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Como funciona o Nubank, o cartão sem anuidade e tarifas

Para o colombiano David Vélez, criador da Nubank - empresa de cartões sem anuidade -, o crédito no Brasil é caro e burocrático. Ele crê ter a solução para revolucionar esse quadro. Conseguirá?

Por Por Mariana Amaro Atualizado em 17 dez 2019, 15h25 - Publicado em 7 dez 2015, 12h20

>>Esta matéria foi publicada originalmente na edição 204 da revista Você S/A, em Junho de 2015 e pode conter informações desatualizadas

  

SÃO PAULO – Imagine um cartão de crédito sem ligação com bancos, sem anuidade nem tarifas, válido no mundo todo e controlado por um aplicativo de celular. Esse produto foi lançado no Brasil no fim do ano passado com o nome deNubank, pelo engenheiro David Vélez, um colombiano de 33 anos radicado no país desde 2011, que fez carreira no mercado financeiro. O negócio já tem 150 000 clientes inscritos, e no site Reclame Aqui sua avaliação é positiva. Já recebeu aportes de mais de 14 milhões de dólares de fundos como o Sequoia Capital, o qual colocou dinheiro em empresas como Apple e LinkedIn. “Há espaço para inovar porque, no Brasil, não há concorrência real na área de serviços financeiros”, diz David. Em entrevista à VOCÊ S/A, ele falou da Nubank e da revolução que os bancos deverão viver nos próximos anos.

Por que escolheu empreender no Brasil?

O mercado mais rentável do Brasil é o bancário, mas há muita contradição nele. O cliente não tem alternativas porque não existe concorrência real. Cinco bancos são os donos do mercado. Se você não gosta de sua conta ou acha as taxas abusivas, não adianta ir para outro banco, porque eles são parecidos. Vi a oportunidade de criar uma alternativa mais amigável para o consumidor com base em ferramentas tecnológicas, de dados e design.

Mais de 37% dos brasileiros ainda preferem ir à agência, ligar ou usar um caixa eletrônico, segundo a Febraban. Isso é um obstáculo para seu negócio?

Nosso público-alvo é o jovem, que confia na tecnologia. Metade da população brasileira tem menos de 29 anos. Nossos clientes têm, em média, 30 anos – são pessoas conectadas que não gostam de agência, call center, SAC e viajam muito. O Nubank já foi usado em mais de 75 países e 15% das compras são feitas no exterior. Nosso atendimento ocorre dentro do aplicativo. Se você tem uma pergunta ou não reconhece alguma compra, entra no chat, uma espécie de WhatsApp, pergunta o que quer e te respondem na hora. Os jovens gostam disso.

Como funciona o controle pelo aplicativo?

Se você faz uma compra, recebe uma mensagem na hora informando quanto gastou e onde. Pode categorizar suas despesas e saber quanto de seu limite já está comprometido com faturas futuras. Outra função que traz segurança é o bloqueio temporário, o qual você aciona se perder ou esquecer seu cartão. Depois é só desbloquear quando encontrá-lo. Há quem mantenha o cartão bloqueado e só desbloqueie quando usa. Seu limite de gastos com o cartão também pode ser mudado na hora, pelo aplicativo.

Como vocês determinam o limite de crédito de cada cliente?

Consultamos empresas de proteção ao crédito, pedimos aos clientes para tirar uma foto de si e dos documentos e responder a perguntas pelo celular. Enquanto os bancos usam dez variáveis para decidir o limite de crédito, nós usamos quase 2 000: desde as respostas até o modelo de celular do cliente. Para desenvolver isso, trouxe uma equipe de big data e de analistas de dados dos Estados Unidos e da Índia.

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O que, em sua opinião, não funciona bem nos cartões de crédito no Brasil?

A burocracia. Para ser aprovado, o cliente precisa quase comprovar que já tem o dinheiro na conta. E, mesmo com todo esse controle, o juro é um dos mais altos do mundo, entre 11% e 12% ao mês, mais de 300% ao ano. É isso que tentamos quebrar, com uma taxa de 7,5%. Além disso, nos cartões convencionais, você nem sabe o que paga. Por isso não cobramos tarifas.

Onde os bancos precisam evoluir?

No mundo inteiro, os bancos dependem de uma série de regulamentações e trabalham com base em processos longos e lentos e horários limitados. Isso é, em boa parte, culpa da cultura empresarial do setor e das pessoas que lá trabalham, que acham que esse modelo é bom o suficiente.

O que vai mudar nesse setor no futuro?

Nos Estados Unidos e na Europa, já há empresas de tecnologia vendendo serviços financeiros simplesmente porque oferecem produtos melhores. De fato, a Nubank é mais parecida com o Google do que com um banco. Uma minoria de nossos funcionários vem de bancos, porque queremos quebrar crenças típicas do setor.

Já houve, no Brasil, uma iniciativa similar ao Nubank: o Banco1.net, que durou pouco. Você teme um destino parecido?

Não. Isso aconteceu no começo dos anos 2000, quando a penetração da internet no Brasil era inferior a 5% e não havia infraestrutura tecnológica para viabilizar essa ideia. Hoje, há quase dois celulares por brasileiro e a penetração da internet é maior.

Como os brasileiros usam o cartão?

Para comprar online e parcelar. O problema é que esquecem o que parcelaram e caem no rotativo. Daí nossa aposta em uma interface eficiente de controle financeiro, que mostra quanto dinheiro já foi gasto.

“No Brasil, se você acha as taxas abusivas, não adianta buscar outro banco, porque são todos parecidos”

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