Existem três tipos de burnout. Conheça o burnout social
Ele acontece quando você acumula demandas interpessoais que excedem os recursos sociais disponíveis. Conheça sintomas da síndrome – e como combatê-la.

ense nos seus índices de energia como uma bateria de celular. Amanhece em 100% – e, conforme as horas vão passando, mais e mais coisas fazem com que ela diminua. Ao chegar em casa, você está com 5% de bateria. 95% foi gasto no trabalho, e o restinho que sobrou não é suficiente para que você queira interagir, falar ou sair com ninguém. Eis uma situação emblemática que ilustra o chamado burnout social.
Ele foi identificado pela mestre em psicologia organizacional Emilly Ballesteros, em seu livro A Cura do Burnout: Como encontrar equilíbrio e recuperar a sua vida após o esgotamento. Segundo a especialista, as pessoas que sofrem desse diagnóstico acabam escolhendo o desgaste pessoal e o ressentimento em vez de estabelecer expectativas ou priorizar as próprias necessidades.
“O burnout social ocorre porque os relacionamentos são uma troca – uma troca que oferecemos recursos limitados (tempo, energia, atenção) que são difíceis de preservar”, escreve no livro.
O burnout social é, em alguns aspectos, contraintuitivo. Isso porque, via de regra, a socialização serve para recarregar nossas energias, não o contrário. Afinal, somos criaturas sociais – ainda que sejamos mais ou menos introspectivas.

Nesse contexto, o burnout social é muito comum em pessoas que gostam de agradar a todo mundo e se sentem culpadas ao dizer não, mesmo quando não têm mais nada a oferecer, explica Ballesteros. Alguns indicadores da síndrome são:
“Sua qualidade de vida não podia depender das necessidades e sentimentos dos outros.”
- Ser conhecido como o amigo, parente ou colega “confiável”, “altruísta”;
- Sempre ter coisas para fazer que não faria se alguém não pedisse;
- Fazer coisas por culpa antes mesmo de tentar dizer não;
- Justificar decisões pensando “Eu gostaria que alguém fizesse isso por mim, então devo aceitar”, por mais que tenha um histórico de não pedir nada em troca;
- Quando as pessoas o convidam para algum programa, a primeira reação que você tem é um “argh” interno;
- Sonhar em não ter obrigações sociais e desaparecer por um tempo.
“O burnout social muitas vezes resulta da ideia de que precisamos ter 100% de aproveitamento em todos os relacionamentos o tempo inteiro. É bem provável que já tenha construído um relacionamento sólido com esses indivíduos, então eles vão entender se você precisar se afastar em épocas mais agitadas”, complementa.
Também é comum em indivíduos que se sentem responsáveis por sentimentos e experiências dos outros, e em pessoas que morrem de medo de ter a antipatia dos colegas. “Enquanto o burnout por volume pesa na agenda, o burnout social pesa no espírito”, esclarece a especialista (conheça o primeiro tipo aqui).
Para a cura, o processo é longo. Emilly esclarece que, desde a infância, somos ensinados que pessoas complacentes são mais queridas. Isso faz com que priorizar a necessidade dos outros em detrimento das nossas se torne regra, não exceção – o que desgasta cada vez mais as nossas experiências adultas.
“Sua qualidade de vida não podia depender das necessidades e sentimentos dos outros.” Para contornar essa situação:
- Comece a se perguntar: “Se isso pudesse acontecer da maneira que eu queria, como seria?” O objetivo é pôr você de volta no comando, por mais que você leve um susto ao perceber que precisa mudar a maneira como se porta nos relacionamentos.
- Avalie sua agenda. Destaque todas as coisas que mais o desgastam e tente entender por que essas interações sugam a sua energia. Em seguida, comece os ajustes necessários para chegar mais perto de uma experiência suportável.
- Pare de se punir por tirar proveito das coisas. Conseguir me divertir é um reflexo da minha capacidade de tirar proveito das circunstâncias, não uma confirmação de que eu precisava estar ali, para início de conversa.
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