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Dani Almeida Especialista em comunicação e fundadora da agência Rugido Digital.

Como virar blogueirinha salvou meu negócio

"Toda vez que eu postava uma foto usando roupa da minha loja, as vendas explodiam. Começamos a vender 20 e até 30 peças por post. E, não, eu não vestia 36."

Por Dani Almeida Atualizado em 14 jun 2021, 13h51 - Publicado em 25 Maio 2021, 16h00

Eu nunca tinha imaginado sair da CLT pra virar CNPJ. Até que veio a Bia. Me formei em jornalismo com o sonho de cobrir guerras, de mudar o mundo, mas já na faculdade entrei para a comunicação corporativa. Foram anos aprendendo a empacotar conteúdo para colocar multinacionais e seus executivos em destaque na mídia. Uma verdadeira escola.

Mas o sonho de estar em uma redação me perseguia. Saí no auge do que poderia ter alcançado aos 26, com belo cargo, belo salário, atendendo uma gigante da tecnologia. Aceitei um convite e pulei para o outro lado do balcão, como a gente brinca em Comunicação. 

Lá fui eu, aprender a empacotar conteúdo de grandes empresas – agora para leitoras de revistas femininas. Criava e coordenava o projeto, até a revista sair da gráfica. Ainda não era exatamente o meu sonho. O destino finalmente me levaria para as sonhadas redações, onde cobri de campanhas presidenciais a economia e negócios.

Até que veio a Bia. 

Com ela, a decisão de voltar para a estabilidade da comunicação corporativa. Nesse ponto, você já deve ter percebido que o universo adora brincar com os meus planos, certo? 

Na época estava casada e meu marido falou sobre a possibilidade de empreendermos. “Precisa ser algo que você tenha paciência de tocar, porque eu não tenho”. Como tinha editado dezenas de revistas de moda feminina e entendia um pouco do assunto, pensei que uma loja de roupas talvez fosse uma boa ideia.

Se você atua no varejo em qualquer área, por favor não ria da minha ingenuidade. Eu só tinha sido CLT, lembra? Mesmo a gente fazendo um plano de negócios ao longo de meses… foi um desfile de erros: o ponto comercial não tinha um grande fluxo de pessoas, o contrato de locação falava em duas vagas de estacionamento e no final era uma só… enfim, nem vou detalhar o calvário.

Quando vi o cenário de boletos batendo na porta, imagina o que eu fiz? Por puro instinto me joguei na comunicação, o que eu sabia fazer de melhor. Comecei a gerar conteúdo que nem doida. 

Achava que, se a gente investisse em manequins incríveis, era só colocar as roupas e fotografar. Imaginava que seria melhor com mulheres reais, mas a gente não tinha verba pra contratar modelos e eu sempre tive uma certa trava pra fazer fotos: onde coloca a mão? Olha pra onde? Faz que cara? Socorro!

Acontece que os posts com as roupas nos manequins não rendiam quase nada. Resolvi começar a produzir fotos no chão. Montamos um mini cenário, peguei uns itens bonitos em casa, acessórios meus e… finalmente, as vendas começaram. Eram os chamados flatlays, fotos feitas de cima pra baixo (fui aprender depois, risos). Tinha encontrado uma fórmula. Mas as fotos rendiam uma, duas vendas de cada peça. 

Fui criando uma lista de emails com cada cliente que entrava na loja. Descobri uma ferramenta gratuita e mandava fotos das roupas, numa espécie de “newsletter” semanal. As mesmas fotos eram enviadas ao WhatsApp de cada cliente. 

Aí um dia pensei: será que não existe um jeito de criar uma “newsletter” no WhatsApp? Assim, descobri as listas de transmissão (detalhe, isso era 2013 e quase ninguém usava ou conhecia essa função ainda).Não parecia suficiente. Eu não sabia muito bem, mas sentia que tinha algum jeito de ter mais resultados e de trazer gente nova pra loja, já que o email e o WhatsApp só me ajudavam a vender para quem já conhecia a gente – 12 anos em comunicação não tinham me preparado para aquilo. O conteúdo certo para faturar nas redes sociais ainda era uma incógnita pra mim.

Então criei uma página no Facebook, comecei a postar conteúdo da loja em grupos por lá. Não bastasse isso, criei um blog. Na sequência, descobri o Instagram e criei um perfil para o meu negócio. Era como se eu tivesse tentando matar uma mosca com uma bala de canhão. Mas estava começando a funcionar.

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Até que resolvi tomar coragem e fazer as famosas fotos blogueirinha no espelho:

Modelo - foto no espelho
Dani Almeida/Reprodução

Não era a melhor luz, ou o melhor cenário. Eu nem sempre conseguia estar impecável, maquiada etc. Às vezes fazia as fotos meio descabelada, entre uma reunião de equipe pra checar as metas de vendas, um email pro fornecedor e o cafezinho com aquela cliente que fazia questão de ser atendida por mim. 

Mas toda vez que eu postava uma foto usando a roupa, as vendas explodiam. Em vez de duas ou três peças, começamos a vender 20 e até 30 peças por post. E, não, eu não vestia 36 e estava longe de ter corpo de modelo ou o rosto da Gisele. Mas lembro de um dia implorar pra um fornecedor fazer outra produção de uma peça porque estava com 10 mulheres em lista de espera pra comprar uma saia.

O conteúdo gerado nos grupos no Facebook e no Instagram, somado ao WhatsApp, foi uma combinação explosiva. A ponto de precisarmos contratar uma pessoa só pra me ajudar a responder as redes sociais. Ela passava o dia enviando fotos de produtos e vendendo pelo WhatsApp.

Todo esse movimento fez a gente montar um e-commerce. “Imagina se a gente consegue automatizar essas vendas?”, foi o nosso raciocínio. E aí foi um desfile de tombos e aprendizados. 

Seguimos “especialistas” do mercado e torramos dinheiro em anúncios no Google. Até eu entender que era loucura competir com e-commerces do mesmo nicho que gastavam dezenas de milhares de reais nessa plataforma. Também percebi que quem compra uma roupa nem sempre busca na Internet, como quem compra um celular.

Me joguei de novo nas redes. Passamos meses tentando vender usando fotos com os manequins e as roupas no chão. Eu não tava disposta a ser a modelo das fotos nos posts e anúncios pra vender. Meses sem vendas no site… Até que achei uma solução. Comprar de fornecedores que usavam influenciadoras nas fotos das redes sociais deles e reaproveitar essas fotos nos nossos anúncios. Boom de vendas novamente.

O sucesso chamou atenção de outros empreendedores. Passei a ser chamada pra prestar consultoria em pequenas empresas do bairro que queriam alcançar os mesmos resultados no digital. 

Lembro que, lá em 2013, quando fui pedir demissão pra empreender no varejo um chefe me perguntou: mas por que no varejo e não em algo que tenha a ver com a nossa área?! Eu não soube responder. E, no fim das contas, o universo que adora brincar com meus planos me fez percorrer toda essa jornada só pra voltar às minhas origens, a Comunicação que é a minha paixão 

Meu ponto aqui pra você e o seu negócio é: comunicação humanizada vai muito além da teoria. Falei desse tema de forma técnica em outra coluna. Mas eu mesma senti na pele o poder do conteúdo certo e humanizado pra vender no digital. E, sinceramente, com essa pandemia, acredito que esse seja um caminho sem volta.Te encontro nas redes!

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