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Petrobras desencalha, balanços bombam, e o Ibovespa sobe 1,57%

E as bolsas americanas seguem rumo aos recordes pré-pandemia – já precificaram a vacina, então?

Por Juliana Américo e Alexandre Versignassi Atualizado em 11 ago 2020, 11h01 - Publicado em 5 ago 2020, 18h24

Monteiro Lobato, que lá nos anos 1930 era fissurado pela ideia de o Brasil produzir petróleo, deve estar comemorando lá no céu: a Petrobras fechou em alta de 6,52%, a R$ 23,20, uma faixa de preço que as ações preferenciais da companhia fundada por Getúlio Vargas em 1953 não namoravam desde o dia 06 de março.

Outra coisa que voltou no tempo justamente para o dia 06 de março foi o barril de petróleo do tipo Brent, negociado em Londres e que serve como referência global. Ele fechou a US$ 45,20, um valor ele também não experimentou nos últimos cinco meses. O petróleo do tipo WTI, negociado em Nova York e que é a grande referência nos EUA, seguiu na mesma toada: alta de 1,20% a US$ 42,20.

Essa virada nos valores do líquido preto é resultado do anúncio da redução dos estoques americanos (caiu o estoque, o preço sobe). De acordo com Departamento (ministério) de Energia dos EUA, na semana passada os estoques recuaram em 7,3 milhões de barris, ante uma expectativa de baixa de 1,8 milhão.

A subida do petróleo foi, obviamente, o gatilho para a alta da Petrobras. Mas não era o que estava acontecendo nos últimos dias. O brent já tinha subido 3% nesta semana, enquanto as ações da Petrobras acumulavam uma queda de 1,90%. Mas agora as ações da petroleira parecem ter ido em busca do tempo perdido, e destravaram de vez, levando o Ibovespa lá para cima: 1,57% de alta, a 102.801 pontos.

Não foi só o petróleo. Jorraram também balanços positivos. O grande destaque ficou para a Klabin. A fabricante de papel e celulose teve lucro operacional de R$ 1,3 bilhão no segundo trimestre – um crescimento de 39% em relação ao mesmo período do ano passado. O dólar em alta ajudou, já que boa parte da receita da companhia vem de exportações. Mas não foi só isso: a venda de papelão para embalagens também cresceu – natural, já que vendedores online, como a Amazon, que se deram bem com a pandemia; e isso aumentou a demanda por papelão.  

No fim, a Klabin ficou com o troféu de maior alta do dia na Ibovespa: 9,78%. Outras companhias que tiveram resultados fenomenais por conta de seus balanços positivos foram a Suzano, também de papel e celulose (7,60%), mais as administradoras de shoppings Iguatemi (7,76%) e Multiplan (8,03%). 

A Vale também garantiu o happy hour dos Faria Limers: alta de 2,45%. Quem está pagando a conta do bar, nesse caso, é o avanço no preço minério de ferro no porto de Qingdao, na China, que teve nova alta, ainda que tímida, de 0,19%. 

No fim, o fechamento da B3 ficou em linha com o exterior. O S&P 500, principal índice das bolsas americanas, encerrou em alta de 0,64%, a 3.327 pontos. Foi o quarto dia positivo em sequência – e agora o índice está a apenas 2% de seu recorde histórico. A Nasdaq, que subiu mais 0,52% hoje, já operava em recorde, e acaba de renová-lo, a 10.998 pontos. O Dow Jones subiu mais ainda, 1,39%, a 27.201 pontos  – sim, ele também está perto do recorde histórico, de 29,3 mil pontos, atingido no início de fevereiro.

O motivo é aquele de sempre “esperança de mais estímulos do governo americano para a economia”. Nós da VOCÊ SA, porém, vamos um pouco mais longe: aparentemente, as bolsas americanas estão precificando uma realidade em que a vacina já existe, funciona perfeitamente e o mundo inteiro já tomou. Mas normal: o mercado de ações é uma coisa meio Dark, a série alemã de viagem no tempo: trabalha com a realidade do futuro, não a do presente. Bom, que o otimismo se concretize. 

Ah, e o Copom cortou a Selic em mais 0,25%, a 2%, como 11 de cada 10 analistas esperavam. Tchau, renda fixa.  

Maiores altas:

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Klabin: 9,78%

Multiplan: 8,03%

Iguatemi: 7,76%

Suzano: 7,60%

BR Malls: 7,72%

Maiores baixas:

Hypera: -2,84%

Ambev: -1,64%

Cielo: -1,36%

Cemig: -0,81%

Sabesp: – 0,71%

 

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