9 dicas para manter a vida social sem prejuízo financeiro

Siga este passo a passo indicado por especialistas para economizar e sair sem ressaca financeira

Depois de um divertido período na mesa do bar com colegas do trabalho, chega enfim a conta. Alguém sugere “rachar por igual”. Você, contrariado, calcula mentalmente quanto gastou e percebe que foi bem menos do que aquela divisão propõe. Como não quer ser antipático, paga sem contestar — mesmo que isso signifique acabar o mês no vermelho

Um estudo publicado recentemente no Journal of Personality and Social Psychology mostrou que você não está sozinho nessa. Segundo a pesquisa, pessoas cordiais têm maior probabilidade de enfrentar problemas financeiros. A razão, dizem os acadêmicos, é que indivíduos assim valorizam encontros sociais mais do que dinheiro. 

Para Elaine Pisaneschi, diretora da Crowe, consultoria de finanças, a única saída para quem possui esse tipo de perfil é planejar antes os gastos com diversão. “As contas de restaurantes e happy hours acabam não entrando no orçamento, porque são esporádicas, diz. “Mas isso é um erro. O ideal é que a vida social ocupe em torno de 10% da renda líquida mensal e, jamais, ultrapasse 30%.”

Quando se mudou para São Paulo para fazer faculdade, a publicitária paranaense Angelita Oliveira, de 31 anos, não se preocupava com as finanças. Ao ser chamada para um evento, aceitava sem pestanejar e passava tudo no cartão. Até que entrou no cheque especial e contraiu uma dívida no cartão de crédito que passou a tirar seu sono. Desesperada, pediu ajuda a um amigo economista e foi estudar sobre finanças pessoais.

Em seis meses, ela colocou todos as despesas no papel, determinando um  limite de 10% do salário para gastos sociais. Também mudou sua conta para um banco digital que não cobrava taxas e passou a investir. Hoje, virou consultora da turma. “Quando colegas me procuram, sugiro que calculem o valor da hora de trabalho. Quanto levam para ganhar 100 reais? Ao fazer essas contas, pensam melhor antes de gastar mal”, diz.

A boa notícia é que ninguém precisa sumir do mapa. Encontrar pessoas é uma excelente maneira de fazer net­working, alimentar-se de ideias e se manter informado. O segredo é fazer isso sem enfrentar ressaca financeira no dia seguinte. Veja, a seguir, como conseguir tal feito em nove passos. 


1. Valorize preferências

Antes de cortar a diversão, entenda o que realmente o energiza e o ajuda a manter o ânimo para enfrentar as agruras diárias. Liste suas atividades de lazer preferidas, avalie a frequência que gostaria de realizá-las e faça projeções de quanto isso custaria. “Com esse cálculo em mãos, é possível entender, de verdade, o peso dessa escolha para o orçamento. Isso ajuda a tomar decisões mais pragmáticas”, afirma Cristiane Mazotto, assessora de investimentos da WFlow Advisors e consultora de carreira da Lee Hecht Harrison. Se o que o faz feliz é comer fora aos finais de semana, consulte o extrato do banco e some quanto gastou com esse tipo de saída no último mês. “Se o valor estiver acima do desejado, diminua a frequência desses programas ou os substitua por uma versão mais barata”, orienta a especialista.


2. Esteja à frente das escolhas

Depender de seus amigos para definir o lugar de confraternização pode significar gastar muito mais do que pretendia na noite. Parece bobagem, mas participar do processo decisório faz toda a diferença. “Se deixarmos que os outros escolham, corremos o risco de fazer programas caros. Economizar exige esforço e dá trabalho. Mas entrar na conta bancária e ver que está no azul compensa esse esforço”, afirma Débora Helena Ribeiro Soares, coach financeira. Angelita faz exatamente isso. “Sempre que começam as conversas sobre o que fazer no final de semana, pesquiso antes e sugiro as opções mais econômicas. Se a ideia é ir para a balada, procuro aquelas que consigo colocar o nome na lista para obter descontos ou as que não cobram entrada até as 23 horas, por exemplo”, diz.


3. Use a tecnologia

Existem diversos aplicativos que ofertam vantagens aos amantes da gastronomia. O mais famoso deles é o Primeira Mesa, que permite fazer reserva de mesas em restaurantes e bares de mais de 110 cidades brasileiras em horários de menor movimento — entre 11h30 e 12h30 e entre 18h30 e 20h — com descontos de até 50% nas refeições para grupos de até seis pessoas. Para usar a tecnologia, paga-se uma taxa de 5 reais por pessoa na reserva, o que, na conta final, em geral compensa. O app DuoGourmet também é interessante: oferece aos usuários promoções “dois em um” em mais de 470 estabelecimentos em oito cidades, como Belo Horizonte, Recife, São Paulo e Rio de Janeiro: na compra de um prato, leva-se outro (com valor equivalente) de graça.


4. Limite os meios de pagamento

Deixar os cartões de crédito em casa e sair apenas com o dinheiro previsto para gastar é uma forma de segurar o impulso na empolgação. “Além de procurar locais com comandas separadas, reservo um valor, normalmente de 50 reais. Tomo um drinque ou algumas cervejas e pronto”, afirma 

Angelita, a publicitária que virou guru da turma baladeira. E ela está certa. Estudos de economia comportamental mostram que pagar com notas em reais dói mais do que usar cartões. Cristiane Mazotto explica que isso ocorre porque o ser humano tem aversão à perda. “Se você tira o dinheiro da carteira enxerga quanto está gastando. A sensação de supressão financeira é maior”, diz. Quando não consegue sacar dinheiro, a fotógrafa paulistana Bruna Bento, de 25 anos, tem um truque. Ela registra cada centavo gasto no bloco de notas do celular.

“Desta forma, visualizo tudo. Se eu gastar demais num dia, sei que não vou poder gastar pelo resto da semana. Isso me ajuda a manter o controle”, diz.


5. Faça você mesmo

Vai comer fora? Avalie se não vale a pena promover um encontro em casa — isso funciona inclusive para aquela happy hour com o pessoal do trabalho. Como os preços de pratos e bebidas em restaurantes embutem a folha de pagamentos dos funcionários, além de aluguel do imóvel, água, luz, telefone e impostos, gasta-se menos cozinhando por conta própria. Especialistas sugerem que o dono da casa faça o jantar enquanto os convidados fornecem as bebidas e os petiscos para beliscar. Na próxima celebração, trocam-se as funções. “É importante envolver a turma nesse processo, deixando claro que o objetivo é economizar sem deixar de se divertir. Ao conscientizar o pessoal fica mais fácil”, afirma Cristiane Mazotto. Para baratear festas de aniversário, por exemplo, sobretudo as infantis, aposte na moda do “faça você mesmo”. Existem inúmeros tutoriais na internet, em canais como os do YouTube, ensinando alternativas divertidas para decoração e alimentação. Outra dica é comprar bebidas em “atacarejos”, onde é possível encontrar valores até 50% mais baratos do que os cobrados nos mercados tradicionais. 


6. Se não tem colírio, vá de óculos escuros

A modelo Karol Christine Jordão, de 32 anos, sugere fazer substituições: em vez de passeios no shopping que exaltavam o consumismo, agora ela faz piqueniques no parque ou sessões de cinema em casa nos fins de semana. “Com a quantidade de filmes disponíveis em plataformas como Amazon Prime Video e Netflix, não é preciso gastar com ingressos, pipoca, refrigerante”, diz. Quando a filha, de 11 anos, deseja assistir a um lançamento, Karol pesquisa o dia da semana em que os tíquetes custam a metade do preço — grandes redes costumam baratear as entradas de segunda-feira a quarta-feira. Já a tática de Angelita é procurar ingressos com descontos, oferecidos por bancos e operadoras de telefonia. Outra alternativa para economizar no cinema é investir nas próprias guloseimas. Em 2016, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) entendeu que cinemas que proíbem a entrada de comida praticam venda casada e limitam a liberdade de escolha do cliente. Ou seja, está liberado levar pipoca ou doces de casa.


7. Compartilhe

Hoje dá para encontrar de tudo um pouco na rede: de brinquedos a roupas, passando por livros. Além de aplicativos de compartilhamento como Tem Açúcar?, Tradr e Casa 247, existem vários grupos de trocas de objetos, de diferentes cidades, espalhados pelo Facebook. Vai a uma festa e quer usar uma roupa diferente daquelas que estão em seu armário? Busque bazares ou grupos em que você possa barganhar as peças que não usa mais por novos itens. Angelita e sua turma, por exemplo, criaram um grupo de WhatsApp para vender e trocar roupas entre si. Além de ser uma opção de moda sustentável, você ainda pode fazer um dinheiro extra.


8. Garimpe o grátis

As opções não se resumem a parques e praças. Todos os museus públicos oferecem pelo menos um dia de entrada gratuita a seus visitantes. Além disso, as capitais costumam ter programação cultural com shows, peças de teatro e exposições sem cobrança de entrada. “Sigo newsletters que dão dicas de eventos gratuitos”, afirma Bruna Bento, fotógrafa de São Paulo. Sites de prefeituras também costumam ser boas fontes para quem procura cursos e atividades esportivas sem custo. Outra sugestão é usar aplicativos como o Mude, que disponibiliza aulas gratuitas (de ioga a zumba) em parques públicos de São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia, Florianópolis, Brasília e Santos.


9. Jogue limpo

Sair frequentemente com amigos que ganham

mais do que você é viver com a eterna sensação de que vai precisar pedir apenas uma saladinha e um copo de suco durante toda a noite. Isso se não tiver de sair mais cedo para pagar sua parte antes que todos sugiram rachar a conta. De acordo com Elaine Pisaneschi, diretora da Crowe, o melhor é abrir o jogo e ser transparente sobre as limitações. O mesmo cuidado vale para as viagens em grupo. Como sempre há alguém que pode gastar mais, o correto é combinar antes qual será o esquema para evitar constrangimentos depois.   

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