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A cripto que caiu de US$ 2.861 para zero em cinco minutos

Fora o bitcoin, há outras 13 mil criptomoedas, e US$ 1,5 trilhão apostados nelas. O que pode dar errado? Veja um caso que acabou de dar muito, muito errado.

Por Alexandre Versignassi Atualizado em 22 nov 2021, 10h25 - Publicado em 19 nov 2021, 09h34

Bitcoin, ethereum, solana, XRP, Dogecoin, Cardano, Shiba, Cosmos, Fantom, Tezos… Existiam 5.536 criptomoedas em julho deste ano. No início de novembro, eram 13.438. Uma das recém-criadas era a Squid – uma cripto cujo nome se refere a Squid Game (Round 6, no Brasil), a série de maior audiência da história da Netflix. A operadora de streaming não tem chongas a ver com a coisa. Uns caras fizeram uma criptomoeda com esse nome e jogaram no mercado. Só isso.

Lançaram a US$ 0,01. Dada a óbvia inutilidade do “ativo”, um centavo de dólar já era caro demais. De graça já seria muito, já que adquirir o troço numa corretora de cripto toma alguns segundos, e a vida é curta.

Mas… não faltou quem pensasse o contrário. O Squid estreou no dia 26 de outubro, uma terça-feira. Na sexta, 29, já tinha saltado de US$ 0,01 para US$ 3,37. Alta de 33.600%. Algo capaz de transformar R$ 1.000 em R$ 33,6 mil.

E a escalada continuou. Ao longo do final de semana, o Squid já estava dez vezes mais valioso: US$ 39. Às 9h de segunda-feira, 1º de novembro, foi a US$ 89. Ao meio-dia, US$ 523. Meia hora depois, US$ 2.861.

Alta de 28.000.000% em uma semana – ou seja, o bastante para transformar R$ 1 em R$ 2,8 milhões. De acordo com o CoinMarketCap, que monitora o mundo cripto, o Squid movimentou mais de US$ 100 milhões. Pois é. Muita gente se deu bem.

Mas… O fantasma de Milton Fridman costuma aparecer de vez em quando para avisar que não existe almoço grátis. Foi o que aconteceu. Às 12h45, o preço do Squid tinha caído de US$ 2.861 para US$ 0,0007. Exato: tombou para 7 milésimos de centavo. Em cinco minutos.

Foi o tempo que levou para cair a ficha de que algo que não valia nada de fato não valia nada. E era tudo um golpe – sabe-se que os criadores aproveitaram a onda para emitir um monte de squids, vender e fugir com pelo menos US$ 3,5 milhões. Mesmo assim, o episódio diz mais sobre o mundo das criptomoedas.

O bitcoin, mãe de todas elas, é um projeto completamente honesto. Nasceu em 2009 para produzir uma moeda de fato: algo que você pudesse trocar por bens e serviços. Mas toda a demanda por bitcoin hoje consiste em gente a fim de comprar por um preço e vender mais tarde pelo dobro, pelo triplo. Sequer há interesse em utilizá-lo como moeda. Isso faz com que o bitcoin seja algo tão vazio quanto era o tal do Squid. Seu valor de mercado, de mais de US$ 1 trilhão, sustenta-se em nuvens – feitas de imaginação.

O bitcoin, e qualquer outra cripto do mercado, só vale algo porque há muita gente a fim de comprar com a esperança de que, no futuro, haja ainda mais gente a fim de comprar. E a história da economia mostra: a demanda por ativos vazios (tudo bem por aí, tulipas?) sempre foi um recurso finito. A eventual sobrevivência do próprio bitcoin no longo prazo seria a primeira exceção a essa regra em todos os tempos. Se quiser apostar em cripto, então, tenha isso em mente.

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