assuma apenas em janeiro. Não deixa de ser irônico.  

Maiores altas

Qualicorp: 5,75%

Braskem: 4,73%

Eztec: 3,81%

Multiplan: 3,73%

Iguatemi: 3,33%

Maiores baixas

WEG: -6,16%

IRB Brasil: -3,80%

Lojas Americanas: -2,99%

CVC: -2,90%

Lojas Renner: -2,48%

Dólar: +0,02%, cotado a R$ 5,61

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