Ela foi enganada, teve ideia de negócio e pode levar prêmio inédito da ONU

A empreendedora brasileira Agda Oliver uma das dez finalistas do Prêmio Empretec para Mulheres Empresárias, realizado pela ONU

Uma boa ideia de negócio é aquela que resolve um problema no mercado. No caso da empresária Agda Oliver, foi um golpe comum entre mecânicos antiéticos que plantou a semente de abrir uma oficina.

Em 2008, enganada pelo profissional que fez a revisão do seu carro, pagou por serviços desnecessários e até impossíveis. “Paguei por coisas que meu carro nem tinha. Me chamou a atenção quando vi na nota escrito filtro de ar-condicionado. Meu carro nem tinha ar-condicionado”, diz.

O erro grosseiro do mecânico revelou uma prática desonesta que muitas vezes fica nas sutilezas das notas fiscais apresentadas a motoristas não familiarizados com termos e serviços de mecânica automotiva.

A praxe machista é a de eleger mulheres como vítimas prediletas. “A impressão que tive foi a de que, se eu não fizesse aquela revisão, meu carro explodiria comigo no meio da rua”, diz.

Daquele dia em diante, a empreendedora, que trabalhava como bancária e estudava análise de sistemas, passou pesquisar sobre o assunto e viu brotar a ideia de oficina mais amigável e confiável para quem não entende do assunto.

A queixa, afinal, era comum. “As pessoas reclamavam das mesmas coisas, mulheres não se sentiam à vontade em deixar carros na oficina, muitas vezes os profissionais não eram orientados a conversar, explicar”, diz.

De lá para cá, Agda percorreu todos os passos que levam a um negócio bem sucedido: preparação, planejamento, desenvolvimento contínuo e uma gestão cuidadosa e providente. Na sua trajetória de sucesso, tornou-se a primeira empreendedora do DF a vencer o Prêmio Nacional Sebrae Mulher de Negócio e pode trazer um prêmio inédito internacional ao Brasil. “Meu maior desafio no meu negócio é vencer o preconceito e mostrar que as mulheres podem fazer o serviço igual ou mais bem feito”, diz.

Ela está conseguindo. É uma das dez finalistas do Prêmio Empretec para Mulheres Empresárias. A premiação, feita pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), destaca empreendedoras que aplicaram os conhecimentos adquiridos para transformar suas comunidades depois de participarem do Empretec, metodologia desenvolvida pela Organização das Nações Unidas (ONU) e executada no Brasil pelo Sebrae.

A cerimônia de premiação será em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, a depender da confirmação dos organizadores. Além do Brasil, outros nove países estarão representados na disputa. Em nenhuma das seis edições anteriores do prêmio, o Brasil chegou tão longe na premiação.

“Ficar entre as dez finalistas já é uma vitória, mas estou muito confiante de que o prêmio é nosso. Meu negócio é diferenciado, minha equipe é diferenciada”, diz.

O que é o Empretec

É um seminário com uma metodologia chancelada pela Organização das Nações Unidas (ONU) realizada em mais de 40 países para promover o empreendedorismo e identificar novas oportunidades de negócios. No Brasil, quem aplica é o Sebrae. Em todo Brasil, já foram realizadas mais de 12 mil turmas com 286 mil participantes, representando 60% do público em todo no mundo.

A edição deste ano será online entre os dias 18 e 20 de agosto, e está com inscrições abertas pelo endereço: https://lets.events/e/empretec-summit-2020/ “Participar foi um divisor de águas. Eu não sabia delegar, eu fazia muitas coisas que só eu sabia fazer. Aprendi a importância de ensinar e delegar para ter mais tempo para cuidar da gestão do negócio. Depois disso a gestão da empresa começou, de fato, a andar”, diz.

Dicas para quem quer começar um negócio premiado

Agda estudou, fez curso de mecânica e se preparou por dois anos antes mesmo fundar a Oficina Meu Mecânico. Buscou apoio do Sebrae desde o início e hoje tem graduação em gestão empresarial.

 “Eu sempre falo que não pode abrir um negócio no ‘achômetro’. Tem que fazer mapeamento, planejamento, estratégia, saber aonde quer chegar e o caminho que será percorrido”, diz.

A base para o sucesso é o planejamento e controle financeiro. “Não é tanto o quanto você ganha que leva ao sucesso, mas o que você faz com o dinheiro que você ganha. Isso vale para empresa grande ou pequena”, diz ela.

O controle cuidadoso das finanças tem sido responsável pela sobrevivência do negócio em tempos de pandemia do coronavírus. “O fato de trabalhar com capital de giro para cinco meses,  foi muito importante para eu continuar o meu negócio”, diz ela que tem a meta de trabalhar com capital de giro para um ano.

O gosto por ensinar segue forte e dando novas boas ideias de negócio à empreendedora. “No ano que vem meu plano é montar uma escola de mecânica”, diz.

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