Quer assumir um cargo de CEO? O segredo pode estar nas suas amizades

Diretora geral da Audible no Brasil, Adriana Alcântara está lançando o livro (e audiolivro) “Conexões” em março deste ano. Baseado em seus mais de 30 anos de carreira, a obra busca trazer insights sobre como atingir o sucesso profissional. Spoiler: fazer amigos têm tudo a ver com isso. Confira. 

Por Sofia Kercher
Atualizado em 21 fev 2025, 20h03 - Publicado em 21 fev 2025, 14h08
Ilustração de duas amigas tomando café em um parque.
 (Amr Bo Shanab/Getty Images)
Continua após publicidade
L

embro-me nitidamente de uma das frases que mais me impactou ao ler o livro “Tudo que sei sobre o amor”, de Dolly Alderton. Em uma das passagens finais da obra, ela reflete sobre o tema, e escreve:

“Quase tudo que sei sobre o amor, aprendi com minhas amizades femininas de longa data.”

Adriana Alcântara, diretora geral da Audible no Brasil, quer adicionar mais uma camada à reflexão: quase tudo que ela sabe sobre o trabalho também. No ano em que a executiva completou 50 anos, ela decidiu refletir sobre as últimas 3 décadas de sua carreira, e conclui: fazer amizades genuínas no trabalho foi chave para seu sucesso profissional.

O resultado é a obra Conexões: A importância de criar vínculos na jornada profissional. Lançado em formato de audiolivro esse mês (e no impresso dia 8 de março) Alcântara busca contar sua trajetória profissional do começo ao fim: sem esconder os erros e aprendizados. Especialmente, sobre as pessoas que permitiram com que ela se levantasse, de novo e de novo, ao longo do caminho. Em especial, de suas amizades femininas – como bem pontuou Dolly Alderton. 

Temos a impressão de que o trabalho está relacionado a um ambiente austero. Mas quero provar o contrário: praticamente todas as minhas amizades da vida adulta vêm do mundo corporativo”, afirma Adriana. Em conversa com a Você S/A, ela defende que, se você passou pela sua carreira até agora sem fazer nenhum amigo, está fazendo algo de errado. Abaixo, a entrevista completa. 

Qual foi o catalisador para você escrever esse livro? Por que você decidiu que ele deveria estar no mundo?

Escrevi o livro no ano em que completei 50 anos. Decidi olhar para trás, ao longo destes 30 anos de carreira, comecei a perceber que minha vida pessoal e profissional se misturam o tempo inteiro. 

Continua após a publicidade

Essa mistura me ajudou a vencer incontáveis desafios. No universo corporativo, ter pessoas para te darem a mão, te puxarem para projetos e iniciativas, te aconselharem… percebi que grande parte das mudanças de emprego na minha carreira aconteceram por causa das conexões que eu fui formando. Sinto que há uma forma de separar essas duas partes da sua vida, profissional e pessoal.

Eu acredito no contrário. Somos uma única pessoa, tudo faz parte. Por isso mesmo escrevi o livro. Em partes para desmistificar aquela coisa bonita da carreira de executiva sênior cuja trajetória deu tão certo. Aos 50 anos, estou no momento que consigo olhar para trás e não ter vergonha de dizer que errei muito antes de acertar – e que tenho orgulho dessas relações que construí no caminho, e que me deram a mão nesses momentos e acreditaram em mim (até quando eu não acreditava). 

De bate-pronto, o título “Conexões” me remete o termo networking. Qual a diferença entre um e outro? 

Na minha concepção, no networking,  a gente se aproxima das pessoas só porque elas poderão nos agregar algo. Quando você tenta se conectar com pessoas muito diferentes, e já vai com essa visão de “vamos nos falar só porque você agrega valor dessa forma pra mim”, ele não vai longe. Acabam sendo contatos pontuais, rasos, imediatistas.

Escrevi o livro para desmistificar aquela coisa bonita da carreira de executiva sênior cuja trajetória deu tão certo.

Nas conexões, por outro lado, as coisas são mais profundas. Você escolhe se aprofundar apenas de quem você tem sinergia, de quem fala a mesma língua que você. Por isso mesmo, não acho que eu consiga me conectar com todo mundo. Mas elas são muito mais duradouras: no próprio livro, dou exemplos de conexões de mais de 20 anos. 

Continua após a publicidade

Você fala muito sobre suas amizades femininas ao longo da obra. Usualmente, mulheres são condicionadas a assumir arqétipos masculinos quando atingem posições de liderança (serem mais combativas, intolerantes, extremamente racionais e por aí vai). Mas vejo que você quis mostrar como o arquétipo feminino, (a gentileza, escuta ativa, paciência…) que te ajudou a formar tais conexões, também te fizeram subir na sua carreira. Queria entender a sua relação com essa intersecção. 

Hoje, o caminho mais fácil para as mulheres é se fantasiar, tentando chegar o mais próximo possível desse universo masculino. Dessa forma, você acaba sendo mais facilmente reconhecida como uma pessoa que tem o fit para uma posição de liderança.

Eu não vejo desta forma. Quanto mais me aproximei a um perfil que diria até ser mais maternal, sem microgerenciamento, sempre na mentalidade “o acerto é seu e o erro é nosso”, mais eu senti um empoderamento da minha equipe e de melhores resultados. 

Claro, assumir essa postura não vem sem suas doses de dificuldades. Já trabalhei em empresas com equipes majoritariamente masculinas e eu tive que aprender a me comunicar, a ser sucinta, a lidar com pessoas que não respeitavam minha autoridade. Aprendi na força, na necessidade. 

Mesmo assim, não mudei quem eu era para me encaixar nesse arquétipo de liderança masculina. A liderança feminina tem mais escuta, tem um rendimento melhor até mesmo sem palavras, só com análises e assessoramento de sensações e emoções. 

Acho que justamente por isso, em toda minha trajetória, me identifiquei mais com mulheres. Foram elas que me deram a mão, me deram apoio, que acreditaram em mim, que compraram minhas brigas – muito mais do que meus colegas homens. 

Continua após a publicidade

Você indicaria o livro para que público?

Eu acho que ele é positivo para todo mundo, mas cumpre papéis diferentes. 

Para quem está em uma jornada mais inicial do que a minha, ele serve para dar um acalanto de que nem tudo é perfeito e nem tudo dá certo. Não é porque eu errei ou fui demitida que eu não posso ter uma posição de alta liderança amanhã. Porque isso aconteceu no decorrer da minha história e eu estou nesse lugar hoje, né?

Também para quem é sênior, fica o convite: vamos falar um pouco mais sobre as besteiras, os erros, os aprendizados. E também para trazer a reflexão: se você tem 50 anos e não fez nenhum amigo no trabalho, talvez você tenha perdido várias oportunidades e precise reavaliar isso.

Para quem é mais jovem, quero deixar a mensagem de que tudo é possível. Só porque você está na parte de baixo da roda gigante, não significa que estará lá para frente. 

A obra também tem exercícios ao final de cada capítulo, para que cada um, independentemente do momento de carreira em que esteja, possa se identificar e refletir sobre os temas ali presentes. 

Continua após a publicidade

Qual lição você espera que as pessoas tirem da obra?

Quero que as pessoas se dediquem a conhecer as pessoas que elas trabalham junto. A vida está cada vez mais corrida, eu entendo. Mas existem coisas que a gente precisa dedicar o nosso tempo, sabe?

Gostaria que, acima de tudo, as pessoas refletissem sobre quantas oportunidades estão perdendo de se conectar. Quero provocar esse movimento: que as pessoas se conectem mais, que se abram mais aos colegas de trabalho. Afinal, tem coisas que simplesmente não dá pra otimizar!

-
(Arte / Imagem: divulgação/Você S/A)
Compartilhe essa matéria via:
Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

10 grandes marcas em uma única assinatura digital

ECONOMIZE ATÉ 65% OFF

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de 6,00/mês*

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$118,80, equivalente a 9,90/mês.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.