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“Homens vendem melhor seus projetos”, diz fundadora de fundo que investe em startups

Três perguntas para Marta Cruz, sócia-fundadora do fundo argentino de venture capital NXTP.

Por Tássia Kastner Atualizado em 16 set 2021, 14h16 - Publicado em 17 set 2021, 05h12

Startups que têm mulheres entre os fundadores tendem a dar mais retorno, mas elas sofrem mais dificuldade na hora de amealhar investidores, diz a empreendedora argentina Marta Cruz. Ela é uma das fundadoras do NXTP, um fundo que investe em novos negócios, e que tem no portfólio startups como Amaro, Trocafone e Arquivei.

1. Como você começou a investir em startups?

Comecei sozinha como investidora-anjo. Cometi muitos erros e coloquei mais dinheiro do que esperava perder. Depois começamos o fundo NXTP, em 2011. É um microventure capital que empresta até US$ 25 mil. Investimos em mais de 200 negócios, dos quais 60% morreram. Em 2018, decidimos lançar nosso segundo fundo, apenas para empresas B2B [que fazem negócios com outras empresas], porque vimos que elas têm um crescimento menos exponencial, mas com mais chances de serem sustentáveis em longo prazo. Hoje são 17 empresas investidas, a maioria delas é brasileira.

2. Ainda é raro encontrar mulheres em startups. Por quê?

Das dez companhias em que investimos lá em 2011, só uma tinha uma mulher no time dos fundadores. Hoje, são 27%. Consultorias demonstram que os fundos de venture capital têm mais retorno e são mais sustentáveis se há mulheres entre os fundadores das startups. Só que os homens vendem melhor seus projetos, enquanto as mulheres são mais conservadoras. Em geral, elas pedem menos dinheiro, o que pode não ser suficiente para o negócio. Além disso, o mundo de venture capital é masculino. Quando a mulher é a fundadora, eles pensam: “Se ela ficar grávida, quem vai tocar o negócio?”.

3. A crise do coronavírus fez os juros caírem e deixou o dinheiro mais barato. Quando isso se reverter, haverá menos recursos para startups?

É um momento inédito e não sei mais quanto tempo vai durar. Fundos de venture capital precisam ser muito precisos para escolher negócios com teses de investimento muito claras, por causa disso. E no fundo de microventure capital talvez fique mais difícil de conseguir dinheiro que no B2B. Mas, no fim, não é o fundo que escolhe a empresa para investir, mas o empreendedor que escolhe o venture capital.

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