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Após 6 pregões atômicos, Ibovespa tem dia de “pólvora”

Hoje foi fraco: queda de 0,25%. Mas o humor do mercado segue firme – ao contrário do bom senso do Presidente.

Por Juliana Américo, Alexandre Versignassi Atualizado em 11 nov 2020, 19h59 - Publicado em 11 nov 2020, 19h44

Os últimos seis pregões foram um sonho para os investidores brasileiros: só alta. Só nesse período o Ibovespa acumulou um ganho de 7% e praticamente voltou no tempo, lá para julho, quando o indicador estava em seu melhor patamar desde o início da pandemia. 

Mas hoje parece que foi dia de embolsar ganhos. A bolsa teve uma leve queda, de 0,25%, e fechou nos 104.808 pontos. Nada mais natural que uma venda de ações após tantas altas – mais ainda considerando que seguimos no meio de uma pandemia mais resiliente do que se esperava, e com uma crise econômica global em andamento. 

Apesar da desvalorização, a verdade é que o humor do mercado segue positivo. O Ibovespa conseguiu desviar da “declaração de guerra” de Bolsonaro contra os EUA – num surto digno de ditador da Coreia do Norte, ameaçou Biden com “pólvora” caso Joe Biden realmente imponha sanções contra o Brasil em represália aos incêndios na Amazônia. Haja pólvora, hein Jair? 

No mesmo discurso, ontem, o presidente ainda disse que o Brasil precisa “deixar de ser um país de “maricas” ao comentar a morte de 160 mil pessoas por conta do covid

Para deixar a situação ainda mais turbulenta, Paulo Guedes afirmou, ontem, que o Brasil poderia enfrentar uma hiperinflação se não reduzisse as dívidas públicas. A ideia de uma volta do dragão da inflação nunca é bem-vinda por aqui, claro. Hoje ele alegou que essa questão, na verdade, era uma alerta para acelerar as privatizações. No final, parece não ter afetado o mercado – de outra forma as vendas de ações teriam sido bem maiores.

O papel que mais subiu hoje foi o da Via Varejo: 5,16% após dados do IBGE indicarem alta de 1% nas vendas de móveis e eletrodomésticos entre agosto e setembro. Em segundo lugar, veio a Marfrig  (3,03%), que subiu por conta das expectativas com seu balanço do terceiro trimestre, que sairia após o fechamento do mercado (18h). E a aposta se pagou, olha só: lucro de R$ 674 milhões – sete vezes maior que o do 3T19. 

Já a Braskem liderou as quedas. A produtora de resinas divulgou os seus resultados do terceiro trimestre. Considerando o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização), a companhia foi bem: R$ 3,8 bilhões, 127% superior ao segundo trimestre. Mas, o período se encerrou com prejuízo de mais de R$ 1,4 milhão por causa de danos geológicos em locais do Alagoas causados pela extração de sal-gema. Os papéis da companhia desaceleraram 6,57%. 

Também na ponta negativa, a Ultrapar caiu 6,31%. Mas aí foi só uma correção bastante esperada, já que a dona dos postos Ipiranga já tinha subido 35% desde a semana passada, após um bom balanço do terceiro trimestre. Foram 277 milhões de lucro, só 9% abaixo do mesmo período de 2019 – ou seja, mais do que os analistas previam para um cenário com menos gente usando postos de gasolina. Além do balanço, também tinha pesado para a alta a esperança renovada com as vacinas. 

Além disso, as big techs voltaram a ganhar destaque. As ações das gigantes de tecnologia cresceram junto com o aumento de casos do coronavírus. 

Já são mais de 51 milhões de infectados no mundo e o movimento “fique em casa” levou os investidores, com receio de possíveis medidas de contenção do vírus, a voltarem para as companhias que se beneficiam com o isolamento social – ou seja, as de streaming e videoconferência.Os BDRs da Zoom, disponíveis na B3 para investidores brasileiros, dispararam 8,25% – BDRs são recibos de ações estrangeiras, valem como ações. Os BDRs de outra companhia estrangeira que se beneficia do isolamento, a argentina Mercado Livre, subiram forte também: 4,98%. Em Nova York, Amazon e Apple subiram mais de 3%. 

Isso ajudou a manter o mercado aquecido. Nasdaq subiu 2,01% (11.786 pontos), seguido pelo S&P 500 com alta de 0,77%, a 3.572 pontos.

Mas não foi só isso, claro. Os papéis das techs são o porto seguro da crise. Isso não significa, porém, que o mercado não esteja esperançoso com uma vacina contra a covid. As farmacêuticas Pfizer e BioNtech confirmam hoje um acordo para fornecer até 300 milhões de doses de sua vacina à União Europeia. Que venham acordos assim para o Brasil – a despeito de termos um presidente que busca diminuir a importância de algo tão fundamental. 

Maiores altas

Via Varejo: +5,16%

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Marfrig: +3,03%

B3: +2,40%

Natura: +2,17%

Raia Drogasil: +1,80%

Maiores baixas

Braskem: -6,57%

Ultrapar: -6,31%

Cogna: -3,88%

Hypera: -3,77%

Cemig: -3,42%

Petróleo

Tipo Brent:  +0,44%, cotado a US$ 43,80 o barril

Tipo WTI: +0,22%, cotado a US$ 41,45 o barril

Dólar: +0,43%, cotado a R$ 5,41

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