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Chineses funcionários da Pegatron, que faz o iPhone, trabalham 90 horas-extras por mês

Funcionários da Pegatron, fabricante do iPhone na China, recebem menos de dois dólares por hora, vivem em dormitórios superlotados e fazem até 90 horas-extras por mês

Por Agência Brasil Atualizado em 17 dez 2019, 15h26 - Publicado em 22 out 2015, 10h10

PEQUIM – Uma pesquisa sobre as condições das fábricas de iPhones na China mostra que os funcionários trabalham até 90 horas extraordinárias por mês por menos de US$ 2 a hora, vivem em dormitórios superlotados e quase não têm tempo para comer.

Segundo a organização de defesa dos direitos laborais China Labour Watch (CLW), os abusos ocorrem nas fábricas chinesas onde se produzem os telefones da norte-americana Apple.

O foco da pesquisa é uma fábrica em Xangai, da empresa taiwanesa Pegatron, que já tinha sido investigada em 2013. A empresa emprega 100 mil pessoas e as condições de trabalho quase não registraram melhorias.

O relatório Algo Está Mal Aqui volta a mostrar os abusos: turnos de dez horas e meia por dia, a que se somam mais de duas horas extra obrigatórias, sem as quais os trabalhadores não recebem um salário mínimo para viver (de cerca de US$ 318 por mês).

A organização revela as condições de trabalho com o testemunho de um pesquisador da CLW, que se infiltrou como empregado na Pegatron.

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Entre outras coisas, o pesquisador mostra como a empresa não cumpre medidas de segurança básicas, como informar aos funcionários sobre as saídas de emergência – portas que ele próprio não conseguiu encontrar.

O testemunho inclui a sobrecarga de trabalho, com turnos em que não há praticamente tempo para comer.

A falta de informação abrange também os produtos químicos que os funcionários manuseiam. Apesar de a empresa lhes dar uma lista dos produtos perigosos com que trabalham, não indica onde eles se encontram ou como devem ser tratados.

A CLW conclui que “nada mudou” desde 2013, com exceção de uma situação: a discriminação no que se refere à contratação de membros de etnias minoritárias, apesar de a organização ressalvar que a empresa contrata agora ilegalmente metade dos trabalhadores de forma temporária, quando apenas pode fazê-lo com 10% da equipe.

(Da Agência Lusa)

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