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Conheça o NFT, que transformou post de Instagram e memes em obras de arte

Ele é uma espécie de "objeto" negociado no blockchain, a mesma rede do bitcoin. E tem quem pague milhões de dólares para ser dono de algo que todo mundo vê de graça.

Por Tássia Kastner Atualizado em 22 mar 2021, 09h25 - Publicado em 8 mar 2021, 08h00

Uma das mais famosas casas de leilão de arte do mundo, a Christie’s, colocou à venda a obra The First 5000 Days, do artista beeple (Mike Winkelmann na vida real). Tudo normal, exceto que se trata de uma coleção de 5 mil desenhos criados para o Instagram (@beeple_crap), ao longo dos primeiros 5 mil dias do artista na rede social, e existentes apenas em formato digital.

O vencedor do leilão pagou US$ 69 milhões, não terá quadros para pendurar na parede e exibir aos amigos. Levou, no lugar, um arquivo chamado de NFT, registrado na blockchain, a mesma rede que processa as transações do bitcoin.

NFT é a sigla para Non-Fungible Tokens (símbolo não fungível), o que quer dizer que ele opera sob a mesma tecnologia do bitcoin e de outras criptos, mas não é uma moeda virtual. É um “objeto”.

É que o NFT carrega o arquivo com as imagens da obra comprada, a assinatura do artista, a data de criação, o histórico de todas as pessoas que foram donas daquela obra de arte e que prova que ela é original (no mundo das artes, isso é chamado de provenance). A história é a mesma da criptomoeda: não pode ser copiada e, se mudar de mãos, isso fica registrado na rede para todo mundo ver.

Além de comprar um criptoativo, a pessoa que arrematar a obra de arte poderá pagar em ethereum (a segunda moeda na linha de sucessão do bitcoin). Já os custos da galeria e outras taxas, só em dólar mesmo.

Não faz sentido colecionar códigos? Bem, antes do leilão da obra de beeple, a internet viu uma venda ainda mais inusitada. Lembra do meme Nyan Cat, que ilustra a página? Bem, ele era um vídeo criado em 2011. O NFT dele foi vendido por 300 ethers, o que dá mais ou menos US$ 500 mil no câmbio do começo de março.

Esse é mais um milagre do blockchain e da criatividade dos endinheirados na hora de gastar. Dá para ser dono daquilo que todo mundo vê de graça por aí.

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