Empreendedora transformou completamente seus negócios em cinco anos

A empreendedora Carolina Dassie se reinventou e transformou a Hisnëk de um clube de assinaturas de snacks saudáveis em uma plataforma de saúde mental

Matéria originalmente publicada na Revista VOCÊ S/A, edição 263, em 08 de abril de 2020. 

Em 2012, após dez anos de carreira no mercado financeiro, a economista Carolina Dassie, de 36 anos, começou a questionar o propósito de seu trabalho. “Percebi que o que eu fazia não tinha mais sentido e decidi empreender, mas não sabia exatamente em quê”, afirma. Quando recebeu uma proposta para ser sócia de uma startup de marmitas saudáveis, não pensou duas vezes e deu o pontapé inicial de sua trajetória como empreendedora. Infelizmente o negócio não deu certo e, depois de quatro meses, Carolina vendeu sua parte na empresa. “Foi antes do boom das marmitas, e a demanda por nosso serviço foi muito menor do que esperávamos.”

Porém, a experiência ruim não fez Carolina desistir. A profissional decidiu que continuaria no ramo de alimentação, mas dessa vez apostaria em um clube de assinaturas de snacks saudáveis. Em 2014, juntou 70.000 reais em economias, transformou um armário da sala em estoque e deu início à operação da Hisnëk. Com apenas um ano de existência, a startup já tinha conquistado 100 clientes. Em 2019, entretanto, após cinco anos de atividade e faturando 35.000 reais por mês, a Hisnëk pivotou. Há um ano a empresa lançou a IVI, plataforma de inteligência artificial que detecta e orienta os funcionários sobre questões relacionadas ao bem-estar emocional. Com isso, o foco da empresa deixou de ser as assinaturas e se tornou o serviço de assistência virtual. O ajuste de rota deu certo: o time da empresa cresceu de quatro para 13 pessoas, e o faturamento mais do que dobrou, para 80.000 reais por mês. Em março a startup também conquistou um aporte de 1 milhão de reais em investimento anjo para escalar o negócio.


Raio X da fundadora

 (Davi Augusto/VOCÊ S/A)

 

1 | Qual “dor” você resolve?

Nós auxiliamos a identificar os funcionários que apresentam maior risco de desenvolver doenças mentais. Percebemos que muitas empresas tinham psicólogos disponíveis, mas não conseguiam detectar quem estava passando por problemas, porque existe ainda muito tabu sobre o assunto. Com a Ivi, e sem a influência da companhia, os trabalhadores se sentem mais à vontade para relatar as dificuldades.

2 | Como teve a ideia dos dois negócios?

Eu estava de licença-maternidade e não queria voltar para meu antigo emprego. Durante uma das muitas madrugadas amamentando, tive um estalo e lembrei que não existiam serviços de snacks saudáveis, muito comuns no exterior, aqui no brasil. E, como tinha experiência no mundo corporativo, sabia que melhorar a alimentação era uma demanda frequente dentro das organizações. assim nasceu a Hisnëk. Mais adiante, tive a ideia de pivotar a startup após lançar o serviço de assinaturas corporativas e perceber que muitas organizações queriam tratar a saúde mental e não sabiam como.

3 | Como começou a executá-las?

Ia pessoalmente ao supermercado, comprava os produtos, montava os kits e enviava cada um pelo correio. Na época, contava apenas com uma nutricionista, que fazia consultoria sobre os itens, e um desenvolvedor freelancer para criar o site. Já para começar a Ivi, fizemos uma pesquisa com as empresas que eram nossas clientes.

4 | Qual foi o melhor erro que você já cometeu?

Durante o negócio de marmitas investimos quase tudo que tínhamos, montamos uma megaestrutura com cozinha industrial e vários equipamentos, mas não validamos nosso serviço. No final, por essa razão, amarguei um prejuízo de 400.000 reais. Por isso, meu conselho é investir o mínimo possível e testar sua hipótese. Assim fica mais fácil ajustar lá na frente.

5 | Que empreendedor a inspira e por quê?

Com certeza a Camila Achutti, fundadora do Mastertech. ela tem bastante verdade, potência e maturidade, além de um propósito muito forte que é inspirador.

6 | O pior e o melhor conselho sobre empreendedorismo que já recebeu?

O Daniel Ibri, do fundo de investimentos Mindset Ventures, me disse uma vez que o empreendedorismo é o jogo de quem aguenta mais e tem mais resiliên­cia. No começo eu não entendi, mas depois de seis anos e muitos dias difíceis, é a lição que eu mais uso na vida. Os piores conselhos foram no começo, quando achava que deveria escutar todo mundo, inclusive pitacos vazios.

 

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