O curioso caso da Petro que não é Petrobras – é PetroRio, e subiu 29% na quinta

As ações da empresa dispararam depois da compra de participações em campos do pré-sal. Mas, quem é ela?

Tem “petro” no nome, vende petróleo, é brasileira, mas não é Petrobras. Quem é ela? PETRORIO. O destaque de hoje no Ibovespa, num dia que foi marcado pela volatilidade. Depois de tudo, a bolsa manteve os 106 mil pontos e fechou com 0,52%. 

Já a PetroRio bateu em 29%

Maior empresa privada de óleo e gás do país, a petroleira surgiu em 2009 com o nome de HRT Petróleo. A abertura de capital e entrada na Bolsa aconteceu em 2010 e a mudança de nome para PetroRio foi somente em 2015. E ela continuava uma razoável desconhecida do público geral até agora. O que mudou, então?

Ela passou a fazer parte da nobre lista de empresas mais negociadas da bolsa. Ou seja, entrou no Ibovespa — e isso foi há apenas dois meses, em  setembro. Aí é como estar na vitrine mais nobre do mercado financeiro, todo mundo presta atenção.

Diferentemente da Petrobras, a maior concentração de atividade da sósia carioca são os campos maduros de petróleo, ou seja, poços que já foram explorados, mas que podem ter a eficiência melhorada e a exploração prolongada. 

O que ocorreu nesta manhã (19) e deixou os investidores ouriçados para ir às compras foi uma mudança nesse cenário. A companhia anunciou a aquisição de duas fatias em dois campos de pré-sal – ou seja, poços novinhos em folha para explorar e ampliar a capacidade de produção.

O acordo firmado com a britânica BP Energy do Brasil estabelece a aquisição de 35,7% do campo de Wahoo e 60% do campo de Itaipu, ambos na Bacia de Campos, por US$ 100 milhões. A compra coloca a Petro novata em um novo patamar de competição no setor. 

Detentora, até então, de três campos de petróleo – Frade, Polvo e Tubarão Martelo –, seu terceiro trimestre indicou uma produção de 29,3 mil barris de óleo por dia. Se as estimativas da companhia se confirmarem, a nova capacidade de produção será superior a 10 mil barris por dia, em média, no campo de Itaipu, e 40 mil por dia, em média, no campo de Wahoo. Um crescimento produtivo de 70%. 

Mas isso pode levar um tempo, já que o campo de Wahoo ainda não está em operação. O que não deixa de fazer parte da novidade que o investidor comprou, que é a exploração do zero de um poço que tem potencial para produzir ao longo de sua história mais de 140 milhões de barris. 

Tá achando que foi só isso de notícia positiva? Não, não. 

O presidente da empresa, Roberto Monteiro, concedeu diversas entrevistas a jornalistas para comentar o negócio. Ele afirmou que a companhia consegue ser rentável mesmo com o petróleo a US$ 20 por barril. A matéria-prima, não custa lembrar, está ao redor de US$ 45 — mas valia cerca de US$ 70 antes de toda essa pororoca causada pela pandemia.

E essa rentabilidade a US$ 20 por barril é possível, segundo o executivo, porque o custo de exploração é baixo — e vai cair mais com as novas aquisições.

Um dos campos, o de Wahoo, deverá ser operado com a infraestrutura de uma área já existente da empresa. Por isso, o custo de tirar o petróleo do pré-sal deverá ser baixíssimo. Ele chegou a dizer que ficaria ao redor de US$ 2 por barril. Na média, o custo da empresa cairia de US$ 17 para US$ 12 o barril.

E a Petro que todo mundo conhece? 

Bom, essa está no movimento contrário ao da sósia carioca. A estratégia atual é vender os ativos que não são considerados estratégicos pela atual gestão e trariam mais custo do que lucro. O grupo Cosan e o Ultra vêm disputando duas refinarias da companhia que ficam no Sul do país e estão à venda, a Repar, no Paraná, e a Refap, no Rio Grande do Sul. 

A expectativa é que as propostas aconteçam até 10 dezembro. E o valor pode chegar em US$ 2 bilhões pela Repar e US$ 3 bilhões pela Refap. 

Até lá, nada de novo sob o sol: as ações tiveram um dia bom (PETR4 (1,15%) e PETR3 (0,91%)), mas nada de brilhar olhos como a PetroRio. E também porque não havia nenhum motivo que fosse um grande destaque para puxar a alta. 

Já a GOL, a CVC e a Azul formaram o bonde do Turismo nas maiores altas do dia, sustentado por dois motivos. 

O primeiro foi a queda do dólar, que sempre dá um gás nas áreas, nem que seja de leve. A moeda americana se manteve em queda durante todo o dia e fechou com perda de 0,44%. 

O segundo motivo foi a melhora na oferta de voos da GOL. A companhia divulgou a evolução no fluxo dos voos que atingiu o patamar de 52% de oferta em comparação ao mesmo período do ano passado. De 363 em outubro, para 372 voos diários em novembro. 

No mesmo relatório, a aérea anunciou medidas de austeridade, como a devolução de três aeronaves arrendadas, até o final do ano. E o cancelamento do recebimento de 34 aviões que estavam previstos para 2020 e 2022. Se isso se sustenta é difícil prever, mas a questão é que, em tempos de crise, a economia cai bem no bolso e na especulação. 

As novidades vieram só da GOL mesmo, mas como o setor é o mesmo, o bonde caminhou junto. Resultado: lá no alto. GOL (4,88%), CVC (3,53%) e Azul (4,02%)

Do outro lado do Equador 

Por lá, a segunda onda de coronavírus segue firme. 

Os casos nos Estados Unidos aumentam diariamente. Há 11,5 milhões de infectados e mais de 250 mil mortos. Em duas semanas, as hospitalizações pela doença saltaram 50%, quase 79 mil pessoas estão sendo tratadas pelo  vírus nesta quinta-feira (19). 

Outro indicativo de que o buraco está se aprofundando foram os novos números de pedidos de auxílio-desemprego. A estimativa era de 710 mil novas solicitações, mas os dados vieram acima da média, com 742 mil pedidos na última semana. 

Somado a isso, veio a decisão do prefeito de Nova York, Bill de Blasio, de fechar as escolas públicas por causa do aumento de casos na cidade. 

A queda das bolsas só se neutralizou, porque no final do dia, o líder do Senado, Mitch McConnell, concordou em retomar as negociações com os democratas sobre o famigerado pacote de estímulos que parece nunca sair. 

E ficou assim: S&P 500 ganhou 0,39%, aos 3.581,85 pontos e Nasdaq valorizou 0,87%, para 11.904,71 pontos. 

Mas a novela não tem fim. E nem a semana. É que esse era um fechamento de mercado para desejar bom feriado aos leitores. Nesta sexta, algumas cidades lembram o Dia da Consciência Negra. São Paulo é uma delas. Mas tanto vai e volta de feriados neste ano atípico fez a B3 decidir abrir a B3 amanhã. Até lá.

 

MAIORES ALTAS 

Petro Rio: 29,24%

GOL: 4,88%

Azul: 4,02%

CVC: 3,53%

Cia. Siderúrgica Nacional: 3,31%

 

MAIORES BAIXAS 

Marfrig: -2,83%

BRF: -2,58%

Cogna: -2,53%

YDUQS: -2,30%

Minerva: -1,77%

 

Dólar: – 0,44%, a R$ 5,31

 

Petróleo 

Brent:  – 0,31%, a US$ 44,20 o barril

WTI: – 0,26%, a US$ 41,90 o barril

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