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Novo jurado do Shark Tank revela os maiores erros dos empreendedores

Para o empresário José Carlos Semenzato, da quarta temporada do reality show, mentoria pode valer mais do que capital no início do negócio

Por Karina Fusco, da VOCÊ S/A Atualizado em 18 dez 2019, 09h20 - Publicado em 27 Maio 2019, 19h00

Encarar desafios faz parte da trajetória do empresário José Carlos Semenzato, 51 anos. Ele, que começou a trabalhar aos 13 vendendo coxinha em Lins, interior de São Paulo, aprendeu programação e criou a rede de escolas de computação Microlins. Depois, fundou a SMZTO Holding de Franquias, que atua na gestão e na aceleração de negócios no franchising.

Agora, será jurado na quarta temporada do Shark Tank Brasil, reality show do Canal Sony em que grandes empresários escolhem investir ou não nas ideias de empreendedores.

Ele substitui Robinson Shiba, da rede de comida China In Box, atuando ao lado de João Appolinário, da Polishop; Caito Maia, da Chilli Beans; Cristiana Arcangeli, da Beauty’in; e Camila Farani, da G2 Capital.

Semenzato tem ciência de que a nova atividade também trará mais visibilidade aos seus negócios, que vão muito bem. O grupo conta com mais de 10 marcas investidas, entre elas, o Instituto Embelleze e a OdontoCompany, e faturou 1.45 bilhão de reais em 2018.

A meta é alcançar 2.2 bilhões em 2019. Em entrevista à VOCÊ S/A, ele revela algumas das orientações que dividirá com empreendedores e com o público.

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Quais são as características dos empreendedores de hoje e em que elas se assemelham com as suas, quando você começou com a Microlins?

O empreendedor brasileiro, principalmente o pequeno e médio, busca a realização de sonhos. O brasileiro, de modo geral, é sonhador. Na primeira vez em que se empreende, você fica muito focado e obcecado. Foi assim comigo também.

O sonho foi o combustível para a realização, e alimentar esse sonho a cada instante renova a inspiração e a capacidade do empreendedor. Outra característica é a resiliência. No meu caso, passei por obstáculos bem difíceis.

Um deles foi no Plano Real, quando precisei usar muito minha capacidade de resiliência para sair do fundo do poço e numa situação extremamente adversa dar a grande virada na minha empresa.

E após essa fase inicial da empresa, o que muda?

O empreendedor mais maduro não pode tomar decisões sem um parecer técnico e um estudo de caso mais aprofundado. Ele precisa ter um bom plano de negócios, saber a taxa de retorno do investimento, conhecer bem o seu consumidor e como está a concorrência. O cenário muda quando ele vai para um patamar de investimento maior.

Quais os principais equívocos de quem empreende?

Os primeiros grandes erros são não mensurar o investimento e não pensar em um plano de negócios de três anos. Por natureza, o empreendedor pensa muito no imediatismo. Nesse sentido, a primeira dica é: faça um plano de dois ou três anos para que não se frustre e para que, no meio do lançamento do seu projeto, não falte recursos. O outro erro é menosprezar os concorrentes.

O empreendedor acha que a ideia dele é brilhante e por isso não investe tempo para pesquisar a concorrência, para ver quem está fazendo o que, quem está indo bem e quem quebrou a cara.

Aprender com os erros dos outros é uma lição que serve para pequenos e também para grandes empreendedores. Canso de ver erros clássicos sendo repetidos por falta de humildade.

Há ainda mais um erro grave: não medir o desejo do consumidor. Você pode ter uma ideia maravilhosa, criar um produto ou serviço incrível, mas, ao colocar à disposição do mercado, o consumidor pode não se interessar.

Como fica a questão financeira para empreender?

É fundamental se estruturar financeiramente. A minha recomendação é que o empreendedor não comece um negócio sem ter pelo menos 50% do capital necessário. Mas essa não é uma equação fácil.

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Então, na maioria dos casos, ele acaba utilizando o capital da família ou amigos se juntam, se tornam sócios e unem seus recursos financeiros para começar.

Qual é a saída para quem não tem dinheiro para fazer sua ideia ir adiante?

A busca de dinheiro para empreender não é tão simples, pois não temos uma linha de crédito razoavelmente barata, que caiba no bolso de quem quer começar um negócio. Eu mesmo, no meu primeiro negócio, fui buscando recursos à medida que ia necessitando.

Hoje há crédito do Fundo de Amparo ao Trabalhador, e os bancos têm boas linhas de capital de giro, mas elas não suprem porque normalmente o empreendedor não tem um score cred adequado, nem um patrimônio que possa dar um limite maior de capital de giro ou de empréstimo com o agente financeiro.

Quando vale a pena buscar franquia para empreender?

O empreendedor se pergunta se monta seu negócio sozinho ou se vai para uma franquia, se corre todos os riscos sozinho ou se mitiga uma parte comprando uma franquia, que já é um modelo testado.

A história me diz que ao comprar franquia consegue-se reduzir muito a chance de erro e tira grandes pedras do caminho. Basta executar os planos de ação que o franqueador recomenda. Essa equação está comprovada.

Em relação à sua trajetória, como foi conquistar o sucesso?

O sonho fez parte dessa trajetória de forma muito intensa, mas é preciso sonhar junto com outras pessoas. Uma frase que eu gosto de usar é: “dividir para multiplicar”.

Quando você ingressa em um modelo de franquia, está aceitando que parte de seu ganho fique na operação do franqueado, que é quem entrega o produto ou executa o serviço. Eu me orgulho em dizer que, nessa trajetória, teve muita gente que somou comigo, e cada um fez sua parte.

Dividimos o lucro para nos tornarmos mais fortes. Mas não basta ter franqueados ganhando dinheiro e felizes com o negócio. É preciso pensar nos colaboradores da franqueadora e das franquias e também nos fornecedores que participam dessa cadeia.

É um reconhecimento em que o sistema como um todo ganha, e aí você cria um ciclo virtuoso em que tudo te empurra para frente. Quando a gente consegue fazer essa equação, aí pode dizer que obteve sucesso.

Qual é a importância da mentoria para os jovens empreendedores?

Para quem está começando, pode ser até mais importante do que o próprio capital, porque vai sinalizar o caminho. Às vezes, um empreendedor, quando passa pelo Shark Tank, não necessariamente terá a vida mudada pelo fato de conseguir o investimento.

A grande transformação está muito ligada à mentoria e ao que os tubarões podem agregar com suas experiências e seus conselhos.

 


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