Quanto maior o salário, mais isolado o profissional fica no escritório

É isso que argumenta um novo estudo publicado no American Journal of Sociology, que analisou dados salariais e comportamentais dos últimos 30 anos. Confira.

Por Sofia Kercher
Atualizado em 17 mar 2025, 10h04 - Publicado em 17 mar 2025, 08h00
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 (Chris Ryan/Getty Images)
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Os escritórios estão cada vez mais divididos conforme uma linha de renda – e isso pode impedir que os executivos de alto nível fiquem cada vez mais isolados do resto dos colegas de trabalho. É isso que argumenta uma pesquisa publicada no American Journal of Sociology em setembro de 2024.

A conclusão veio a partir da análise de bancos de dados administrativos dos últimos 30 anos, coletados em 12 países (Canadá, República Tcheca, Dinamarca, França, Alemanha, Hungria, Japão, Holanda, Noruega, Espanha, Coreia do Sul e Suécia). No total, mais de 1 bilhão de pontos de informação foram contemplados.

A ideia era analisar o comportamento do 1% mais rico e o 10% mais rico destes países — e o quanto eles estão expostos a funcionários que ganham tanto quanto eles. Eles também mediram o quanto esses profissionais trabalham com funcionários na extremidade inferior da escala salarial.

Em quase todos os locais, a conclusão foi a mesma: os profissionais mais assalariados estão em crescente isolamento no local de trabalho. Acima de tudo: eles estão cada vez menos expostos às pessoas que ganham menos.

Consequências

Os pesquisadores dão à tal segregação três motivos: a desindustrialização da economia; redução de pessoal no local de trabalho (o que inclui demissões, terceirização e subcontratação de funcionários) e, claro, a digitalização. Isso tem consequências prejudiciais à mobilidade e igualdade social.

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Expliquemos. Nas últimas décadas, os locais de trabalho foram reestruturados e reduzidos. Com a terceirização tomando conta, a configuração de grande parte dos escritórios nestes países de primeiro mundo segue a lógica: uma sede pequena altamente qualificada, com outros serviços e operações ocorrendo em outro espaço.

Olhando para o cenário macro, os pesquisadores argumentam que os empregos de baixa qualificação são realocados para países de baixos salários, enquanto outras posições administrativas permanecem na sede. Isso faz com que o contato entre as duas categorias de trabalhadores seja separado por milhares de quilômetros de distância.

A digitalização também isola os executivos do resto dos funcionários. “As pessoas nos dois extremos podem nunca interagir umas com as outras”, argumenta Marta M. Elvira e Godechot Olivier, dois pesquisadores que participaram da coleta de dados. 

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“Temos a tendência de pensar sobre coesão social e mobilidade em termos de nossas instituições cívicas, bairros e escolas. No entanto, os adultos na verdade passam mais tempo no trabalho, interagindo com seus colegas de trabalho, do que em casa, interagindo com seus vizinhos”, escrevem.

“Os locais de trabalho não só permitem a redistribuição de capital social e humano de cima para baixo e a integração de funcionários diversos, mas também promovem relacionamentos. Quando os que ganham pouco não trabalham mais no mesmo prédio, instalação ou mesmo empresa que os que ganham muito, eles terão pouca chance de serem promovidos internamente”, finalizam. É o que chamam de desigualdade organizacional. 

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