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Veja como é trabalhar na Alpargatas

Detentora da Havaianas, a Alpargatas tem dois planos em andamento: a expansão global das suas marcas e a consolidação do seu projeto de gestão de pessoas.

Por Monique Lima Atualizado em 15 abr 2021, 16h41 - Publicado em 5 abr 2021, 08h00

Ninguém fala “vou comprar um chinelo”. É “vou comprar umas Havaianas”. Há seis décadas o brasileiro adotou a sandália de borracha como o mais prático dos calçados. Vai à praia, à padaria e rola até para passar a tarde numa beira de calçada de um barzinho no verão (saudades). No último ano, elas se tornaram parte do uniforme de isolamento social. Se tiver frio, acompanha um par de meias – afinal, o que importa é o conforto.

E isso foi a salvação da Alpargatas em 2020. A empresa dona da Havaianas vendeu um recorde de 79 milhões de pares de chinelos no quarto trimestre de 2020, alta de 3% ante o mesmo período de 2019. Mas não deu para fazer milagre. No ano, foram 234 milhões de pares, uma queda de 5% nas unidades vendidas. Perto do tombo de mais de 25% do mercado de roupas e calçados, a companhia se saiu bem.

Como todo mundo, ela precisou migrar para o e-commerce para amenizar o impacto do distanciamento social. Mas, enquanto fazia isso, a Alpargatas também decidiu reforçar sua presença no exterior.

A Havaianas já é uma marca internacional, tem escritório nos Estados Unidos desde os anos 2000 e hoje está presente na Espanha, Itália, Inglaterra, EUA, Hong Kong e mais cinco países. 28% da receita dela vem do exterior – foram R$ 879,9 milhões dos R$ 3,4 bilhões faturados em 2020.
E a companhia quer mais. Para acelerar o crescimento no exterior, a Alpargatas anunciou uma presidência internacional para a marca em outubro do ano passado. Além da Havaianas, a empresa tem a Osklen e a Dupé (outra marca de chinelos, mais popular na região Nordeste), com participação menor no faturamento.

O portfólio já foi bem diferente. A Alpargatas existe desde 1907, quando produzia o calçado homônimo, uma espécie de sapatilha de lona com sola de corda bastante popular na Argentina. Ao longo desses mais de cem anos, produziu o Brim Coringa, os tênis Bamba e o Kichute. Foi dona ou licenciou as marcas Topper, Rainha e até as galochas Sete Léguas, tudo parte do passado.

O vaivém aconteceu também na gestão da companhia: em mais de um século, a Alpargatas mudou de mãos algumas vezes. As trocas mais recentes foram em 2015, quando o grupo Camargo Corrêa (envolvido na Lava Jato) vendeu a sua participação na companhia para a J&F, holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista (da JBS). Aí eles enfrentaram problemas financeiros após denúncias de corrupção envolvendo políticos. Resultado: em 2017, os 54,24% da Alpargatas que estavam na mão da J&F passaram para a Itaúsa, o Cambuhy Investimentos e a Brasil Warrant (BW), os três ligados à família Moreira Salles (do Itaú).

A companhia também decidiu mexer na área de gestão de pessoas, com o objetivo de engajar as equipes. Uma das mudanças foi na remuneração da alta gerência. O bônus anual desses profissionais pode ser convertido em ações da companhia na bolsa. Se eles toparem, a Alpargatas dobra o valor com mais ações. Além disso, gestores ganharam um orçamento que pode ser destinado a pagar bônus aos funcionários que tiveram bons resultados durante o ano.

A produção de calçados continua sendo intensiva em mão de obra fabril. São quatro fábricas no país, duas na Paraíba, uma em Pernambuco e outra em Minas Gerais. Para fomentar outros valores da empresa, como a solidariedade, foi criado o projeto Fábrica de Sonhos. É uma parceria com o Instituto Alpargatas (instituição filantrópica mantida pela organização), pela qual funcionários e a empresa se unem para reformar ou construir casas dos trabalhadores. É tudo voluntário, feito com dinheiro arrecadado entre os profissionais e materiais de doação angariados pelo instituto. Dez funcionários já foram ajudados por mais de 200 colegas.

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Arte/VOCÊ S/A
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