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“Não tem arroz? Que comam Ibov 101k”  

É o que Maria Antonieta teria dito hoje, num dia em que o mercado subiu com quase tanta força quanto o companheiro do feijão

Por Juliana Américo e Tássia Kastner Atualizado em 9 set 2020, 20h15 - Publicado em 9 set 2020, 19h26

Não é sempre que dá para substituir pão por brioche. Pode ser que a máxima atribuída a Maria Antonieta seja aplicada pelo brasileiro na troca do arroz pelo macarrão nesse que é o mais recente problema econômico a deixar o investidor brasileiro um tanto ressabiado. Só que nem tudo pode ser substituído e isso ajuda a contar uma parte da história do dia de alívio nos mercados financeiros.

A sugestão de substituição de alimentos não veio da Bela Gil. Foi dada pelo presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), João Sanzovo Neto, após reunião com o presidente Jair Bolsonaro.

“Vamos estar promovendo o consumo de massa, macarrão, que é o substituto do arroz. E vamos orientar o consumidor que não estoque (arroz)”, disse Sanzovo Neto.

A fala é uma resposta a um tema bastante indigesto a investidores. Quando o consumidor começou a reclamar da alta de preços, Bolsonaro apelou ao patriotismo dos donos de supermercados e sugeriu que eles reduzissem a margem de lucro sobre produtos da cesta básica.

Investidor não substitui livre mercado por patriotismo, e o dia foi de piadas nas redes sociais.

Mas só deu para fazer piada porque as bolsas tiveram um típico dia de recuperação. Depois de três pregões de baixa, o investidor se agarra a uma notícia e volta a comprar ações. A da vez foi a negociação de um novo pacote de estímulo econômico nos Estados Unidos.

O índice S&P 500 subiu mais de 2,02% (3.399 pontos) e o Nasdaq saltou mais de 2,71% (11.141 pontos). A melhora refletiu até no Ibovespa porque aqui ninguém quer ficar abaixo de 100 mil pontos. A bolsa brasileira encerrou o dia com alta de 1,24% (101.292 pontos), e o dólar caiu abaixo de R$ 5,30 (R$ 5,2982) em baixa de 1,25%. 

Aqui, o salva-vidas veio das siderúrgicas: a prova de que há limites para brioches. Um relatório do BTG Pactual, citado pelo jornal Valor Econômico, apontou uma alta no preço do aço no mercado americano com sinais de aumento da demanda pela retomada da economia. A indústria brasileira já vinha reclamando da falta de material.

Resultado: entre as maiores altas do Ibovespa ficaram Usiminas (6,36%), CSN (4,98%), Metalúrgica Gerdau (4,93%) e Gerdau (4,27%). A Vale, que produz minério, também subiu, apesar da queda no preço do minério.

DE VOLTA AOS PREÇOS ALTOS

Mais cedo, o IBGE tinha traduzido em números o peso da cesta básica. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, subiu a 0,24% em agosto na comparação com julho. Esse é o maior resultado para o período desde 2016, quando o IPCA foi de 0,44%. No ano, o indicador acumula alta de 0,70% e, em 12 meses, de 2,44%.

Em resumo: em plena pandemia, o brasileiro lembrou que inflação existe. A maior variação veio dos transportes (0,82%), que passa pelo terceiro mês consecutivo de alta em um reflexo direto dos reajustes da gasolina. 

Mas foi a disparada da dupla arroz com feijão que assustou. Só o arroz subiu 3,08% só em agosto e acumula alta de 19,25% no ano. O feijão preto disparou 28,92% de janeiro a agosto. Também pesam na lista de compras o tomate (12,98%), o óleo de soja (9,48%), o leite longa vida (4,84%), as frutas (3,37%) e as carnes (3,33%).

A solução temporária do governo foi a redução do imposto de importação sobre o arroz que vem de fora do Mercosul. Com dólar alto e preço do arroz também em alta no mercado internacional, há poucos sinais de que isso trará grande alívio no curto prazo.

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Isso tudo enquanto a vacina não chega. Na terça, depois do fechamento dos mercados brasileiro e americano, a farmacêutica AstraZeneca anunciou a suspensão dos testes da vacina contra a covid-19, após um voluntário no Reino Unido apresentar uma reação adversa grave. A notícia deixou os investidores tensos, afinal, os resultados positivo nos testes em busca de uma vacina tem sido importante para o rali nos últimos meses. 

A suspensão afetou diretamente as ações de empresas de educação. Sem uma vacina, a volta das aulas presenciais pode até ocorrer, mas com o risco de ter vida curta. A Cogna liderou as perdas do dia, com uma queda de 4,07%, seguido pela Yduqs (-2,64%) e Ser Educacional (-1,49%). A Ânima foi a exceção, com uma ligeira valorização de 0,16%. 

E se a notícia já era ruim, piorou quando o IBGE mostrou que houve uma queda de 3,47% na inflação de educação. Resultado dos descontos que as instituições de ensino foram obrigadas a dar nas mensalidades enquanto as aulas ocorrem apenas no modo online. 

Maiores altas

Usiminas: 6,36%

CSN: 4,98%

Metalúrgica Gerdau: 4,93%

BTG Pactual: 4,46%

Cemig: 4,38%

Maiores baixas

Cogna: 4,07%

IRB Brasil: 3,13%

Gol: 2,70%

YDUQS: 2,64%

Embraer: 2,31%

Petróleo

Brent: 2,54%

WTI: 3,51%

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