Autor ensina a reverter o hábito de adiar tarefas em novo livro interativo

O escritor Petr Ludwig, explica como a neurociência e a economia comportamental podem ajudá-lo a se livrar do hábito de procrastinar atividades

Deixar para depois, adiar, postergar, procrastinar. São todos sinônimos da mesma ação: não realizar as tarefas, deliberadamente, por falta de disposição. Depois de perceber que esse era seu maior inimigo, o tcheco Petr Ludwig, formado em tecnologia da informação, decidiu explorar a fundo as causas do fenômeno, com o objetivo de vencê-lo.

Em 2013, ele criou uma comunidade online para combater a procrastinação, a procrastination.com. O sucesso foi tanto que Petr se tornou consultor de grandes empresas. Seu primeiro livro, O Fim da Procrastinação, foi traduzido para 15 idiomas e virou best-seller internacional, com mais de 100 000 cópias vendidas em todo o mundo.

Na obra, o autor usa conceitos de neurociência e economia comportamental para motivar os leitores a parar de procrastinar. Leia um trecho inédito a seguir.

Capítulo 1

Uma história da procrastinação

Desde o início dos tempos, as pessoas sofrem de procrastinação. O poeta grego Hesíodo menciona o problema em seu poema Os Trabalhos e os Dias:

Não adies para amanhã nem para depois de amanhã; celeiros não se enchem por aqueles que postergam e dedicam seu tempo ao infrutífero.

É no cuidado que o trabalho prospera; adiar o trabalho é lutar com a ruína.

Aqueles que postergam e dedicam seu tempo ao infrutífero: essa definição também serve perfeitamente para o atual procrastinador.

O filósofo romano Sêneca também alertou: “Enquanto desperdiçamos nosso tempo hesitando e adiando, a vida se dissipa”. Nessa citação está a principal razão pela qual aprender a superar a procrastinação é tão importante.

A procrastinação é uma das principais barreiras para que se viva plenamente. Estudos recentes mostraram que as pessoas não lamentam as coisas que fizeram, mas as que deixaram de fazer. O arrependimento e a culpa resultantes de oportunidades perdidas tendem a nos atormentar por muito mais tempo.

Quando você procrastina, perde um tempo que poderia ter sido investido em algo significativo. Se você conseguir derrotar esse inimigo feroz, será capaz de realizar mais e, desse modo, aproveitará melhor o potencial que a vida lhe oferece.

A atual era da paralisia decisória

Qual é o cenário da procrastinação atualmente? Bem, o mundo contemporâneo é um prato cheio para a procrastinação. Aprender a superá-la é, portanto, uma das habilidades mais importantes que você pode aprender nos dias de hoje.

Nos últimos 100 anos, a expectativa de vida humana mais do que dobrou; a taxa de mortalidade infantil é um décimo do que era um século atrás. Todos os dias acordamos em um mundo com menos violência e com menos conflitos militares do que em qualquer outra época da história. Graças à internet, quase todo o conhecimento humano está disponível a poucos cliques de distância. Quase não há limites para as viagens, podemos ir a praticamente qualquer parte do mundo. Saber outra língua permite entender e ser entendido em países estrangeiros. O telefone celular que você leva no bolso é mais potente do que os melhores supercomputadores de 20 anos atrás.

A quantidade de oportunidades que o mundo atual oferece é estonteante. Imagine a extensão dessas oportunidades como se fosse a abertura de uma tesoura: quanto mais oportunidades você tem, mais aberta está essa tesoura imaginária — a tesoura do potencial. E hoje em dia ela está mais aberta do que já esteve em qualquer outro período da história.

A sociedade moderna idolatra a liberdade individual e a crença de que, quanto mais livres formos, mais felizes seremos. De acordo com essa lógica, a cada vez que a tesoura do potencial se abrisse um pouco mais, deveríamos ficar ainda mais felizes. Então por que não estamos significativamente mais felizes do que no passado? Por que essa abertura contínua da tesoura do potencial é tão problemática?

Mais oportunidades implicam mais escolhas — e trazem um problema inesperado: quanto mais opções existem, mais difícil é tomar uma decisão. A paralisia decisória entra em ação. Examinar cada opção disponível consome tanta energia que você pode se ver incapaz de tomar qualquer decisão. Quando isso acontece, você adia a tomada de decisões e acaba adiando também as ações. Você procrastina.

Quanto mais complicado for comparar opções, maior será sua tendência a protelar uma decisão. E mais: se você dispõe de muitas opções, é provável que, mesmo se conseguir fazer uma escolha, ainda acabe se arrependendo da decisão tomada. Vai ficar imaginando como teria sido se tivesse escolhido algo diferente. Vai começar a ver um monte de defeitos naquilo que escolheu.

Sabe aquela sensação de ter algo para fazer mas mesmo assim não fazer? Lembra quando foi a última vez que você protelou uma ação ou decisão? Alguma vez você não conseguiu escolher opção alguma entre as disponíveis? O que você sentiu nessas situações?

Quando a paralisia decisória aumenta, também aumenta a procrastinação. Assim, protelar as coisas pode reduzir sua produtividade a uma mera fração do que ela poderia ser. E perceber que você não está realizando seu potencial completo pode levar a culpa e frustração. (…)

Motivação

Todos nós nascemos e, infelizmente, um dia todos morreremos também. Nosso tempo na Terra é finito e breve. À luz desses fatos, o tempo é o bem mais valioso que temos na vida. Não é o dinheiro. Ao contrário do tempo, dinheiro a gente pode pegar emprestado, economizar ou ganhar mais. Não dá para fazer isso com o tempo. Cada segundo que se desperdiça é perdido para sempre.

Num discurso de paraninfo aos formandos da Universidade Stanford, Steve Jobs expressou eloquentemente a finitude da vida:

Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a fazer grandes escolhas na vida. Porque quase tudo — todas as expectativas alheias, todo o orgulho, todo o medo de passar vergonha ou fracassar — simplesmente desaparece em face da morte, deixando apenas o que é de fato importante. Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que conheço de evitar a armadilha de achar que tem algo a perder.

A mera percepção de que a vida é finita nos leva a gerenciar nosso tempo com mais cuidado; nos leva a pensar como gostaríamos de passar nosso tempo aqui na Terra; nos leva a pensar qual seria nossa visão pessoal.

Uma vez definida, sua visão vai se tornar a mais eficaz motivação imaginável e vai impulsioná-lo na vida como um forte ímã. Vai ajudá-lo a fazer coisas que você considera realmente significativas hoje e, ao mesmo tempo, impulsioná-lo para seu futuro ideal.

Disciplina

Existem dois lados na disciplina diária: produtividade e eficácia. O dia tem apenas 24 horas — nem mais nem menos. Subtraia o tempo que você passa dormindo e o que sobra é o tempo produtivo em potencial.

A produtividade expressa qual porcentagem do seu tempo de vigília você gasta fazendo coisas significativas — as atividades que contribuem para você realizar sua visão pessoal. Repouso regular, gestão do tempo e hábitos positivos podem melhorar bastante sua produtividade.

A eficácia determina se as atividades às quais você dedica seu tempo são ou não fundamentais, ou seja, se fazem você progredir o mais rápido possível na vida. Ser capaz de definir prioridades, desmembrar tarefas e delegar responsabilidades é crucial para melhorar a eficácia pessoal.

Imagine sua visão como um caminho. A produtividade indica quanto tempo do seu dia você passa percorrendo esse caminho, enquanto a eficácia indica se você está dando os maiores passos possíveis. Disciplina é, portanto, sua capacidade de realizar ações específicas que levam à realização da sua visão pessoal.

Resultados

Como diz o velho provérbio japonês: “Visão sem ação é devaneio. Ação sem visão é um pesadelo”. Essa máxima aborda dois grandes problemas bastante comuns. Muitas pessoas têm várias ideias do que gostariam de fazer, mas acabam simplesmente não fazendo nada. Enquanto isso, outras fazem um monte de coisas, mas não veem propósito em suas ações.

O ideal é ter as duas: visão e ação. Quando combina ambas com sucesso, você alcança resultados emocionais e materiais.

Os resultados emocionais estão ligados à inundação do cérebro com dopamina, um neurotransmissor que, quando liberado, produz a sensação de felicidade.

Os resultados materiais são as consequências concretas das suas ações — os frutos do seu trabalho.

Objetividade

O último elemento essencial do nosso sistema de desenvolvimento pessoal é melhorar a objetividade. (…)

A capacidade de aumentar sua objetividade é uma ferramenta importante para ter à mão nos momentos em que a intuição falha. Reduzindo suas ideias preconcebidas, você vai enxergar com mais clareza como as coisas funcionam na realidade. Para melhorar sua objetividade, você precisa obter feedback sobre seu comportamento, suas ideias e suas ações. Como nosso cérebro tende a acreditar em coisas que não correspondem à realidade, precisamos estar constantemente atentos a áreas do nosso pensamento em que falte objetividade.

Como afirmou certa vez o britânico Bertrand Russell, ganhador do Prêmio Nobel e um dos matemáticos e filósofos mais importantes do século 20: “A causa fundamental dos problemas no mundo moderno é que os idiotas estão cheios de certezas, enquanto os inteligentes estão cheios de dúvidas”.

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