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Repensar o capitalismo é a proposta deste livro sobre economia circular

Catherine Weetman propõe um manual prático sobre o conceito de circularidade, com estratégias para ideias inteligentes, sustentáveis e lucrativas.

Por Monique Lima Atualizado em 4 dez 2020, 09h18 - Publicado em 5 dez 2020, 11h00

Nos últimos 50 anos, a população mundial dobrou. Nesse mesmo período, destruímos cerca de 60% dos ecossistemas do nosso planeta. O consumo desenfreado e os modos de produção tradicionais consomem por ano, em recursos naturais, o equivalente a um planeta e meio. Se não for repensando com urgência, o capitalismo pautado na extração e descartas nos levará ao colapso.

Em Economia Circular, a pesquisadora Catherine Weetman, que há 25 anos atua desenvolvimento de estratégias e processos sustentáveis para empresas como Kelloggs e DHL, defende que os modelos de negócios precisam ser revistos com urgência e propõe um manual prático para quem deseja entender o conceito de circularidade e conhecer estratégias de empresas que conseguiram implementá-lo com ideias inteligentes, sustentáveis e lucrativas.

Leia, a seguir, trechos do livro selecionados com exclusividade por VOCÊ S/A.

TRECHO DO LIVRO

Introdução

(…) A economia circular é muito mais ambiciosa do que a reciclagem de materiais, ou “zero lixo para os aterros sanitários”. Ela amplia a cadeia de valor para abranger todo o ciclo de vida do produto, do início ao fim, incluindo todos os estágios de fornecimento, fabricação, distribuição e vendas. Pode envolver o redesign do produto, o uso de diferentes matérias-primas, a criação de novos subprodutos e coprodutos e a recuperação do valor das antigas sobras dos materiais usados no produto e no processo. Pode significar venda de serviços em vez de venda de produtos, ou novas maneiras de renovar, reparar ou remanufaturar o produto para revenda. De tudo isso resulta novo jargão de negócios para descrever essas “inovações disruptivas” (…)

O que é?

O insigne consultor de empresas Peter Drucker, escrevendo em 1992, prosseguiu para afirmar: “E as pessoas nascidas nesse novo mundo nem podem imaginar o velho mundo em que seus avós viveram e em que seus próprios pais nasceram”. Nas últimas décadas, podemos ver muitas mudanças revolucionárias na maneira como vivemos, trabalhamos e nos comunicamos. A economia linear que emergiu das revoluções industriais anteriores, baseadas em extrair, produzir e descartar, está sendo substituída pela economia circular. As empresas reconsiderarão como desenham laptops, móveis, tênis, telefones móveis, produtos de limpeza e até jeans. Em vez de vender e esquecer os produtos, as empresas usarão os produtos como oportunidades para a contínua criação de valor e para relacionamentos duradouros e contínuos com os clientes (…).

Não tenho um telefone móvel; em vez disso, alugo um de uma empresa que o concebeu para ser atualizável, customizável e fácil de reparar ou remanufaturar. Não mais compro lâmpadas elétricas, compro iluminação LED como serviço, e a empresa que vende esse serviço de iluminação garante que as lâmpadas LED funcionem de maneira confiável durante muito tempo. Empresas grandes e pequenas, em todo o mundo – empresas globais tradicionais e startups disruptivas – estão inovando os modelos de negócio e os designs de produtos, com o propósito de aproveitar as oportunidades fantásticas de comercializar com as “classes consumidoras” em rápido crescimento, de garantir acesso aos recursos futuros e de tornar seus negócios “à prova de futuro”. (…)

Antecedentes

A partir dos anos 1970, constata-se cada vez mais que muitos dos recursos de que dependemos para a nossa sobrevivência são finitos ou estão sujeitos às restrições impostas pela velocidade de renovação ou pela disponibilidade de terras.

Em nossos ambientes urbanos, é fácil esquecer que a Terra e seus sistemas vivos fornecem tudo o que usamos ou consumimos – alimentos, ar, água, habitação, roupas, transporte – tudo. Rachel Carson, em seu livro Silent Spring (1962) [ed. bras. Primavera silenciosa, tradução Cláudia Sant’Anna Martins, Gaia, 2013], promoveu a conscientização do público quanto ao meio ambiente e a destruição da vida silvestre, em consequência do amplo uso de pesticidas. A imprensa a condenou, e a indústria química até tentou proibir o livro.

A economia circular se inspira na natureza, onde o resíduo de uma espécie é o alimento de outra.

Desde 1950, as práticas agrícolas mudaram em muitos países desenvolvidos, usando fertilizantes sintéticos e técnicas de irrigação para conseguir enormes aumentos no rendimento das safras.

Além disso, a população humana manteve o rumo de crescimento exponencial, com cada vez mais gente e cada vez mais consumo. No século XX, enquanto a população quadruplicou, o produto interno bruto (PIB) e o consumo aumentaram por um fator de vinte. Muitos outros indicadores de consumo e desenvolvimento mostram a mesma tendência de crescimento exponencial a partir da década de 1950.

Quando os efeitos da “Grande Aceleração” começaram a se manifestar, cientistas e instituições passaram a questionar nossas maneiras tradicionais de vender e consumir produtos. É possível encontrar mais informações a esse respeito no site do Fórum Econômico Mundial.

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O economista e teórico de sistemas Kenneth Boulding descreveu as questões de sistemas abertos e fechados, em termos de economia e de recursos. Ele especula se o primeiro fator a limitar o crescimento seria não ter espaço para armazenar os resíduos e a poluição, antes de ficar sem matérias-primas.

“Los Angeles se tornou irrespirável, Lake Erie virou uma cloaca, os oceanos estão contaminados por chumbo e DDT, e a atmosfera pode tornar-se nosso maior problema na próxima geração, se mantivermos a intensidade com que a estamos poluindo.”

Ele defendeu que mantivéssemos o foco na preservação de nossos estoques de recursos e promovêssemos a mudança tecnológica para reduzir a produção e o consumo. À medida que melhorávamos as técnicas de mineração, extração e fabricação, os custos dos recursos caíam drasticamente, apesar de alguns aumentos pouco duradouros, resultantes de guerras e de fatores geopolíticos. Durante o século XX, os preços se reduziram à metade.

A economia circular é muito mais ambiciosa do que a reciclagem de materiais, ou zero lixo para os aterros sanitários. Ela amplia a cadeia de valor para abranger todo o ciclo de vida do produto, do início ao fim, incluindo todos os estágios de fornecimento, fabricação, distribuição e vendas.

Ao entrarmos no século XXI, ocorreu um ponto de virada, e a tendência declinante converteu-se em trajetória ascendente acentuada, que os consultores da McKinsey descreveram como um “século de queda de preços, que se reverteu numa década”. Descobrimos e exploramos toda a “facilidade de obter” coisas. Pior ainda, os preços estão nas condições mais voláteis, desde o “choque de petróleo” da década de 1970, e frequentemente um choque num recurso se transmite aos demais.

As previsões sugerem mudança de patamar na demanda global entre 2010 e 2030, na medida em que 3 bilhões de novos consumidores se juntam às “classes médias”, com renda suficiente para adquirir um smartphone, mais alimentos processados e carne, melhores condições de habitação e talvez até passar as férias no exterior.

Esse rápido crescimento da demanda, além das dificuldades de encontrar fontes de materiais eficazes e econômicas e de enfrentar os desafios ambientais, pressionam ainda mais os custos dos suprimentos.

Além disso, também enfrentamos os grandes desafios da pobreza e da desigualdade, com mais de um bilhão de pessoas carecendo de acesso seguro a alimentos, água e energia. As pressões crescentes da demanda, associadas aos desafios da oferta de recursos e à saúde dos sistemas vivos de que dependemos para a limpeza da atmosfera, a segurança da água e o acesso a alimentos, madeira, polinização e medicamentos significam que precisamos reconsiderar nossos sistemas. (…)

Economia circular

(…) A economia circular se inspira na natureza, onde o resíduo de uma espécie é o alimento de outra, e a soma fornece energia. A Economia Circular “movimenta em ciclos materiais e produtos valiosos, produzindo-os e transportando-os usando energia renovável”. Princípios:

1 – Resíduos = alimentos: nos sistemas vivos não existe essa coisa de “resíduos” – os resíduos de uma espécie se tornam alimentos de outra espécie. Um coelho morto é devorado por mamíferos ou pássaros predadores, e o que sobra é absorvido como nutriente pelo solo. Podemos reduzir os resíduos, redesenhando os produtos para que sejam reutilizados ou desmontados no fim da vida, mantendo sempre os produtos e os materiais em seu mais alto patamar de valor.

2 – Construa a resiliência por meio da diversidade: esse princípio usa a natureza como modelo, explicando que os sistemas vivos são diversificados, com muitíssimas espécies diferentes ajudando a sustentar o ecossistema contra os choques (p. ex., secas e enchentes). A natureza tem vasto conjunto de recursos, e pode compartilhar suas forças, promovendo a saúde total do sistema e criando resiliência. Empresas, países e sistemas econômicos podem explorar a diversidade para desenvolver resiliência e recursos.

3 – Use energia renovável: a economia circular envolve muitos atores que atuam juntos, gerando fluxos eficazes de materiais e informação, com todos os seus elementos cada vez mais impulsionados por energia renovável.

4 – Pense em sistemas: olhando para as conexões entre ideias, pessoas e lugares, de modo a criar oportunidades para as pessoas, os negócios e o planeta.

Autêntica Business/Divulgação

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