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Mercado americano roça o pico histórico, mas perde o fôlego

S&P 500 chegou a operar a 3.380 pontos – recorde, alcançado em fevereiro, é de 3.386

Por Alexandre Versignassi e Luciana Lima Atualizado em 12 ago 2020, 11h27 - Publicado em 11 ago 2020, 18h38

O “Hillary Step” é um paredão de gelo com 12 metros de altura, no Everest. Ele fica 8.790 metros acima do nível do mar – só 50 metros abaixo do pico da montanha mais alta do mundo. É o último desafio dos alpinistas que tentam conquistar a montanha. E há quem desista ali, pertinho do pote de ouro, por não aguentar o tranco desse último degrau.

Foi o que aconteceu com as bolsas americanas hoje. O S&P 500, principal índice dos EUA, interrompeu um rali de sete altas consecutivas quando estava muito, muito perto de seu pico histórico. O recorde aconteceu no dia 19 de fevereiro, quando o índice fechou em 3.386 pontos. Hoje, 11 de agosto, ele chegou a 3.380. Mas não conseguiu se segurar. E fechados os pregões, tinha recuado 0,80%, a 3.333 pontos. 

Mas normal. Recuar na cara do gol é bem mais comum entre investidores do que entre alpinistas. Boa parte dos analistas americanos entende que se trata de um movimento natural. Muita gente (e fundos e bancos) estão vendendo ações que se valorizaram demais, e comprando outras que subiram de menos. 

Exemplo: hoje, pelos cálculos da Bloomberg, as empresas do setor de tecnologia que compõem o S&P 500 caíram em média -1,78%. Não por coincidência, essas foram as que mais subiram no rali de alta que vem desde abril. Já os setores industrial (alta de 0,53%) e bancário (1,30%), que tinham experimentado crescimentos mais tímidos, subiram. Mas não o bastante para manter o S&P 500 em alta.

O Ibovespa acompanhou o S&P 500 como um cachorrinho. Ensaiou uma alta no começo do dia junto com os EUA, por conta da vacina russa, ensaiou um retorno aos 104 mil pontos, mas depois brochou. Queda de 1,23%, a 102.174 pts.     

O efeito da vacina 

A notícia que marcou o dia foi, naturalmente, a vacina do Putin – a Rússia anunciou que vai começar a produzir em massa sua versão de uma vacina anti-Covid, e que ela estará disponível a partir do dia 1o de janeiro de 2021.      

Ninguém em sã consciência acredita que a vacina russa possa ser mesmo a panaceia, já que a fronteira entre propaganda política e ciência tem ficado mais tênue, especialmente em regimes com tendências autocráticas (oi, cloroquina). Mesmo assim, é um anúncio de vacina – e indica, de alguma forma, que outras mais confiáveis podem sair logo.

Foi ela, então, que impulsionou o S&P 500 para o seu Hillary Step – ainda que não tenha tido “força” para fazer o índice americano chegar o pico de fato, ou fazer com que a B3 retomasse a escalada rumo ao Ibov110K.

Mas a notícia bastou para dar um nocaute no ouro: queda de -5,53%, a maior para um único dia em sete anos. O ouro, afinal, é a reserva de valor de quem aposta no apocalipse. A queda pode ser efeito da vacina russa, já que notícias de viés positivo para a economia como um todo têm o efeito imediato de derrubar o ouro.

Outro efeito imediato da vacina foi dar um gás nas aéreas. A Lufthansa, maior da Europa, fechou em alta de 6,39%. Latam e Avianca da Colombia, que negociam suas ações nos EUA, subiram em torno de 5%. Gol e Azul, as aéreas do Ibovespa, também voaram alto: 8,45% para a primeira, 6,34% para a segunda. A CVC, operadora de turismo, idem: 6,39%, já que uma vacina é tudo o que eles querem do Papai Noel. Bacana. Só resta ver se não será um voo de galinha.

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Maiores altas

GOL: + 8,45%

CVC: + 6,39%

Azul: + 6,34% 

IRB: + 6,27% 

Hering: + 5,25% 

Maiores baixas 

Cosan: -3,43% 

Braskem: -3.25% 

Sabesp: -3.15%

Vale: -3.09%

Equatorial Energia: -2.80% 

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