Ibov fica rico, fica pobre, fica rico e aí fica pobre: 98 k

É o que João Grilo diria se tivesse visto a bolsa hoje. B3 fecha no menor patamar em quase dois meses com liquidação nos EUA

Sobe bolsa, cai bolsa. Ganha 1k, perde 2,5k. “Estou cansado dessa agonia de fica rico, fica pobre, fica rico, fica pobre”, bem dizia João Grilo em O Auto da Compadecida. Os 101 mil pontos do Ibov da quarta não se sustentaram nesta quinta e, mais uma vez, a bolsa perdeu o simbólico patamar de 100 mil pontos. Caiu 2,43% e fechou em 98.834 pontos.

O roubo da porca ficou por conta do petróleo, da falta de acordo para um novo pacote de estímulos nos EUA e das big techs (de novo!). Por aqui, levou o índice ao menor patamar de fechamento desde 13 de julho. Quando parecia que o pior havia ficado para trás, mais uma surpresa. A B3, afinal, não é uma bolha e foi de arrasto com o novo tombo das bolsas americanas nesta quinta.

Desde o começo do mês, a volatilidade das ações das gigantes de tecnologia tem sido custosa para as gringas. Se em um dia se crava recordes nas alturas, no seguinte pode vir um tombo proporcional. E assim como não há motivos pontuais para a subida neste momento, também não parece haver para a queda.

Somente em 2020, o Nasdaq cresceu cerca de 30% em valor absoluto, quando comparado com o fechamento do ano de 2019. Mas qual o problema?, você me pergunta. Uma pandemia sem precedentes na história do mundo contemporâneo que levou as bolsas mundiais a queda astronômicas? Talvez. Se as baixas dessas ações for para compensar todas as altas do ano (Apple 53,7%, Amazon 70,5%, Tesla 500%), não vai estabilizar tão cedo. Wall Street que lute.

Mas, amanhã. Porque hoje ficou no vermelho mesmo: S&P 500 caiu 1,77%, Dow Jones recuou 1,45% e o Nasdaq perdeu 1,99%.

Havia quem apostasse em um alívio com um novo pacote de estímulo à economia americana, que estava em discussão no Congresso. Os senadores republicanos, no entanto, não conseguiram votos suficientes para abrir os cofres americanos para estimular economia.

E parece que ainda é preciso mais ajuda por lá. Na quarta, os investidores falavam em recuperação rápida da economia, que teria permitido até a alta no preço do aço. O petróleo foi um balde de água fria. O Departamento de Energia (DOE) dos Estados Unidos informou hoje (10) que a quantidade de barris estocados no país aumentou 2 milhões na semana encerrada em 4 de setembro; especialistas esperavam uma queda de 1,2 milhão.

Nos EUA, os papéis de energia e petróleo caíram e sustentaram as perdas das bolsas que já estavam mal. Por aqui, com a Petrobras, não foi diferente: 2,68% pré-sal abaixo, junto o Ibovespa e os preços dos barris. O tipo Brent, negociado na Europa para novembro, teve queda de 1,79%, enquanto o WTI para outubro, vendido nas bolsas americanas, desceu mais: 1,97%.

Caso Pão de Açúcar

Como o índice da Bolsa de Valores não é feito só de baixas, falemos das altas.

O Grupo Pão de Açúcar entrou na onda de fazer a cisão de um de seus negócios em uma unidade separada na bolsa. O anúncio da “destravada do valor” do atacarejo (isso mesmo, um belíssimo neologismo de atacado + varejo) Assaí, levou à disparada surpreendente das ações da rede na B3. Uma alta de nada mais do que 14,80%.

Muito mais humilde foi a subida da GOL, em resposta ao aumento gradativo na oferta de voos, com doses de otimismo sobre uma recuperação da demanda. Em agosto, a empresa anunciou que foram feitos, em média, 190 voos diários e para setembro é esperado chegar em 300. Resultado: mais 2,07% em valor de papéis.

E as frigoríficas, para onde vão com essas altas? Para a China, claro. O aumento das exportações em agosto foi de 9,5%, em relação ao ano anterior, sugerindo uma boa recuperação do país asiático e mais exportações para o futuro próximo. Nisso, BRF, JBS e Minerva se recuperaram um pouco depois de algumas semanas de cabeça baixa (como você pode ver lá embaixo).

Se o Ibov fica rico, fica pobre, fica rico, fica pobre, o mesmo não pode se dizer que quem anda vendendo comida. Então por que essas empresas deram uma escorregada nos últimos dias? Não sei, só sei que foi assim.

MAIORES ALTAS

Pão de Açúcar: 14,80%

BRF: 3,72%

JBS: 2,41%

GOL: 2,07%

Minerva: 2,05%

 

MAIORES BAIXAS 

Localiza: 5,38%

Renner: 4,42%

Petrorio: 4,16%

Hapvida: 4,09%

Sabesp: 3,95%

Dólar: + 0,39%, a R$ 5,32

 

Petróleo 

Brent: -1,79%, a US$ 40,06 o barril

WTI: -1,97%, a US$ 38,05 o barril

 

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