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Clara Cecchini

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Especialista em aprendizagem organizacional e inovação, e fundadora do Centro Brasileiro de Design de Aprendizagem.

Augmentation: a revolução de homem + máquina 

Guarde esse novo termo em inglês. Significa melhorar o desempenho, a criatividade e a tomada de decisão ao integrar recursos tecnológicos.

Por Clara Cecchini
9 mar 2025, 08h00
Um cérebro de vidro colorido iluminado sobre um fundo de cubos que são como interruptores iluminados.
 (Jonathan Kitchen/Getty Images)
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A velocidade com que termos em inglês aparecem e somem seria surpreendente, não fosse ela mesma um retrato fiel do que estamos vivenciando: a necessidade constante de dar sentido a novos fenômenos – e, claro, o desejo de impressionar nas redes sociais com palavras de impacto.

O betterment burnout nos faz lembrar como foi duro aprender a pronunciar burnout e, pronto, já complicou de novo. Justo nós, que assistimos curiosos ao desfile da great resignation e do quiet quitting, mas sempre mais preocupados com a saúde do nosso mercado de trabalho – e com a nossa própria empregabilidade.

É como se tivéssemos FOMO de trocar o VUCA pelo BANI – e o JOMO, coitado, nunca nem tivesse chance.

Brincadeiras à parte, cada termo desses dá conta de um fenômeno mais ou menos importante, mais ou menos efêmero. Mas hoje quero chamar a atenção para um desses termos que, por ser menos sexy, talvez não esteja no seu glossário de curiosidades: augmentation. 

Conceito é explorado no Future of Jobs 2025

Augmentation é o uso estratégico de tecnologias para amplificar as capacidades humanas em vez de substituí-las. Diferente da automação – que visa eliminar tarefas humanas –, augmentation foca em melhorar o desempenho, a criatividade e a tomada de decisão dos profissionais ao integrar recursos tecnológicos aos processos cognitivos e operacionais. Poderia ser traduzido para o português como “aumento”, “ampliação” ou “potencialização”, mas o uso desses termos ainda não adquiriu o sentido completo e específico do original em inglês. 

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O relatório Future of Jobs 2025, do Fórum Econômico Mundial, explora a dimensão do augmentation, destacando as tendências mapeadas e os desafios projetados para os próximos cinco anos.

Na análise do impacto das macrotendências, a “ampliação do acesso digital” é a que mais criará e eliminará empregos – 19 milhões e 9 milhões, respectivamente, o que deixa um saldo positivo de 10 milhões de empregos criados. A esta altura, já sabemos que há uma lacuna de habilidades, que impede uma movimentação direta de trabalhadores entre os empregos eliminados e os criados, demandando importante esforço de requalificação. 

Desenvolver novas habilidades é, portanto, essencial. Mas não suficiente: é preciso compreender o novo contexto do trabalho, e por isso é tão importante entender o que é augmentation e como influencia a sua realidade. 

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O Future of Jobs 2025 ressalta: “A interação entre humanos, máquinas e algoritmos está redefinindo as funções de trabalho em todos os setores. Espera-se que a automação impulsione mudanças nas formas de trabalho das pessoas, com a expectativa de que a parcela proporcional de tarefas realizadas exclusiva ou predominantemente por humanos diminua à medida que a tecnologia se torna mais versátil.” (p. 26). 

Na mesma página do relatório, um gráfico demonstra a diferença da estimativa de tarefas a serem realizadas por humanos, por máquinas e por uma combinação de ambos, comparando 2025 e a projeção para 2030. Enquanto as tarefas realizadas apenas pela tecnologia sobem de 22% para 34%, as realizadas apenas por humanos caem de 47% para 33%. As combinadas saem de 30% para 33%, resultando em uma projeção de divisão quase homogênea entre as três modalidades em 2030. 

Para otimizar o trabalho humano

Mas a grande questão não é apenas quantas tarefas serão feitas por humanos ou máquinas, e sim como o valor gerado será distribuído entre elas – e o que isso significa para a sustentabilidade do trabalho no longo prazo.

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“É nesse contexto que a relevância da terceira categoria/abordagem, a colaboração homem-máquina (ou “aumento”), deve ser destacada: a tecnologia poderia ser projetada e desenvolvida de forma a complementar e aprimorar, em vez de substituir, o trabalho humano (…). As estratégias de desenvolvimento de talentos, requalificação e aprimoramento de habilidades podem ser projetadas e fornecidas de forma a permitir e otimizar a colaboração homem-máquina. São as decisões de investimento e as escolhas de políticas feitas hoje que moldarão esses resultados nos próximos anos.” (Future of Jobs 2025, p.27)

Atuando como educadora no mundo corporativo, lido com profissionais que precisam de conhecimento para solucionar desafios concretos. Muitas vezes, a demanda é por uma receita, que não temos em momentos de tamanha transformação. Por isso, reforço sempre a ideia de “conceitos acionáveis”, que vêm da teoria para nos ajudar a ler o mundo e construir novas possibilidades de ação sobre ele. Essa é a essência do aprendizado mais significativo hoje. 

Augmentation é um ótimo exemplo de conceito acionável, que é de simples entendimento, mas, a partir do momento em que é incorporado, torna-se uma chave de leitura da complexidade, de interpretação das mudanças em andamento. É relevante tanto para profissionais técnicos quanto para líderes. Os primeiros precisam compreender como a colaboração com as máquinas impacta sua área de expertise, e como pode aumentar a sua entrega de valor. Para líderes, significa mais do que simplesmente incorporar novas ferramentas: trata-se de ampliar o olhar para além do curtíssimo prazo e repensar modelos de trabalho, métricas de desempenho e até os critérios de sucesso em suas equipes – para que a tecnologia realmente potencialize as pessoas, e não apenas os números.

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Se há uma certeza, é que compreender o que é augmentation não vai te dar todas as respostas. Mas certamente recorta um novo campo de perguntas – que possibilita que você crie soluções e abra caminhos relevantes ao momento em que vivemos.  

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