O valor do conhecimento técnico em IA será definido pelas soft skills
Essas habilidades sempre foram fortemente valorizadas pelo mercado de trabalho e são pré-requisito para diferentes vagas.

democratização do acesso ao conhecimento, promovido pela internet, possibilitou que pessoas com diferentes perfis e realidades pudessem alcançar as competências técnicas desejadas com mais facilidade.
Essas habilidades sempre foram fortemente valorizadas pelo mercado de trabalho e são pré-requisito para diferentes vagas.
Mas, com mais pessoas capacitadas tecnicamente, como os profissionais vão se diferenciar no mercado de trabalho? Com fortes habilidades analíticas e de comunicação.
No segundo trimestre do ano passado, a tendência das soft skills já aparecia no Índice Global de Aprendizado no Trabalho da Udemy: entre as dez habilidades profissionais emergentes no mundo estavam resolução de problemas, trabalho em equipe e gestão de mudanças.
Em 2025, acredito que o valor das habilidades técnicas será cada vez mais definido por habilidades sociais, como pensamento crítico, comunicação e adaptabilidade, e que a importância das soft skills ganhará cada vez mais destaque com o aumento do uso da Inteligência Artificial, que demanda personalização com um olhar aprofundado.
A IA é uma ferramenta poderosa, mas requer instruções precisas e uma avaliação cuidadosa dos seus resultados.
No mercado tech, os desenvolvedores que combinam fortes habilidades analíticas e linguísticas com conhecimento técnico estarão mais bem posicionados para fazer o melhor uso da IA.
Os profissionais que conseguem articular claramente o que precisam da IA e que possuem as habilidades analíticas para avaliar as respostas poderão aproveitar o potencial dela com mais eficiência.
Estudo de 2023 da McKinsey já mostrou que os desenvolvedores de software podem concluir tarefas de codificação até duas vezes mais rápido com a IA generativa.
A mesma pesquisa sugere que as ferramentas são tão boas quanto as habilidades dos engenheiros que as utilizam, com os participantes indicando três áreas em que a supervisão e o envolvimento humano eram cruciais: examinar o código em busca de bugs e erros, contribuir dando o contexto organizacional e navegar por requisitos de codificação complicados.
A IA é uma ferramenta poderosa, mas requer instruções precisas e uma avaliação cuidadosa dos seus resultados.
Um desenvolvedor com grande domínio da linguagem, por exemplo, pode precisar de apenas um prompt bem elaborado para direcionar a IA para uma solução desejada, enquanto outros podem precisar de várias interações.
Da mesma forma, a capacidade de discernir se um resultado gerado pela IA é válido ou se precisa de revisão será fundamental para manter a qualidade e a relevância do trabalho. Como revela a mesma pesquisa da McKinsey, para manter a qualidade do código, os desenvolvedores precisam entender os atributos que compõem o código de qualidade e solicitar à ferramenta os resultados corretos.
À medida que as ferramentas de IA se tornam um elemento básico da tecnologia, as pessoas com fortes competências analíticas e de comunicação terão uma clara vantagem, alcançando melhores resultados com menos esforço e estabelecendo novos padrões de produtividade.
Ao longo desse ano, vamos ver a IA prosperar de aplicativos generalizados e aleatórios para soluções altamente especializadas e específicas de cada setor, projetadas para lidar com desafios e necessidades particulares. As soft skills serão a chave para desbloquear todo esse potencial.
*Agur é Diretor de Tecnologia da Pipedrive, uma empresa multinacional de software.