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Por que Warren Buffett recomenda ETFs

O maior investidor da história defende de maneira firme a diversificação severa (e barata) que só os ETFs proporcionam. Entenda o motivo.

Por Alexandre Versignassi Atualizado em 2 ago 2021, 13h11 - Publicado em 10 Maio 2021, 19h34

Warren Buffett comprou sua primeira ação durante a Segunda Guerra Mundial. Seu sócio, Charlie Munger, foi contemporâneo de Franz Kafka, Vladimir Lenin e Arthur Conan Doyle – todos estavam vivos quando ele veio ao mundo, e a Rainha Elizabeth ainda não tinha nascido.

Buffett tem 90. Munger, 97. Há mais de meio século, a dupla obtém um retorno de 20% ao ano no mercado financeiro – o que dá um acumulado de mais de 2.000.000%, por conta da magia multiplicadora dos juros compostos. E os dois seguem bem ativos. No dia 1º de maio deste ano, eles apresentaram o encontro anual de acionistas da companhia de investimentos que tocam juntos desde 1965, a Berkshire Hathaway.

Foi um evento virtual, claro. Mas antes da pandemia os dois velhinhos juntavam tanta gente quanto aqueles meninos da música, os Rolling Stones. Cada encontro reunia pelo menos 40 mil pessoas, com ingressos disputados a tapa e transmissão ao vivo de todos os grandes veículos que cobrem o mercado financeiro.

Resumindo: eles entendem do riscado. Provavelmente mais do que qualquer outro ser humano vivo. Então vale escutar o que têm a dizer. E o que eles mais dizem, de longe, é algo na linha “Faça o que a gente diz, não o que a gente faz”.

43% do portfólio da Berkshire está concentrado em UMA ÚNICA empresa, a Apple – o que faz da Berkshire um dos três fundos que controlam a empresa mais valiosa do mundo, junto com o Black Rock e o Vanguard.

Examinando mais adiante a carteira de ações de Buffett e Munger, você vê que 75% do capital deles está alocado em apenas cinco companhias. Além da Apple, são Bank of America, Coca-Cola, American Express e Kraft-Heinz.

Ou seja: eles praticamente não diversificam. Colocam seus ovos em poucas cestas. Mesmo assim, tudo o que eles recomendam para as pessoas comuns é não fazer isso.

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Buffett não diz que o certo é comprar ações da Berkshire, e deixar que ele e seu time invistam por você. Não. Buffett jamais indica ativos específicos, nem os da empresa dele. Ele faz justamente o contrário: pede para que você diversifique até dizer chega. Tenha um pouco de tudo, de modo a diluir os riscos.

Charlie Munger vai mais longe. “Pegue o mundo moderno, no qual pessoas tentam ensinar outras pessoas a escolher ações por conta própria. Considero isso o equivalente a induzir jovens a usar heroína.”

O ponto aqui é simples. Eles consideram que, para escolher as ações certas, você precisa de quantidades de tempo e de talento não disponíveis em uma vida normal – só para ilustrar: a filha de Buffett disse que ele nunca assistiu a um seriado, passa 100% do tempo estudando empresas.

Nenhum dos dois, porém, indica investir em fundos de ações, daqueles de banco e de corretora. Eles são contra a ideia de que você pague algum gestor para escolher ações por você – por mais que eles próprios façam isso profissionalmente desde sempre.

Eles recomendam que você compre ETFs, sigla em inglês para “fundos negociados em bolsa”. Mais especificamente, os “ETFs de índice”. No Brasil, o índice mais importante é o Ibovespa, que hoje contabiliza as 81 maiores empresas de capital aberto do país. Coloque dinheiro num ETF e ele será distribuído automaticamente entre essas companhias.

A tese de Buffett e Munger é a seguinte: basicamente nenhum gestor de fundos consegue ganhos maiores que o da média de todas as grandes empresas. Pelo menos não no longo prazo. Como os ETFs de índice não têm gestor (consistem apenas de um robozinho distribuidor de dinheiro), as tarifas deles são baixíssimas. Sobra mais para você.

Quer saber mais sobre ETFs? Leia esta reportagem da Você S/A, então. Se eu fosse você, faria isso. Algo me diz que os velhinhos sabem do que estão falando 😉

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