Conheça o Fitbank, fintech que chamou a atenção do J.P. Morgan

Startup permite a empresas operar como se fossem instituições financeiras. Investimento do bancão americano foi o primeiro em uma fintech latina

O primeiro contato do administrador Otávio Farah, de 44 anos, com o setor de pagamentos foi em 2008, quando era líder na empresa de gestão de fretes Repom, comprada pela Edenred em 2012. Foi lá que conheceu seu futuro sócio, o desenvolvedor Rener Menezes, de 37 anos.

Em 2015, Otávio resolveu fundar a própria empresa de meios de pagamento – e convidou o colega para a empreitada. “Fiquei seis meses em uma salinha, em Pinheiros (zona oeste de São Paulo), criando as primeiras linhas de código da plataforma”, diz Rener.

Desse jeito nascia o FitBank, uma fintech de gestão de pagamentos. Ao contrário de pares como Nubank, Original e Inter, ela atua em um nicho nada sexy: o de banking as service (Baas). Em resumo, ele permite que qualquer empresa se torne um minibanco. Um condomínio, por exemplo, pode criar boletos sem o intermédio de uma instituição financeira. E uma rede varejista consegue fazer empréstimos a seus clientes sem grandes burocracias.

De lá para cá, o Fitbank conseguiu mais de 115 clientes, entre clínicas, condomínios, instituições financeiras e outras fintechs (se você quiser montar um banco digital, pode comprar um aplicativo Baas pronto, por exemplo). Hoje, a startup possui 150 funcionários e só em julho de 2020 movimentou R$ 1 bilhão – no ano passado inteiro foram R$ 2,75 bilhões.

Desde o início, o Fitbank tem atraído investidores de peso. Entre eles, ex-sócios da XP e ex-executivos do Goldman Sachs. A aposta é no talento da empresa na criação de bons APIs – códigos de programação capazes de conectar sistemas diferentes, algo essencial para bancos digitais. A empresa despertou a atenção até do J.P. Morgan, segundo maior banco do mundo (atrás apenas do Bank of China). A instituição americana adquiriu, em julho, uma participação minoritária do Fitbank (por um valor não revelado). Foi o primeiro investimento do bancão em uma fintech latino-americana.

Qual “dor” vocês resolvem?

Rener: O Fitbank nasceu para ser o grande facilitador de pagamentos do mercado. Queremos atender desde grandes empresas até pequenos negócios com uma plataforma de API que não só se conecta com todos os sistemas, mas faz isso de forma inteligente. Porque, além de executar todos os processos de pagamentos automaticamente, ainda oferece informações contábeis para os nossos clientes. Os dados são rastreados e consolidados sem a necessidade de um processo de verificação manual, como antigamente.

Como tiveram a ideia do negócio?

Otávio: Quando eu trabalhava na Repom, atendia clientes gigantes, como Votorantim e Suzano. Todos tinham demandas de pagamentos mal solucionadas, muita coisa era feita enviando papel para lá e para cá. Além de custoso, isso trazia erros, retrabalho e fraudes. Eu sabia que, em breve, tecnologias como computação em nuvem, APIs e smartphones iam mudar a regra do jogo. Porém não conseguiria pensar em soluções mais robustas dentro da Repom, os sistemas por lá eram obsoletos para esse tipo de inovação.

Qual o pior e o melhor conselho sobre empreendedorismo que já receberam?

Otávio: O melhor foi do Pedro Englert, ex-sócio da XP, em 2016. Eles tinham acabado de investir no Fitbank e estávamos numa discussão sobre para onde ir com o negócio. Ele virou e disse: “vai no que você acredita, não queira seguir x ou y, senão você vai ser igual ao que já tem no mercado. A gente investiu para vocês fazerem diferente”. O pior foram pessoas que, sem conhecimento do nosso negócio, depositavam expectativas sobre o que a gente deveria fazer ou não.

 (Arte/Você S/A)

Que empreendedor os inspira e por quê?

Rener: Eu nasci no Ceará e vim para São Paulo em 2007, então vou citar alguém de lá: Oto Sá de Cavalcanti, da Arco Educação. Eles começaram com um colégio e hoje são um dos maiores grupos educacionais do país.

Otávio: Para mim é o Jeff Bezos. Assim como eu, ele não é uma pessoa da área de tecnologia, mas soube usá-la da melhor forma possível. No final, a Amazon é uma das maiores empresas de tecnologia, sem produzir nenhum código.

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