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Conhecimento: a melhor moeda

Não basta saber como proteger seus investimentos da inflação. Para lidar realmente bem com as finanças em qualquer cenário, você precisa conhecer também a história do dinheiro. E você pode começar essa jornada por aqui.

Por Alexandre Versignassi Atualizado em 19 abr 2021, 16h17 - Publicado em 10 abr 2021, 14h23

Nem sempre tempo é dinheiro. Mas dinheiro é sempre tempo. Cada real na sua conta representa uma partícula do tempo que você passou trabalhando. E o dinheiro opera mágicas. Permite que a manicure compre seis pãezinhos sem ter de fazer as unhas do padeiro. Ou que você troque alguns dias de batente no Brasil por um jantar em Tóquio.

A confiança no valor do dinheiro é tão natural que nem paramos para pensar que tudo se trata de um jogo. Um ardil no qual trocamos retângulos coloridos de papel ou bytes estocados em servidores de bancos por coisas que carregam valor real.

Essa ideia de trocar algo abstrato por comida, moradia, transporte não faria sentido durante a maior parte da história da civilização. É que antes dos bytes, das notas e das moedas, só coisas que já tinham algum valor de fato faziam o papel de dinheiro.

Na Suméria de 5 mil anos atrás, eram sacas de grãos. Estocava-se riqueza na forma de milho e de cevada. Se você quisesse comprar pão ou fazer as unhas, sempre haveria alguém disposto a trocar tal produto ou serviço por alguma quantidade de milho ou cevada.

Nos primeiros séculos da República Romana, sal era dinheiro. Num mundo sem geladeiras, você precisava de sal para conservar carne. Logo, ele valia tanto quanto carne, com a vantagem de ser mais portátil que um animal vivo. A palavra “salário” vem desse tempo, quando legionários recebiam seu ordenado na forma de sacos de sal grosso.

Mas o que mais vingou no papel de dinheiro, o meio de troca mais onipresente e atemporal, foi aquela coisa que Silvio Santos diz valer “mais do que dinheiro”: o ouro. O metal amarelo é pouco útil. Só serve para pendurar no pescoço ou no braço e mostrar para todo mundo que você tem acesso a algo bonito e raro.

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Mas, como a demanda por status é tão ampla quanto a demanda por comida, sempre deu para trocar ouro por qualquer coisa (e ainda dá). Como o ouro sempre foi um tanto escasso, a prata, sua prima mais abundante, também foi universal no papel de dinheiro. Tanto que “libra esterlina” significa “meio quilo de prata com 92% de pureza”.

Hoje uma libra compra só 1,5 grama de prata. É que o volume de dinheiro de papel (ou eletrônico) sempre tende a crescer num ritmo maior do que a produção de coisas (como a própria prata). Cortesia dos governos.

Eles sempre imprimiram a versão moderna para meio universal de troca a toque de caixa para fomentar crescimento econômico. Dá certo, mas o fato é que a unidade de dinheiro, chame-se ela libra, real, dólar, rúpia ou dong vietnamita, vai perdendo valor ao longo do tempo.

Se essa perda de valor acontece de forma súbita, temos uma doença: a inflação. Trata-se de um fenômeno inevitável quando governos jogam dinheiro em excesso nas economias. Testemunhamos a desvalorização do dinheiro na forma de aumentos bruscos e contínuos nos preços. Como os salários jamais sobem no mesmo ritmo, a população começa a empobrecer.

A boa notícia: uma hiperinflação é impossível hoje. O mundo (Brasil incluído) conta com um remédio eficaz para brecar a desvalorização de suas moedas: aumentar as taxas de juros.

O problema é que essa medicação tem efeitos colaterais severos. E você precisa estar preparado para que eles não prejudiquem os seus investimentos. Nossa reportagem de capa deste mês pretende ajudar você nessa tarefa, além de usar a história da humanidade como cenário para explicar os mecanismos por trás da inflação. Porque conhecimento, ele sim, vale mais do que dinheiro. Boa leitura.

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