Bolsas dos EUA começam a semana voando

Aprenda com Dwight Schrute, de The Office, como o dinheiro para estímulo a pequenas empresas sempre acaba no mercado financeiro.

Como Nossa Senhora de Aparecida não apareceu nos EUA, e as crianças americanas não têm um dia nacional para chamar de seu, hoje é uma segunda-feira como qualquer outra por lá. 

Bom, não exatamente como outra qualquer, porque o mercado amanheceu fervendo, com a Nasdaq em alta de 2% e o S&P 500 recuperando o alto patamar em que estava no início de setembro.

As bolsas americanas (Nasdas e NYSE) regem o comportamento de todas as outras do planeta – quando há apetite por risco lá, a tendência é que haja em qualquer outro lugar. Mas não dá para cravar que uma boa segunda feira nos EUA faça o Ibovespa começar o dia com uma corrida matinal de 10k. 

Primeiro porque quem puxou a alta, para variar, foram as big techs. No meio do dia, Amazon e Apple estavam subindo como se fossem contratos de minidólar: 4,5% cada uma (nota: uma arrancada de 4% na Apple significa uma variação de US$ 80 bilhões no valor de mercado da empresa – e só isso já dá todo o valor de mercado da Vale, a maior companhia do Ibovespa).  

E é isso. Quando quem puxa a alta são as big techs, o Ibovespa não tem muito o que fazer, já que tecnologia não é exatamente o forte do nosso índice. O feriado, na verdade, trás um mal agouro para o Ibov: o petróleo está caindo quase 3% – cortesia da Líbia, que está prestes a reabrir seu maior campo de produção, e a retomada da produção no sul dos EUA, agora que o furacão de Delta se foi. Isso, naturalmente, puxa a Petrobras para baixo, e Petrobras em baixa é algo que ajuda bem a deprimir o índice todo. 

O segundo motivo para a bonança americana é um fator ainda mais doméstico: a esperança pelo fim da novela dos novos estímulos. O governo já anunciou que pretende liberar US$ 1,8 trilhão para os “auxílios emergenciais” a pessoas e empresas dos EUA. E o acordo com a ala democrata do Congresso, necessário para abrir essa torneira, está em vias de sair. 

Uma parte dessa grana nova, no fim das contas, acaba nas bolsas. Como: Dwight Schrute explica. Se você conhece The Office, a série, sabe que Dwight trabalha como vendedor de papel na Dunder Mifflin numa empresa de Scranton, Pensilvânia, e que é um comprador compulsivo de bonequinhos Bobblehead. 

Com a crise, Dwight freou seu ímpeto. Não compra um Bobblehead novo desde março, já que tem medo de perder o emprego. 

Mas aí vem o governo e usa um teco dos US$ 1,8 trilhão para dar um empréstimo a fundo perdido para a Dunder Mifflin. Dwight fica mais tranquilo. Sabe que não vai ser demitido, então volta a comprar seus Bobbleheads. Na Amazon.

Com milhões de Dwights retomando seus hábitos de consumo, a Amazon ganha um monte de dinheiro, e seus executivos um monte de bônus.

Os executivos aplicam parte de seus bônus na bolsa – em ações da Apple, por exemplo. Pronto. É assim que o dinheiro dos estímulos vai parar na bolsa, na forma de valorizações estratosféricas de certas empresas. 

É o que está acontecendo desde 2008. De lá para cá, o S&P 500 subiu 360%, contra 39% da economia americana. Exato: as bolsas de lá subiram 10 vezes mais do que a o PIB desde o início da onda de gastos públicos para estimular a economia. 

O que pode dar errado? Eis grande discussão deste final de ano. 

É isso. Boa volta ao batente.      

 

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