Amigo, tem Xeque Mate? Conheça a história da bebida – beeem alcoólica – criada em BH
Em menos de dez anos, a mistura de rum, limão, guaraná e mate conquistou mais de 200 cidades, com 25 milhões de latas produzidas só em 2024. E os planos são de expansão – até para o ramo das sem álcool.

móvel, paralisado, sem saída. É assim que o Rei se encontra no fim de uma partida perdedora de xadrez: enquadrado por uma ou mais peças oponentes, ele não consegue se movimentar, tomar outra peça ou bloquear o ataque. Situação essa oficializada, usualmente, por uma expressão que você já deve conhecer: xeque-mate.
Talvez você esteja familiarizado com o termo por ser enxadrista nato, ou ao menos entusiasta do jogo (alô, fãs de Gambito da Rainha). Mas ele ganhou um novo gás entre os boêmios a partir de 2016: cortesia de uma bebida homônima, nascida no coração de Minas Gerais.
Mate, rum, limão e guaraná. É assim que é feita a Xeque Mate, bebida criada pelos amigos Alex Freire e Gabriel Rochael. A combinação dos quatro ingredientes tem a intenção de te afastar o máximo possível dos adjetivos que usamos ali no começo do texto. Pelo contrário, você fica mais soltinho – cortesia da cafeína e dos 8% de teor alcoólico (fortinho: uma long-neck de Heineken tem só 5%) carinhosamente embalados na característica latinha verde do produto.
O goró ganhou espaço nos carnavais de rua de Belo Horizonte, e em menos de dez anos já conquistou a noite paulistana, carioca e baiana (e de outros 12 estados – mais sobre isso adiante). Mas a história da marca não começa com o sonho do negócio próprio, muito menos com uma vocação de sommelier. A Xeque Mate desabrochou em um dos maiores laboratórios extraoficiais de mixologia do país: a faculdade. É para lá que vamos a seguir.
Embalos de um sábado à noite
Em 2015, Alex estava cursando engenharia mecânica na PUC-MG. Mas o curso não era a única responsabilidade do empreendedor: ele e seu colega, Gabriel, trabalhavam vendendo bebidas em eventos pela cidade.
Alex conta à Você S/A que, em um desses rolês, o dono requisitou um drink que tivesse base de mate. Os meninos somaram os quatro ingredientes (a ideia era fazer uma releitura de Cuba Libre, drink de coca-cola e rum) que foi sucesso absoluto entre os ébrios do recinto. “A gente começou a levar a mistura para os lugares e percebeu que vendia quase tanto quanto cerveja”, conta Alex.
No mesmo ano, os empreendedores decidiram oficializar a Xeque Mate, registrando a marca. Em 2016, inauguraram no Carnaval de Belo Horizonte – que catapultou a bebida de vez.
“A nossa bebida cresceu junto com o Carnaval de BH. Foi lindo de ver”, diz Alex. De fato: em dez anos (2012 a 2023), dados da empresa Belotur apontam que a folia mineira cresceu 900%. “Isso ajudou a criar uma memória afetiva que carrega a marca até hoje”, complementa.
A bebida seguiu o mesmo caminho. Em 2017, a Xeque Mate ganhou sua primeira fábrica em Belo Horizonte. Esse marco garantiu sua expansão para além da terra do pão de queijo: a bebida marcou presença em seu primeiro festival, o Universo Paralello, que acontece todo ano na Bahia.
O formato também evoluiu. Antes em garrafas de plástico de cinco litros, em 2018 os empresários decidiram migrar a bebida para o vidro. Em 2019, lançaram a embalagem que se mantém até hoje: a clássica lata oferecida em 250 ml, 355 ml e 473 ml.
No mesmo ano, os meninos puseram os pés no Mercado Novo, com o bar de nome Mascate (a casa da Xeque Mate. Rima intencional, claro). Em 2021, mais uma unidade foi aberta no bairro Savassi; em 2022, no bairro Floresta. Ainda naquele ano, uma fábrica foi inaugurada em São Paulo: decisão que rendeu um volume de vendas recorde para a marca.

Vendo tudo dobrado – por metade do preço
Um fato sobre vender birita no Brasil (que já destrinchamos neste texto de 2023, ao contar a história da cervejaria Trilha): o mercado é muito, mas muito competitivo.
As três gigantes do mercado – Ambev, Heineken e Petrópolis – correspondem a 96% do setor. Nos 4% restantes, marcas artesanais batalham para navegar as prateleiras de mercados, bares e restaurantes – e, acima de tudo, conquistar o coração dos consumidores. Que, via de regra, são bastante marquistas por aqui (no sentido de: depois de fidelizado, não importa se a qualidade caia ou o preço aumente, o consumo do produto continua relativamente estável).
O cenário desafiador não impediu que a Xeque Mate ganhasse seu espaço no setor. Com expansão para o sambódromo carioca e a primeira parceria oficial com ambulantes no Carnaval em 2023, 2024 fechou o ano com a presença da bebida em mais de 200 cidades de 15 estados brasileiros, 10 mil pontos de venda e cerca de 25 milhões de latas produzidas. O que não passou despercebido pelo júri do Paladar: o prêmio do Estadão de bebida oficial do Carnaval foi concedido à XM.

Mérito não só do gosto da bebida, mas também do custo-benefício. Hoje, o valor médio da lata de 355 ml é R$ 7,99. O de 473 ml, R$ 9,99. “Nos lugares que levamos, quem tomou virou fã. Isso foi mantendo o sonho vivo – mesmo perante as dificuldades da pandemia. Sempre vendemos muito”, afirma Alex.
Pra lá de Bagdá
Para o Iraque, os sócios ainda não planejam levar a bebida. Mas para o resto do Brasil, sim: Alex conta que o sonho é que a Xeque Mate esteja presente em todos os estados por aqui. Apesar de não excluírem a internacionalização dos planos: segundo ele, o nome da marca já está registrado mundo afora.
Além disso, a visão para o futuro é investir em novos produtos: tanto uma Xeque Mate feita sem álcool e sem açúcar – para a trupe que acorda às 4h para correr, não a que está chegando em casa no mesmo horário – quanto em novas parcerias com outros empreendedores, como a que firmaram com a Coco Leve em 2024, uma marca de gelos de tamanho mastodôntico (que popularizou o conceito de copão aos connoisseurs).
“Temos ainda um mundo de oportunidades, a empresa ainda nem fez dez anos. E o Brasil é muito grande”, explica o empresário.
A ideia também é abrir mais bares Mascate e investir forte no rum da bebida – que tem o mesmo nome dos estabelecimentos. “É neles que você sente mesmo o lifestyle da bebida”, finaliza Alex.
Aos que ainda não provaram do estilo de vida nem do líquido, nada de se sentir um Rei sem saída: o Carnaval 2025 está logo ali, no começo de março.