Clique e Assine a partir de R$ 9,90/mês
Guru Perguntas & Respostas

Dá para perder dinheiro na renda fixa?

Ô se dá. Há pouco tempo, até investimento que não caía nem se entrasse num ringue com o Mike Tyson acabou tombando.

Por Alexandre Versignassi Atualizado em 18 out 2021, 09h03 - Publicado em 27 nov 2020, 16h18

Até o investimento favorito das reservas de emergência, que nunca cai, já caiu. Aconteceu em 2020. Estamos falando do Tesouro Selic – o título público que paga, bom, a Selic, mais um chorinho*, e que é a fonte do rendimento dos fundos DI. No começo daquele ano, esse chorinho estava em 0,02% anuais.

Quando você compra o título, essa rentabilidade fica garantida para você, mas só no ato do vencimento. Os títulos Tesouro Selic à venda neste ano vencem no dia 1o de março de 2025. Se você comprou um desses em janeiro por, digamos, R$ 10 mil, vai ganhar a Selic acumulada daqui até 2025 mais um extra de 0,02% para cada ano, faça chuva ou faça sol (e sacar uns R$ 11 mil). Se você tiver de vender antes, porém, não tem essa garantia. E se fizer MUITA chuva na economia, você pode perder dinheiro.

Foi o que aconteceu entre setembro e outubro de 2020. Por causa do seguinte: título público é algo que o governo federal emite para se financiar. Quando você compra um, está emprestando dinheiro ao governo, e ele se compromete a devolver pagando a Selic mais um pouquinho.

Mas neste ano deu um problema. Com o turbilhão de gastos extras com a crise da covid, o governo emitiu toneladas de novos títulos do Tesouro Selic. E o mercado ficou saturado.

Esse mercado é formado basicamente por bancos, que compram os títulos para fazer sua própria poupança e abastecer seus fundos. Bom, os bancos cansaram de comprar esses títulos. Acharam que já estavam com os cofres cheios demais, de tanto que o governo estava lançando.

O que o governo fez, então? Lançou títulos novos pagando juros maiores para atrair compradores. Aqueles juros, que no começo do ano eram de Selic +0,02%, chegaram a Selic +0,37%. A diferença não é pouca: o chorinho agora era 18 vezes maior.

Bom, quando você precisa vender um título antes do vencimento, o sistema do Tesouro Direto coloca o papel à venda no mercado. Mas o mercado estava se refestelando com esses títulos novos, mais gordos, de até Selic +0,37%. Nisso, um título Selic +0,02% vira lixo. Para vendê-lo, só com um bom desconto.

E foi o que aconteceu. Quem tinha pagado R$ 10 mil no título no começo do ano e colocou à venda em certos momentos entre setembro e outubro recebeu R$ 9.955 (-0,46%). Nisso, vários fundos DI ficaram no negativo também, já que eles vendem títulos nesse tempo para bancar os saques dos clientes. As quedas aí foram menores, coisa de 0,10% – eles não saem vendendo o patrimônio inteiro do fundo, afinal. Mas existiram. Mais um fenômeno deste 2020 insólito.

Continua após a publicidade

Publicidade

Essa é uma matéria exclusiva para assinantes. Se já é assinante, entre aqui. Assine para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Essa é uma matéria fechada para assinantes e não identificamos permissão de acesso na sua conta. Para tentar entrar com outro usuário, clique aqui ou adquira uma assinatura na oferta abaixo

Tempo é dinheiro. Informação, também. Assine VC S/A e continue lendo.

MELHOR
OFERTA

Digital

Plano ilimitado para você que gosta de acompanhar diariamente os conteúdos exclusivos no site e ter acesso a edição digital no app.

Análises completas sobre o mercado financeiro e cobertura diária do fechamento do mercado.

a partir de R$ 9,90/mês

ou

30% de desconto

1 ano por R$ 82,80
(cada mês sai por R$ 6,90)

Impressa + Digital

Plano completo de VC S/A. Acesso aos conteúdos exclusivos em todos formatos: revista impressa, site com notícias e revista no app.

Análises completas sobre o mercado financeiro.

Cobertura diária do fechamento do mercado.

Receba mensalmente a VC S/A impressa mais acesso imediato às edições digitais no App VC S/A, para celular e tablet.


a partir de R$ 12,90/mês