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Luciana Camargo Vice-Presidente Global de Sucessão e Desenvolvimento de Executivos da IBM

A importância de se reinventar

Até 2022, ao menos 54% dos profissionais deverão ser "requalificados". Mas se reinventar é mais do que aprender novas habilidades.

Por Luciana Camargo Atualizado em 14 jul 2021, 15h58 - Publicado em 14 jul 2021, 16h00

Fala-se muito hoje em dia sobre transformação digital, futuro do trabalho e seus impactos na sociedade e nas empresas. Outro dia cheguei a escutar que a tão falada “Indústria 4.0” não passa de um modismo. Se restrito aos jargões, até pode ser.

O futuro do trabalho é, sim, um tema importante, que exige a difícil reflexão sobre nossa capacidade de nos reinventarmos. Uma sútil mudança em nossa maneira de pensar que está no centro dessa fase de transição. Como alguns outros que convivem com esse tema, me sinto segura ao afirmar que a tecnologia transformará todas as indústrias, trabalhos, profissões. Uma única coisa é certa: o mindset do futuro exigirá uma nova forma de aprender e solucionar problemas.

O estudo The Future Jobs Report 2018, do World Economic Forum, mostra que, até 2022, ao menos 54% dos profissionais deverão ser “requalificados”. Um mundo em constante mudanças exige pessoas com novas capacidades. As competências que continuam a crescer – e serão a base do futuro do trabalho – são: pensamento analítico, criatividade, comunicação, proatividade, resolução de problemas complexos, liderança, flexibilidade e inteligência emocional.

“Mas isso já é importante e já usamos essas competências em nossos trabalhos!” É verdade. Mas insisto que o nuance é fundamental: nunca antes os problemas e formas de solucioná-los exigiu tanta originalidade e reaprendizagem. Com o auxílio de novas tecnologias – com novos patamares de automação e algoritmos – novas atividades e novas abordagens serão permitidas. Como parece ser a tendência histórica, novas eras econômicas criam novas demandas e novas oportunidades.

A ideia não é temer o novo, mas ressaltar a importância da reflexão. Como mudar a partir daqui? Reconhecer – e entender – o desafio é o primeiro passo.

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Entender o próximo passo talvez seja menos imediato: pela primeira vez, a mudança não exige só aprender coisas novas, exige um novo olhar sobre como aprendemos.

Mas como mudar hábitos, como re-aprender? Esta conversa toca um ponto mais profundo: de auto-conhecimento. Como aprendemos? O que são momentos de aprendizagem?

Muitas vezes em palestras recebo o mesmo questionamento: como vou mudar depois dos 50 anos? Não tenho uma resposta mágica, mas, na minha opinião, não é uma questão de idade. É uma questão de abertura para a vida, uma mudança de postura para tornar cada experiência um momento de aprendizado. Já tive a alegria de conviver com pessoas de 75 anos com mais paixão pelo real significado de novas tecnologias que jovens de 30 anos. Tenho um tio cardiologista super entusiasmado com todas as possibilidades de novas tecnologias e inteligência artificial na medicina e já ate usou o Watson em suas pesquisas.

Saber o que gosta, reconhecer no que somos bons, construir um novo propósito. A vontade de começar um novo hobby, uma nova frente de estudos por acreditar que isso enriquecerá não só nosso currículo escrito, mas nosso potencial como pessoas contribuindo para essa nova era. Tenho a certeza que, sim, qualquer novo conhecimento pode ser aprendido. O ponto chave é reconstruir nosso modelo mental. Com reforço de comportamentos que queremos aderir, criamos novos hábitos, novas conexões neurais.

Sei que não é fácil – e quanto mais estudo e conheço pessoas envolvidas nisto, mais convencida fico que o tema é quase inesgotável – mas sou uma eterna otimista. Acredito que tanto para o mundo do trabalho quanto para a sociedade moderna o fundamental é viver em constante evolução. Nada nos mantém mais vivos que aprender sempre.

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